PARTE 2 — HIROSHIMA, NAGASAKI E AS LIÇÕES NÃO APRENDIDAS
- Alexandre Costa

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POR ALEXANDRE COSTA| ESQUINADEMOCRATICA.COM.BR A história já mostrou, em escala real, o que significa cruzar o limite nuclear. Em 6 de agosto de 1945, Hiroshima foi destruída pela bomba “Little Boy”. A cidade informa que tinha cerca de 350 mil pessoas no momento do ataque; estimativas consolidadas apontam cerca de 140 mil mortos até o fim daquele ano. Três dias depois, Nagasaki foi atingida pela “Fat Man”, e as estimativas mais aceitas situam em torno de 74 mil as mortes até dezembro de 1945. Não houve apenas explosão e incêndio: houve colapso sanitário, queimaduras massivas, destruição urbana instantânea e uma sequência de adoecimentos associados à radiação. [13][14]
O legado invisível foi tão devastador quanto o clarão. Hiroshima registra que a radiação residual continuou sendo emitida após a explosão, ainda que sua intensidade caísse rapidamente. Décadas de pesquisa médica mostram aumento de leucemia, câncer e outros efeitos tardios entre sobreviventes. A bomba não termina no impacto: ela continua no corpo, na memória e nas gerações seguintes. [15][16]
Comparar 1945 com o presente é compreender a mudança de escala. A bomba de Hiroshima tinha potência em torno de 12,5 quilotons. Hoje, os arsenais estratégicos combinam múltiplas ogivas, maior precisão, vetores de longo alcance e capacidade de sobrevivência ao primeiro ataque. O que em Hiroshima e Nagasaki foi a inauguração do horror seria, no século XXI, sua industrialização. [17][6]
A Segunda Guerra Mundial deveria ter consolidado limites duradouros. Ela matou dezenas de milhões de pessoas, reorganizou o mapa do poder, abriu caminho para a ONU, inaugurou a era da bipolaridade e foi seguida por programas de reconstrução como o Plano Marshall, formalizado em 1948, que despejou US$ 13,3 bilhões na recuperação europeia. Ao mesmo tempo, deixou claro que tecnologia sem freio político pode transformar ciência em extermínio. [18]
No Brasil, a guerra acelerou transformações estruturais. A aliança com os Estados Unidos reforçou a industrialização e ajudou a viabilizar projetos estratégicos, como a Companhia Siderúrgica Nacional, cuja própria criação está ligada ao contexto bélico, e a Companhia Vale do Rio Doce, fundada em 1942 em meio à busca americana por matérias-primas essenciais ao esforço de guerra. A guerra também estimulou exportações de minério e outros insumos, ao mesmo tempo em que pressionou preços, abastecimento e condições de vida da população. [19]
Na América do Sul, o conflito gerou um boom exportador temporário, favorecido pela escassez global de manufaturados e pela reorientação dos fluxos comerciais. Mas esse ganho de curto prazo cobrou caro depois: estudos sobre a Argentina mostram que as exportações industriais cresceram durante a guerra e declinaram no pós-guerra, enquanto análises do FMI registraram que a guerra afetou fortemente balanços de pagamento e dinâmicas inflacionárias na região. O padrão é conhecido: guerras globais criam vencedores setoriais e perdedores sociais. [20][21]
É essa a lição que 2026 parece insistir em ignorar. A Segunda Guerra mostrou que alianças sem diplomacia não garantem paz, que humilhações estratégicas alimentam conflitos futuros e que instituições fracas viram ornamento. O século XXI, porém, reencena a escalada com armas muito mais rápidas e muito mais letais. [18][6][7] 📲 CURTA, COMPARTILHE, COLABORE E CONTRIBUA
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