REPORTAGEM DA "PÚBLICA": MÃES SÃO MAIORIA ENTRE VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NO BRASIL, APONTAM PESQUISAS
- Alexandre Costa

- 12 de mai.
- 2 min de leitura

Um dado atravessa a dor e expõe uma dimensão ainda pouco enfrentada da violência de gênero no país: a maioria das mulheres agredidas no Brasil são mães. Reportagem da jornalista Amanda Audi, publicada pela Agência Pública em 11 de maio de 2026, reúne pesquisas recentes e evidencia como a violência doméstica atinge, de forma recorrente, mulheres que também exercem o papel de cuidadoras e responsáveis por filhos.
O levantamento mais contundente vem do DataSenado: em 2025, 74% das mulheres que sofreram violência no Brasil tinham um ou mais filhos. O dado desloca o debate para além da violência individual e revela um impacto estrutural que atravessa famílias inteiras.
VIOLÊNCIA QUE ATINGE MULHERES E REPRODUZ CICLOS
Ao colocar as mães no centro da análise, a reportagem mostra que a violência contra a mulher não se encerra na vítima direta. Ela se expande, atinge crianças e adolescentes e tende a reproduzir ciclos de trauma, vulnerabilidade social e desigualdade.
Em muitos casos, essas mulheres permanecem em relações abusivas por fatores que combinam dependência econômica, responsabilidade com os filhos e ausência de redes de apoio. A decisão de romper com o agressor, portanto, não é apenas individual — envolve riscos concretos de sobrevivência.
SOBRECARGA, ISOLAMENTO E FALTA DE PROTEÇÃO
A condição de mãe frequentemente intensifica a vulnerabilidade. Além da violência, há sobrecarga de trabalho doméstico, dificuldades de acesso ao mercado de trabalho e obstáculos para buscar ajuda.
A reportagem aponta que políticas públicas ainda falham em considerar essa dimensão. Abrigos, redes de proteção e serviços de atendimento nem sempre estão preparados para acolher mulheres com filhos, o que limita as possibilidades de saída da situação de violência.
A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA COMO QUESTÃO ESTRUTURAL
Os dados reunidos pela Pública reforçam que a violência doméstica não é episódica, mas estrutural. Ela se insere em um contexto de desigualdade de gênero, precarização econômica e fragilidade das políticas de proteção social.
Quando a maioria das vítimas são mães, o problema ganha outra escala: deixa de ser apenas uma violação de direitos individuais e passa a ser uma questão de reprodução social da violência.
O DESAFIO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS
A constatação de que mães são maioria entre as vítimas exige respostas mais amplas do Estado. Isso inclui:
ampliação de redes de acolhimento que contemplem filhos
políticas de autonomia econômica para mulheres
fortalecimento de serviços de saúde, assistência e proteção
integração entre educação, justiça e assistência social
Sem essas medidas, a violência tende a se perpetuar — não apenas contra as mulheres, mas também sobre as próximas gerações.
UMA QUESTÃO DE PRESENTE E FUTURO
Ao evidenciar o peso das mães nas estatísticas da violência, a reportagem de Amanda Audi contribui para deslocar o olhar: proteger mulheres é também proteger crianças, famílias e o futuro social do país.
Ignorar esse dado é, na prática, aceitar que a violência continue sendo transmitida como herança.
FONTE
[1] Agência Pública – “Mães são maioria nos casos de violência contra a mulher, apontam pesquisas” – 11/05/2026 https://apublica.org/2026/05/maes-sao-maioria-nos-casos-de-violencia-contra-a-mulher-apontam-pesquisas/
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