top of page

DUAS DÉCADAS APÓS LANÇAR "A MOSCA AZUL", FREI BETTO ALERTA: O AFASTAMENTO DAS BASES PODE DEFINIR O RUMO DA ELEIÇÃO


Em um dos diagnósticos mais incisivos sobre o momento político brasileiro, o teólogo e escritor Frei Betto acendeu um sinal de alerta para a esquerda ao analisar, em entrevista ao canal Brasil 247, os rumos do campo progressista às vésperas de mais um ciclo eleitoral decisivo. A análise foi publicada pela Revista Fórum no dia 11 de maio de 2026 e retoma uma crítica histórica que, segundo ele, deixou de ser advertência para se tornar consequência concreta.


A entrevista original pode ser assistida em: Brasil 247 – Entrevista com Frei Betto


O ALERTA: A ESQUERDA SE DISTANCIOU DAS BASES

Ao longo da entrevista, Frei Betto afirma que a esquerda brasileira perdeu uma de suas principais características históricas: a presença permanente junto às bases populares. Segundo ele, houve um abandono progressivo da formação política e da educação popular, pilares que foram decisivos tanto na resistência à ditadura quanto na construção do processo político que levou Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.

“Nós fomos abandonando as bases. Não há reprodução, não há formação política, não há equipes de educação popular. Paulo Freire hoje, no máximo, fica nas estantes e não na prática”, afirmou.

A crítica aponta para uma transformação estrutural: partidos e sindicatos, segundo ele, perderam capacidade de mobilização social à medida que se institucionalizaram e reduziram sua atuação direta nos territórios.

“ESQUERDA DE SALTO ALTO” E O PROCESSO DE ELITIZAÇÃO

É nesse contexto que Frei Betto utiliza a expressão “esquerda de salto alto” para caracterizar setores que, ao ocuparem espaços institucionais, passaram a se afastar da realidade social que lhes deu origem.

Para o frade dominicano, trata-se de uma esquerda que chega ao governo, mas deixa de frequentar periferias, favelas, movimentos sociais e espaços de organização popular. O problema, segundo ele, não é apenas simbólico — é estratégico e político.

A crítica ganha peso justamente por vir de uma trajetória vinculada à Teologia da Libertação, à educação popular e à formação de base que marcou a história recente do país.

O VAZIO NAS PERIFERIAS E A OCUPAÇÃO POR OUTRAS FORÇAS

O diagnóstico apresentado por Frei Betto aponta uma consequência direta desse afastamento: o espaço deixado pela esquerda não permaneceu vazio.

“Hoje essas áreas estão dominadas por fundamentalistas, milícias e narcotráfico. Ninguém mais da esquerda faz trabalho político nessas regiões”, afirmou.

A análise indica uma mudança profunda no território político brasileiro, em que a ausência de organização popular abre espaço para outras formas de poder e influência, muitas vezes articuladas com projetos conservadores ou autoritários.

“A MOSCA AZUL” E O ENCANTAMENTO PELO PODER

O alerta dialoga diretamente com o livro A Mosca Azul, no qual Frei Betto já refletia, duas décadas atrás, sobre os riscos do encantamento pelo poder institucional.

Na obra, escrita a partir de sua experiência no início do primeiro governo Lula, o autor analisa como a chegada ao poder pode provocar distanciamento das bases sociais e substituição do trabalho político contínuo por ações institucionais.

A entrevista atual retoma essa reflexão, mas em um cenário mais crítico: o que antes era risco, agora aparece como realidade consolidada.

UM ALERTA POLÍTICO E ELEITORAL

A avaliação de Frei Betto não se limita a uma crítica interna. Ela se insere diretamente no contexto eleitoral de 2026, marcado por polarização e disputa de projetos de país.

Ao afirmar que “a eleição começa antes da eleição”, o teólogo chama atenção para a importância da presença cotidiana nos territórios — nas comunidades, nas igrejas, nos sindicatos, nas escolas e nas redes de sociabilidade.

Segundo ele, é nesse espaço que se constrói consciência política, e não apenas nas campanhas formais ou na comunicação digital.

VOLTAR ÀS BASES COMO DESAFIO ESTRATÉGICO

A partir desse diagnóstico, o alerta de Frei Betto aponta para uma tarefa concreta: a necessidade de reconstrução do trabalho de base, da formação política e da presença territorial.

Mais do que uma crítica, trata-se de uma advertência histórica. A esquerda que chegou ao poder foi construída a partir da organização popular. O enfraquecimento dessa base pode comprometer não apenas resultados eleitorais, mas a própria capacidade de formulação política no longo prazo.

FONTES

[1] Revista Fórum – “Sinal vermelho para a esquerda” – 11/05/2026 https://revistaforum.com.br/opiniao/frei-betto-sinal-vermelho-esquerda/

[2] Entrevista original – Brasil 247 (YouTube) Assistir entrevista completa

📲 CURTA, COMPARTILHE, COLABORE E CONTRIBUA

jornalismo livre e independente

 
 

COLABORE

  • Facebook
  • Youtube
ESQUINA (2)_edited.png

Apoie o jornalismo livre, independente, colaborativo e de alta integridade, comprometido com os direitos e as liberdades coletivas e individuais. Participe dos novos modelos de construção do mundo das notícias e acredite que uma outra imprensa é possível. 
 

O Esquina Democrática não se submete às avaliações métricas, baseadas em quantitativos que impulsionam visualizações, acessos, curtidas e compartilhamentos. Também não compactua com modelo  de trabalho que prejudicam a produção de conteúdos e colaboram com a precarização profissional. 

BANCO 136 - UNICRED
AGÊNCIA 2706
CONTA 27928-5
ALEXANDRE COSTA
CPF 559.642.490-00

CHAVE DO PIX

 559.642.490-00

bottom of page