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MARIELLE FRANCO COMPLETARIA 44 ANOS NESTA QUINTA-FEIRA (27/7)


O lançamento da fotobiografia e da primeira exposição do acervo do Instituto Marielle Franco no Centro de Artes da Maré, comunidade onde a vereadora nasceu, marcaram a data em que ela comemoraria seus 44 anos (27/7). Uma série de registros fotográficos de sua vida política e pessoal, impressos em um livro e expostos na sede do Centro de Artes, no Complexo da Maré, recontam a história de vida e a trajetória da parlamentar, assassinada brutalmente em 14 de março de 2018.


Durante o lançamento da fotobiografia e da exposição 'Celebrando a Vida de Marielle Franco', os pais e a viúva, a vereadora Mônica Benício, ressaltaram a importância de celebrar a sua existência e manter viva sua memória como mecanismo de luta pelos direitos humanos no país.


- É com dor e emoção que estamos aqui hoje. Afinal, este foi o dia que pari a milha filha. Mas não podemos ficar só nas dores. Marielle representa muito mais que isso. Esse trabalho é uma memória viva da Marielle fundamental pra passarmos para nossos filhos, nossos netos. É fundamental que neste território, aqui na Maré, a gente celebre a vida de Marielle. Hoje é dia de comemoração e celebração da vida! - declarou Marinete Silva, mãe da vereadora.


Eleita vereadora do Rio de Janeiro pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) para a Legislatura 2017-2020, com a quinta maior votação, Marielle Franco foi morta em março de 2018, em um atentado no bairro do Estácio, na região central da cidade, quando saía de um evento com outras mulheres negras. Mais de cinco anos se passaram e o Brasil continua sem saber quem mandou matá-la. Entre os suspeitos estão milicianos, ex-policiais e políticos do Rio de Janeiro. O presidente Jair Bolsonaro (PL) negou, por diversas vezes, que tenha ligação com os assassinos.


PRISÃO DE SUEL Na última segunda-feira (24/7), a Polícia Federal e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) prenderam o ex-bombeiro Maxwell Simões Corrêa, o Suel, na Operação Élpis. Suel foi condenado em 2021 a quatro anos de prisão por atrapalhar as investigações, mas cumpria a pena em regime aberto. O ex-bombeiro tinha sido preso em junho de 2020 durante a Operação Submersos II, e foi levado para a Superintendência da PF, no Centro do Rio. De acordo com o MPRJ, Maxwell era o dono do carro usado para esconder as armas que estavam em um apartamento de Ronnie Lessa, acusado de ser um dos autores do assassinato de Marielle e Anderson, e que também é amigo de Suel. O ex-bombeiro também teria ajudado a jogar o armamento no mar. Segundo as investigações, Maxwell atuava na "vigilância" e no "acompanhamento" da vereadora Marielle Franco.



SOBROU PARA O PORTEIRO

De acordo com a polícia, o autor do atentado contra Lessa foi a mesma pessoa que matou o filho do bicheiro Rogério Andrade. Na época, Bolsonaro era deputado federal, pretendente ao Palácio do Planalto, e revelações sobre o envolvimento de sua família com milicianos poderiam impedi-lo de chegar a a seu objetivo. Marielle havia assessorado Marcelo Freixo na CPI da Milícias quando o então deputado estadual era colega de Flávio Bolsonaro na Alerj.


A mansão que Ronnie Lessa alugou no Condomínio Vivendas da Barra impressiona. No carro blindado dele, a polícia apreendeu 60 mil reais em dinheiro. Existe algum nexo econômico entre Lessa e as campanhas eleitorais da família Bolsonaro? A filha de Lessa namorou o filho mais novo de Jair Bolsonaro, Jair Renan, de 20 anos de idade. Porém, Jair e Carlos Bolsonaro dizem não conhecer Ronnie Lessa.

PORTEIRO E A CASA 58

Antes da manifestação oficial do Ministério Público, o vereador Carlos Bolsonaro divulgou nas redes sociais imagens e áudio do sistema que grava as ligações de interfone entre a portaria e as casas do condomínio. Ele fez isso para desmentir os depoimentos do porteiro à polícia. Há uma prova material: o porteiro registrou no livro o número da casa à qual Élcio, o motorista do automóvel de onde foram disparados os tiros em Marielle, visitaria: a de número 58. Não haveria nenhum motivo, àquela altura, quando Jair Bolsonaro era deputado federal, para o porteiro fazer uma anotação mentirosa. E é difícil confundir 58 com 66.


O Ministério Público do Rio de Janeiro afirmou que um áudio obtido na investigação da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes mostra que foi o PM aposentado Ronnie Lessa quem liberou a entrada do ex-PM Élcio de Queiroz no Condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, horas antes do crime, em 14 de março de 2018.


Em entrevista coletiva, a promotora Simone Sibílio, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ, disse que Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz negaram, em depoimento, ter se encontrado na data do crime.

As provas, no entanto, desmentem ambos, segundo ela. Ronnie Lessa morava na casa registrada com os números 65 e 66 no Condomínio Vivendas da Barra, onde o presidente Jair Bolsonaro tem um imóvel, a casa 58.

O Jornal Nacional mostrou em reportagem que o porteiro do condomínio contou à polícia que Élcio entrou no Vivendas da Barra dizendo que iria para a casa do então deputado Jair Bolsonaro. Segundo o depoimento do porteiro, a autorização para que Élcio entrasse no condomínio foi dada por uma pessoa que estava na casa de Bolsonaro, a de número 58. O presidente também é dono da casa 36, onde mora o vereador Carlos Bolsonaro, um de seus filhos.

O porteiro contou ainda que, depois de Élcio ter se identificado e dizer que iria pra casa 58, ligou para o imóvel para confirmar se o visitante tinha autorização para entrar. Disse também que identificou a voz de quem atendeu como sendo a do "Seu Jair" – essa informação foi confirmada nos dois depoimentos.

Essa citação do nome do presidente Bolsonaro acabou levando o caso para análise do Supremo Tribunal Federal (STF), como Jornal Nacional revelou nesta terça-feira.

Nesta quarta de manhã, uma gravação divulgada pelo vereador Carlos Bolsonaro (assista no vídeo abaixo) mostrou que a autorização para a entrada do suspeito partiu da casa em que morava outro suspeito – Ronnie Lessa – e não da casa do presidente.

https://globoplay.globo.com/v/8047781/ Na entrevista coletiva, ao lado de outras duas promotoras, Simone Sibílio disse que o áudio obtido na investigação "comprova que no dia do crime, por volta das 17h07, Élcio entra no condomínio de Ronnie Lessa e pede autorização para entrar".


"A pessoa que está na cabine [porteiro] liga para casa 65, e isso está comprovado pelas gravações. E a pessoa que atende na casa 65 é Ronnie Lessa. Com base na pessoa que atende, precisava comprovar: essa voz é de quem? O Ministério Público, com base na voz de Lessa obtida no depoimento, fez um confronto com a voz da cabine – e o confronto deu positivo. Portanto há prova pericial de que quem atende e quem autoriza a entrada de Élcio de Queiroz é Ronnie Lessa." Em outro momento da coletiva, Simone Sibílio reafirmou: "A pessoa que autoriza a entrada de um dos executores [ do assassinato de Marielle e Anderson] é Ronnie Lessa. Qualquer informação que difere disso é equivocada e não guarda coerência com a prova técnica".


Segundo ela, o livro manuscrito de ocorrências da portaria do condomínio indicou, de fato, que Élcio entrou no local dando como destino a casa de Bolsonaro. No entanto, as alegações do porteiro não condizem com a realidade, disseram as promotoras.

"Agora, a informação dada pelo porteiro não bate com a prova pericial. Na verdade, o que estamos dizendo é que não há compatibilidade entre os depoimentos do porteiro e a prova pericial", afirmou Simone Sibílio.

"Por que o porteiro deu esse depoimento, se ele se equivocou, se ele se esqueceu, se ele mentiu... Enfim, qualquer coisa pode ter acontecido. Então, ele pode esclarecer novamente. Simples assim. (...) Qualquer testemunha que mente, seja o porteiro, seja qualquer outra -- nesses autos, algumas pessoas mentiram; esse processo é um processo muito complexo --, e todas as pessoas que prestam falso testemunho podem ser processadas. Ele e todas as demais que mentem."

Questionada sobre a possibilidade de o áudio ter sido alterado, ela respondeu: "A gravação toda foi periciada. E o laudo comprova que não há indícios de fraude, de adulteração". Tanto a procuradora quanto o vereador vieram a público depois que o Jornal Nacional revelou o conteúdo dos depoimentos do porteiro – e do livro manuscrito de ocorrências do condomínio, com a indicação de que o visitante se dirigiria à casa de Jair Bolsonaro. CRONOLOGIA DA INVESTIGAÇÃO O Ministério Público apresentou a cronologia da investigação sobre os áudios que mostraram que Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz se encontraram no dia da morte de Marielle e Anderson.

  • 22 de janeiro: na véspera do depoimento de Ronnie Lessa, a mulher dele, Elaine, lhe passa uma fotografia da planilha de acesso da entrada no condomínio Vivendas da Barra

  • 24 de janeiro: Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz depõem e negam ter estado juntos na data da morte de Marielle Franco e de Anderson Gomes

  • 12 de março: Lessa e Élcio são presos. Investigadores apreendem celulares

  • Polícia checa planilha do condomínio e não vê registro da entrada de Élcio na casa de Lessa (os investigadores não checam a casa 58, só a 65/66)

  • 4 de outubro: com a planilha em mãos, os investigadores interrogam Lessa e élcio, que confessam ter estado juntos.

  • Segundo a promotora, em 5 de outubro a polícia faz busca no condomínio e pega o livro de registro da guarita

  • Na planilha da guarita mostra que o porteiro registrou que Élcio havia ido para a casa 58

  • Em 8 e 9 de outubro, segundo a promotora, porteiro presta depoimento e cita Jair Bolsonaro

  • Por causa disso, o caso foi remetido ao STF

  • Em 8 ou 9 de outubro ("dois ou três dias depois" de avisar o STF, segundo a promotora), o síndico do condomínio "querendo colaborar com a Justiça", de acordo com o MP, entrega a gravação do áudios do sistema da portaria do condomínio

  • A gravação também é remetida ao STF

  • A gravação mostra que o porteiro ligou para a casa 65/66 e que pessoa que atende e libera Élcio é Ronnie Lessa

  • Segundo o MP, a gravação foi periciada e não há indícios de fraude no sistema

ADRIANO DA NÓBREGA

O ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, no topo à esquerda, empregou mãe e esposa no gabinete de Flávio. O sargento PM Élcio, expulso da corporação em 2015 por envolvimento com bicheiros, dirigiu o automóvel do qual foram disparados os tiros que mataram Marielle. Josinaldo Lucas Freitas, o Djaca (boné preto) é acusado de jogar no mar as armas usadas no assassinato de Marielle e Anderson.


O ex-PM Fabrício Queiroz é suspeito de ajudar a enriquecer Flávio Bolsonaro no mercado imobiliário. As contas de campanha de Flávio ficaram com Valdenice de Oliveira Meliga, irmã de Alan e Alex Rodrigues de Oliveira. Os PMs gêmeos foram presos na operação Quarto Elemento, acusados de extorsão. Flávio publicou a foto da festa de aniversário dos gêmeos, à qual compareceu com o pai, com a legenda: "Parabéns Alan e Alex pelo aniversário. Essa família é nota mil!!!". As fotos foram publicadas nas redes sociais.


ASSASSINO ERA VIZINHO DE BOLSONARO No decorrer das investigações do assassinato de Marielle Franco ficou constatado que o policial reformado Ronnie Lessa, acusado de ser o autor dos disparos que mataram a vereadora do Psol, era vizinho de Bolsonaro. Ambos moravam no condomínio Vivendas da Barra, na mesma rua, no Rio de Janeiro. “Não lembro desse cara. Meu condomínio tem 150 casas”, disse o presidente segundo a Folha de S.Paulo, em café da manhã com alguns jornalistas.

FILHO DE BOLSONARO NAMORAVA FILHA DE RONIE LESSA Em 2019, o delegado Giniton Lages, titular da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro e um dos responsáveis pelas investigações da execução de Marielle Franco, confirmou que a filha de Ronie Lessa, preso sob acusação de ser um dos autores do homicídio, namorou um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, o caçula Jair Renan Bolsonaro.


PASSAPORTE PARA A FAMÍLIA BRAZÃO

João Vitor Moraes Brazão e Dalila Maria de Moraes Brazão, filho e esposa do deputado federal Chiquinho Brazão (Avante-RJ), receberam do Itamaraty o passaporte diplomático em 9 de julho do ano passado. O parlamentar, que também possui o documento, é irmão de Domingos Inácio Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) acusado de obstruir as investigações sobre o assassinato de Marielle Franco e suspeito de ser um dos mandantes do crime.


ADRIANO DA NÓBREGA FOI QUEIMA DE ARQUIVO O miliciano Adriano da Nóbrega, ex-oficial do Bope, é apontado como chefe da organização criminosa Escritório do Crime. Assassinado no dia 9 de fevereiro de 2020, após uma operação policial que tentava capturá-lo na Bahia, depois de um ano foragido, Adriano era figura-chave para compreender diversos crimes, mas também para entender a relação do clã Bolsonaro com as milícias cariocas.


FLÁVIO EMPREGOU MÃE E EX-ESPOSA DE ADRIANO

No mandato do então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), trabalharam a ex-esposa e a mãe de Nóbrega, Danielle Mendonça da Costa e Raimunda Veras Magalhães, respectivamente. Elas receberam um total de R$ 1.029.042,48 em salários e repassaram R$ 203 mil para Fabrício Queiroz, respeitando o esquema estabelecido no gabinete para beneficiar o parlamentar, de acordo com a denúncia do MPE.


ADRIANO FOI HOMENAGEADO POR FLÁVIO BOLSONARO

A amizade também é a natureza da relação entre Adriano da Nóbrega e Queiroz, que se conhecem desde 2003, quando serviram juntos no 18º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMRJ). Justamente neste ano, Nóbrega recebeu a primeira homenagem de Flávio Bolsonaro na Alerj. A segunda viria em 2005, ano em que o ex-agente do Bope foi julgado e condenado por um júri popular, por conta de um homicídio.


JAIR BOLSONARO DEFENDEU ADRIANO DA NÓBREGA

Durante o seu julgamento, Nóbrega recebeu um apoio importante, do então deputado federal Jair Bolsonaro. Após a audiência que culminou na condenação do miliciano, o atual presidente da República foi até a tribuna da Câmara dos Deputados e defendeu o militar. “Ele sempre foi um brilhante oficial”.


AMIZADES DE BOLSONARO

Em maio de 2021, o vereador Marcello Siciliano foi mencionado por uma testemunha, por suposto envolvimento na morte de Marielle. Siciliano chegou a ser preso, mas pouco tempo depois seu envolvimento foi descartado. Empresário da construção civil e cumprindo seu primeiro mandato na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Marcello Siciliano se elegeu em 2016, com votação expressiva na zona oeste do município, em regiões controladas pelas milícias, como Rio das Pedras.


Em dezembro de 2018, a Câmara Municipal aprovou um projeto de Marcello Siciliano, em parceria com os vereadores Felipe Michel (PSDB) e Inaldo Silva (PRB), que autorizava a Igreja Batista Atitude, na Barra da Tijuca, a construir uma templo novo e maior, que já foi inaugurado. A igreja é frequentada por Michelle Bolsonaro e Jair Bolsonaro, que receberam, inclusive, uma festa de despedida dos fieis quando foram morar em Brasília.


LIGAÇÕES COM O CRIME

Outro importante personagem do Escritório do Crime, o major Ronald Paulo Alves, apontado por uma testeminha como responsável por organizar o grupo de assassinos que executariam Marielle Franco e Anderson Gomes, também foi homenageado por Flávio Bolsonaro na Alerj. Em 2004, o filho do presidente celebrou uma ação comandada por Alves que terminou com três mortes. Um ano antes, em 2003, o major teria participado da chacina de cinco jovens dentro da boate Via Show, em São João de Meriti. Quatro policiais já foram condenados pelo caso e somente o agente condecorado por Flávio Bolsonaro ainda não foi julgado.


O CARA DA CASA DE VIDRO

Reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil no dia 24 de abril de 2021 revelou detalhes de escutas telefônicas da investigação sobre Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope e comandante do chamado “Escritório do Crime” (braço de extermínio ligado à milícia de Rio das Pedras), que ligam o miliciano ao presidente Jair Bolsonaro.O relatório das escutas sugere que milicianos teriam entrado em contato com uma pessoa identificada como “Jair”, “cara da Casa de Vidro” e “PRESIDENTE”, após a morte do ex-PM em uma ação da polícia da Bahia, no dia 9 de fevereiro de 2020. A "Casa de Vidro" seria referência ao Palácio do Planalto.

A ligações foram transcritas em um relatório da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Polícia Civil do Rio de Janeiro, elaborado a partir das quebras de sigilo telefônico e telemático de suspeitos de ajudar Adriano da Nóbrega nos 383 dias em que circulou foragido pelo país. Após o Ministério Público do Rio concluir que o “cara da casa de vidro” seria Jair Bolsonaro, as escutas teriam sido interrompidas, segundo as fontes ouvidas pelo Intercept na condição de anonimato.

A interrupção das escutas reforça a ideia de que o "Jair" seria o presidente da República, já que o MP estadual não tem competência para investigá-lo e deve informar a Procuradoria-Geral da República, que possui a competência. Segundo a reportagem, a PGR não informou ao site se recebeu ou não o inquérito.

Com base nas transcrições, o Intercept revela que a primeira ligação supostamente feita ao presidente aparece no dia 9 de fevereiro de 2020 à noite, logo após a morte de Adriano da Nóbrega. Ronaldo Cesar, o Grande, identificado pela investigação como um dos elos entre os negócios legais e ilegais do miliciano, disse a uma mulher que ligaria para o “cara da casa de vidro”.

Segundo o Intercept, no telefonema, Grande “demonstra preocupação com pendências financeiras" e comenta ter alertado "Adriano que ‘iria acontecer algo ruim'". Ele mostra preocupação, dizendo querer saber "como vai ser o mês que vem" e que a “parte do cara tem que ir”. Ronaldo César, o Grande, identificado como elo entre negócios legais e ilegais de Adriano da Nóbrega, diz que irá ligar para "o cara da Casa de Vidro", uma referência ao prédio do Palácio do Planalto. / Reprodução/MPRJ - The Intercept Brasil Depois de quatro dias, em 13 de fevereiro, Grande fala com um homem supostamente não identificado (HNI), o qual a transcrição classifica entre parêntesis como “PRESIDENTE” em letras maiúsculas. Apenas duas frases do diálogo de 5 minutos e 25 segundos foram transcritas.

No mesmo dia, o nome “Jair” aparece em conversas de outros comparsas de Adriano, como o pecuarista Leandro Abreu Guimarães, que abrigou o miliciano em sua fazenda no interior da Bahia durante a fuga. A mulher dele, Ana Gabriela, diz que “Leandro está querendo falar com Jair”.

QUEIMA DE ARQUIVO Segundo a versão oficial da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, Adriano da Nóbrega tinha em mãos uma pistola austríaca 9mm e foi baleado após resistir atirando contra os agentes —cerca de 70 participaram da operação. O fato de estar numa área rural, isolada e cercada, levantou dúvidas sobre a abordagem policial: por que não foi usada uma ação mais cautelosa da polícia para prender o miliciano?, questionou na época a reportagem de El País.

O ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) era um alvo importante. É acusado de ser chefe da milícia de Rio das Pedras, uma das mais antigas do Rio, e também de comandar o Escritório do Crime, um sofisticado braço armado para execuções suspeito de envolvimento no assassinato de Marielle e Anderson. Somam-se aos questionamentos a afirmação do advogado de Nóbrega dizendo que seu cliente temia ser alvo de “queima de arquivo”.


Tanto a PM da Bahia como a do Rio repetem que a ação foi um sucesso. Apesar de o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, afirmar que as circunstâncias da morte seriam investigadas pela Corregedoria da PM, a cena da operação policial seguia desprotegida nesta terça-feira, quando o EL PAÍS visitou o local, o que afeta a reconstrução da operação. O Governo da Bahia afirmou também não ter filmado a operação, apesar de ser um caso de repercussão nacional. Um vizinho do sítio disse, no entanto, ter visto um drone sobrevoando sua casa no momento da ação.

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