FREI BETTO DESCREVE A ASFIXIA ENERGÉTICA DE CUBA DIANTE DE 60 ANOS DE EMBARGO E SANÇÕES DOS EUA
- Alexandre Costa

- há 2 horas
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POR REDAÇÃO | ESQUINADEMOCRATICA.COM.BR
A relação entre Frei Betto e Cuba é profunda, histórica e pautada por uma amizade pessoal com seus líderes e um apoio ideológico contínuo à Revolução Cubana. Ele é amplamente reconhecido como um dos brasileiros que melhor conhece a realidade da ilha, atuando frequentemente como um mediador e defensor do país no cenário internacional.
A crise vivida por Cuba em 2026 ganhou um novo e contundente testemunho nesta semana. Em carta publicada nas redes sociais, o escritor e teólogo Frei Betto, que está em Havana entre os dias 16 e 21 de março, descreve um cenário de colapso energético, escassez de combustível e dificuldades crescentes no cotidiano da população.
O relato coincide com uma escalada recente da crise, marcada por apagões nacionais, falta de petróleo e endurecimento das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.
“ASFIXIA ENERGÉTICA” E COLAPSO DO SISTEMA
Logo no primeiro dia em Cuba, Frei Betto relata ter vivenciado um apagão nacional — o sexto em cerca de um ano e meio. O colapso atingiu todo o sistema elétrico do país, afetando inclusive internet e serviços básicos.
A crise energética não é episódica. Em março de 2026, toda a ilha chegou a ficar sem energia, afetando cerca de 10 milhões de pessoas, em um dos episódios mais graves da história recente do país.
Segundo o próprio governo cubano, a situação é resultado de uma “asfixia energética”, diretamente relacionada à falta de combustível. Há mais de três meses, a ilha não recebe navios petroleiros, o que compromete a geração elétrica e o funcionamento da economia.
Esse cenário foi agravado por medidas recentes dos Estados Unidos, que passaram a restringir ainda mais o fornecimento de petróleo à ilha, inclusive pressionando outros países a interromperem envios .
COTIDIANO MARCADO POR ESCASSEZ
No relato, Frei Betto descreve uma rotina impactada pela falta de energia e combustível:
redução drástica de veículos em circulação
diminuição de atividades produtivas
dificuldades de deslocamento entre regiões
A falta de combustível impede, por exemplo, atividades básicas como deslocamentos para programas sociais. A própria missão do religioso — que assessora projetos de soberania alimentar — precisou ser adaptada por falta de transporte.
Dados recentes indicam que a crise energética tem levado a racionamentos severos e cortes de energia que podem ultrapassar 15 horas por dia em algumas regiões.
ENTRE SANÇÕES E CRISE ESTRUTURAL
O embargo econômico dos Estados Unidos, em vigor desde 1962, é apontado por autoridades cubanas como um dos principais fatores da crise. As sanções restringem o acesso a combustíveis, alimentos, medicamentos e crédito internacional. Nos últimos anos, esse cerco foi intensificado, incluindo a inclusão de Cuba em listas de restrições financeiras e a ampliação de sanções com efeitos extraterritoriais.
Ao mesmo tempo, analistas também apontam fatores internos que contribuem para o cenário atual, como:
limitações do modelo econômico centralizado
baixa produtividade
dependência histórica de importações de energia
A combinação desses elementos ajuda a explicar a profundidade da crise.
ABERTURA ECONÔMICA EM MEIO À CRISE
Apesar das dificuldades, Frei Betto destaca mudanças recentes no país. O governo cubano ampliou a abertura econômica, permitindo que cubanos residentes no exterior invistam na ilha com controle total de negócios.
As chamadas Mipyme (micro, pequenas e médias empresas) vêm ganhando espaço, inclusive com autorização para importar combustíveis, em uma tentativa de aliviar a crise.
PRESSÃO POLÍTICA E TENSÃO COM OS EUA
O cenário atual também é marcado por tensões políticas. Declarações recentes do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicam endurecimento da política externa em relação a Cuba, incluindo ameaças e pressão econômica.
Mesmo assim, Frei Betto observa que a população mantém uma rotina de resistência:
“Há muita dificuldade, mas as pessoas tocam a vida como podem”, relata.
SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL
Diante da crise, iniciativas de solidariedade voltam a ganhar força. Frei Betto encerra sua mensagem convocando apoio internacional ao povo cubano, especialmente para a compra de medicamentos.
A mobilização ocorre em um momento em que organismos internacionais alertam para o risco de agravamento da crise humanitária na ilha.
EMBARGO EM NÚMEROS
+60 anos de embargo econômico dos EUA
1962: início oficial das sanções
33 resoluções da ONU pedindo o fim do bloqueio
165 países votaram contra o embargo em 2025
7 países votaram a favor de sua manutenção
12 abstenções na última votação
Centenas de bilhões de dólares em perdas acumuladas
APAGÕES E CRISE ENERGÉTICA
3 meses sem petróleo na ilha
10 milhões de pessoas afetadas por apagão nacional em 2026
até 15 horas diárias sem energia em algumas regiões
sucessivos colapsos do sistema elétrico desde 2024 DOAÇÃO PARA CUBA O pedido de Frei Betto: "Reforcemos o apoio e a solidariedade ao heroico povo cubano! Enviem recursos à compra de medicamentos ao Instituto Cultivar:
Adicione à sua contribuição o centavo identificador da finalidade. Ex: R$ 100,01.
Gratidão e esperança!
Frei Betto".

Reforcemos o apoio e a solidariedade ao heroico povo cubano! Enviem recursos à compra de medicamentos ao Instituto Cultivar:
Adicione à sua contribuição o centavo identificador da finalidade. Ex: R$ 100,01.
Gratidão e esperança!
Frei Betto A RELAÇÃO DE FREI BETTO COM CUBA
Frei Betto manteve uma amizade de décadas com Fidel Castro, a quem descreve como um "amigo inesquecível". Dessa proximidade nasceu o livro "Fidel e a Religião", fruto de longas conversas que ajudaram a reduzir as tensões entre o Estado cubano (então oficialmente ateu) e as comunidades religiosas, influenciando a abertura de Cuba para visitas papais posteriores.
Defesa da Revolução e Críticas ao Bloqueio
O frade dominicano é um crítico fervoroso do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, que ele classifica como genocida. Ele defende que Cuba, apesar de ser um país pobre, garante direitos fundamentais como saúde, educação e alimentação de forma gratuita, o que gera um forte senso de "cubanidade" e orgulho nacional.
Papel como Consultor e Ativista
Segurança Alimentar: Betto tem colaborado com o governo cubano em programas de soberania alimentar e educação nutricional, especialmente em momentos de crise de abastecimento.
Campanhas de Solidariedade: Recentemente, ele tem feito chamados urgentes por doações de medicamentos e recursos para ajudar o povo cubano a enfrentar o que ele descreve como o "pior momento de sua história", devido à crise energética e ao recrudescimento das sanções.
Visão Crítica e Realismo
Embora seja um aliado, Betto afirma conhecer as dificuldades cotidianas, as críticas de intelectuais locais e os questionamentos à Revolução. Ele argumenta, no entanto, que não se pode exigir mudanças democráticas plenas enquanto o país estiver sob o "sufocamento" econômico externo.
Em resumo, para Frei Betto, defender Cuba é defender um projeto de soberania latino-americana e uma "utopia" de justiça social, apesar das adversidades enfrentadas pela ilha.
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