CINEMATECA PAULO AMORIM EXIBE "CRIADAS", FILME PREMIADO QUE DISCUTE RACISMO, COLORISMO E A HERANÇA DA ESCRAVIDÃO
- Alexandre Costa

- há 3 horas
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Longa-metragem da diretora Carol Rodrigues será exibido gratuitamente nesta terça-feira (28), na Casa de Cultura Mario Quintana, seguido de debate sobre racismo estrutural, memória, ancestralidade e trabalho doméstico.
A Cinemateca Paulo Amorim, na Casa de Cultura Mario Quintana, recebe nesta terça-feira (28), às 19h, uma sessão gratuita de Criadas (2025), primeiro longa-metragem da diretora e roteirista Carol Rodrigues. Premiado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e no Festival do Rio, o filme será exibido na Sala Eduardo Hirtz, seguido de um debate promovido pelo Cineclube Academia das Musas. Os ingressos serão distribuídos gratuitamente a partir das 18h.
Muito além de contar a história de duas mulheres negras que cresceram na mesma casa, Criadas investiga como o racismo estrutural, o colorismo e a desigualdade moldam relações familiares, afetivas e sociais que atravessam gerações.
Na trama, Sandra, interpretada por Mawusi Tulani, retorna à antiga residência da prima Mariana, vivida por Ana Flavia Cavalcanti, em busca de uma fotografia da mãe, que trabalhou durante anos como empregada doméstica naquela casa. O reencontro desperta lembranças da infância compartilhada e evidencia que, embora tenham sido criadas juntas, as duas viveram experiências profundamente diferentes em razão da posição social ocupada por suas famílias.
A narrativa parte dessa história íntima para discutir questões que permanecem presentes na sociedade brasileira: a herança da escravidão, o trabalho doméstico, as desigualdades raciais, o colorismo, as relações de poder dentro das famílias e a construção da memória coletiva.
Em entrevistas concedidas durante a divulgação do filme, Carol Rodrigues explica que a inspiração surgiu de experiências vividas em sua própria família. A diretora relata que sua avó trabalhou como empregada doméstica desde muito jovem e que essa história despertou reflexões sobre afeto, sobrevivência, desigualdade e repetição de estruturas históricas que ainda organizam a vida social brasileira.
Segundo a cineasta, o título Criadas foi escolhido justamente por sua ambiguidade. A palavra faz referência tanto às trabalhadoras domésticas quanto às protagonistas, que foram criadas juntas, mas nunca em condições de igualdade. Essa dupla leitura sintetiza uma das principais questões levantadas pelo filme: como relações familiares aparentemente afetuosas também podem reproduzir hierarquias construídas ao longo da história brasileira.
Ao abordar esses temas, Carol Rodrigues incorpora elementos do drama psicológico, do realismo fantástico e do cinema de horror. Para a diretora, a presença de memórias, fantasmas e assombrações funciona como uma metáfora para demonstrar que a escravidão continua produzindo efeitos sobre o presente.
"O Brasil é assombrado pela escravidão", afirma a cineasta em entrevista reproduzida no material de divulgação da sessão, ao explicar que o passado permanece vivo nas casas, nas famílias e nas relações sociais.
Além da exibição do filme, o debate previsto para depois da sessão amplia a proposta da atividade ao transformar o cinema em espaço de reflexão coletiva sobre temas que continuam estruturando a sociedade brasileira.
OLHAR DO MAPA DA CULTURA

O cinema brasileiro contemporâneo tem produzido obras que enfrentam, com crescente profundidade, temas como racismo estrutural, memória e desigualdade social.
Criadas integra esse movimento ao transformar uma história familiar em uma reflexão sobre o país. A sessão seguida de debate reforça o papel da cultura como espaço de produção de conhecimento, diálogo e construção de novas formas de compreender a realidade brasileira.
POR ONDE COMEÇAR
Mesmo para quem não costuma acompanhar o cinema brasileiro contemporâneo, Criadas é uma excelente porta de entrada. A combinação entre drama psicológico, realismo fantástico e reflexão histórica produz uma narrativa acessível e, ao mesmo tempo, profundamente provocadora sobre questões que permanecem centrais no Brasil de hoje.
SERVIÇO
Filme: Criadas (2025)
Direção: Carol Rodrigues
Data: Terça-feira, 28 de julho
Horário: 19h
Ingressos: Gratuitos, com distribuição a partir das 18h
Local: Sala Eduardo Hirtz – Cinemateca Paulo Amorim, Casa de Cultura Mario Quintana – Porto Alegre
Após a sessão: Debate com integrantes do Cineclube Academia das Musas.
FONTES PARA CHECAGEM
Programação da Cinemateca Paulo Amorim / Casa de Cultura Mario Quintana.
Material de divulgação da sessão de Criadas e entrevista com a diretora Carol Rodrigues.
Informações reunidas na pauta encaminhada à Redação Esquina Democrática.






