"UMA NAÇÃO ESTÁ SOFRENDO", DIZ A PRESIDENTE DO MÉXICO, CLAUDIA SHEINBAUM, SOBRE O EMBARGO A CUBA
- Alexandre Costa

- há 3 dias
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Atualizado: há 2 dias

POR REDAÇÃO | ESQUINADEMOCRATICA.COM.BR
O embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba, em vigor há mais de seis décadas, continua sendo uma das políticas de sanções mais longas da história contemporânea. Criado em 1962, em plena Guerra Fria, o bloqueio permanece ativo e é apontado por governos, organismos internacionais e pesquisadores como um fator central nas dificuldades econômicas enfrentadas pela ilha caribenha.
A política voltou ao centro do debate internacional em março de 2026 após declarações da presidente do México, Claudia Sheinbaum, que reafirmou a solidariedade de seu país ao povo cubano. Segundo ela, “uma nação irmã está sofrendo”, ao comentar os efeitos das sanções econômicas impostas pelos EUA.
Sheinbaum reiterou uma posição defendida anteriormente pelo ex-presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador, que denunciou o impacto humanitário do embargo e convocou ações de solidariedade internacional. O governo mexicano confirmou o envio de carregamentos de petróleo e ajuda humanitária à ilha, mesmo diante de dificuldades logísticas e pressões diplomáticas.
UM BLOQUEIO QUE COMEÇOU NA GUERRA FRIA
O embargo foi oficializado em fevereiro de 1962 pelo então presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, após a Revolução Cubana liderada por Fidel Castro e a nacionalização de empresas norte-americanas na ilha.
A política de sanções foi ampliada ao longo das décadas por diferentes legislações e decisões presidenciais. Um dos marcos foi a aprovação da Helms-Burton Act, que endureceu as restrições e ampliou seus efeitos extraterritoriais, atingindo inclusive empresas e países terceiros que mantêm relações comerciais com Cuba.
Na prática, o embargo limita severamente:
o comércio entre empresas norte-americanas e Cuba
transações financeiras internacionais envolvendo a ilha
acesso a crédito e investimentos estrangeiros
transporte marítimo e exportações para o país
IMPACTOS NA VIDA COTIDIANA
Autoridades cubanas, diplomatas e organismos internacionais apontam que o embargo tem consequências diretas na vida da população, agravando crises econômicas e sociais.
Entre os principais impactos relatados estão:
Escassez de alimentos e combustíveis
As restrições comerciais dificultam o acesso a alimentos, tecnologias agrícolas e combustíveis. Isso provoca racionamentos e limita a capacidade de produção interna, afetando o abastecimento e o funcionamento de serviços essenciais.
Saúde e acesso a medicamentos
Relatórios indicam que o bloqueio também dificulta a importação de medicamentos, seringas, equipamentos médicos e tecnologias hospitalares. Durante a pandemia de Covid-19, autoridades cubanas afirmaram que essas restrições impactaram diretamente a resposta sanitária da ilha.
Crise energética e infraestrutura
As sanções dificultam a importação de peças e tecnologia para o sistema elétrico cubano. Como consequência, apagões frequentes têm afetado o transporte, a indústria e serviços urbanos, inclusive a coleta de lixo.
Impacto financeiro
As restrições às transações bancárias e financeiras dificultam operações comerciais com outros países. Segundo estimativas do governo cubano apresentadas em fóruns internacionais, as perdas acumuladas ao longo das décadas chegam a centenas de bilhões de dólares.
Pressão migratória
Diplomatas e representantes de organismos internacionais já descreveram a situação econômica da ilha como uma crise humanitária, com impacto direto na migração de cubanos para outros países da região e para os Estados Unidos.
OUTRAS INTERPRETAÇÕES SOBRE A CRISE
Embora muitos governos e relatórios internacionais atribuam ao embargo um papel central nas dificuldades econômicas da ilha, analistas e economistas também apontam fatores internos.
Entre eles estão:
o modelo econômico de planificação centralizada
limitações estruturais da economia cubana
baixa produtividade agrícola e industrial
dificuldades de modernização tecnológica
Segundo essas análises, a combinação entre o bloqueio externo e problemas estruturais internos contribui para a persistência da crise econômica.
ENDURECIMENTO RECENTE DAS SANÇÕES
Nos últimos anos, as sanções voltaram a se intensificar. Entre as medidas que ampliaram a pressão econômica está a inclusão de Cuba na lista de países considerados “patrocinadores do terrorismo” pelos Estados Unidos — classificação que aumenta significativamente as restrições financeiras e comerciais.
O cenário atual é descrito por analistas e diplomatas como um dos mais difíceis enfrentados pela ilha desde o início do embargo, no início da década de 1960.
ONU PEDE FIM DO EMBARGO PELA 33ª VEZ
A United Nations General Assembly voltou a condenar o embargo econômico dos Estados Unidos contra Cuba em votação realizada em 29 de outubro de 2025.
Foi a 33ª vez desde 1992 que a maioria dos países membros da ONU se manifesta oficialmente pelo fim do bloqueio.
A resolução intitulada “Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba” foi aprovada por ampla maioria.
Resultado da votação
165 votos a favor do fim do embargo
7 votos contra
12 abstenções
O documento reafirma princípios do direito internacional, como:
igualdade soberana entre os Estados
não intervenção em assuntos internos
liberdade de comércio e navegação internacional
A resolução também expressa preocupação com os efeitos extraterritoriais da Lei Helms-Burton e solicita ao secretário-geral da ONU a apresentação de um novo relatório sobre o impacto do bloqueio.
QUEM VOTOU CONTRA E QUEM SE ABSTEVE
Apesar do apoio majoritário da comunidade internacional ao fim do embargo, um pequeno grupo de países votou contra ou decidiu se abster na votação da ONU.
Países que votaram contra o fim do embargo
Estados Unidos
Israel
Hungria
Argentina
Macedônia do Norte
Paraguai
Ucrânia
Países que se abstiveram
Albânia
Bósnia e Herzegovina
Costa Rica
Chéquia
Equador
Estônia
Letônia
Lituânia
Marrocos
Moldávia
Romênia
Polônia
Mesmo com essas posições minoritárias, a votação demonstrou novamente o amplo isolamento diplomático dos Estados Unidos em relação ao embargo contra Cuba.
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