AS MARGARIDAS CULTIVAM REVOLUÇÕES, POR SILVANA CONTI*
- Alexandre Costa

- há 10 horas
- 2 min de leitura

Margarida Alves aprendeu cedo que a terra conhece o nome de quem a cultiva. Entre os canaviais da Paraíba, fez do trabalho uma escola de dignidade, da organização uma colheita de direitos e da coragem um modo de fazer florescer a esperança. Quando ergueu sua voz ao lado das trabalhadoras e dos trabalhadores rurais, semeou muito mais do que conquistas. Fez nascer um tempo em que as mulheres passariam a escrever, com as próprias mãos, novos capítulos da história do Brasil.
Desde então, Margarida tornou-se muitas. Floresceu nos roçados, nas florestas, nas águas, nos quilombos, nas aldeias, nos territórios, nas periferias e nas cidades. Vive nas mulheres negras, indígenas, quilombolas, ciganas, camponesas, agricultoras familiares, pescadoras, extrativistas, quebradeiras de coco, ribeirinhas, mulheres de povos e comunidades tradicionais e de terreiro, trabalhadoras rurais e urbanas, mulheres das periferias, mulheres em situação de rua e privadas de liberdade, mulheres com deficiência, mães solos, mães atípicas, mulheres LBT, jovens e idosas. Cada Margarida carrega a memória das que abriram caminhos e a certeza de que a história floresce quando as mulheres se organizam.
Quando as Margaridas marcham, marcha também um projeto de Brasil. Marcham para que a vida das mulheres floresça livre da violência e porque as mãos que cultivam a terra também cultivam democracia. Levam sementes diversas, agroecologia, soberania alimentar e justiça climática como quem semeia o amanhã. Marcham pelo reconhecimento e pela autonomia econômica das mulheres, para que o cuidado seja direito e responsabilidade compartilhada.
Marcham por saúde, sexualidade e educação não sexistas e antirracistas, por uma educação em direitos humanos que forme para a igualdade, o respeito e a liberdade. Marcham pela Reforma Agrária Integral Feminista, pelo direito à terra, ao território e ao maretório. Marcham para que a comunicação e a cultura popular façam circular outras vozes, histórias e modos de existir. Marcham porque sabem que quem cultiva a vida também cultiva revoluções.
Em 2026, o desafio das Margaridas será fazer da esperança uma escolha coletiva. Defender a democracia e a soberania nacional, reeleger o Presidente Lula e fortalecer um Projeto Nacional de Desenvolvimento democrático, soberano e popular significará seguir organizando as mulheres, fortalecendo a participação popular, enfrentando as desigualdades e cultivando um Brasil onde a vida, o trabalho, a igualdade, a justiça social e o Bem Viver floresçam para todas e todos.
Em 2027, a 8ª Marcha das Margaridas voltará a fazer Brasília florescer. Milhares de mulheres reunirão vozes, sonhos e lutas para reafirmar que nenhum direito floresce sem organização popular; que a democracia se fortalece quando as mulheres participam das decisões sobre os rumos do país; e que a soberania nacional também se constrói pelas mãos de quem cultiva a terra, protege as águas, alimenta o povo, cuida da vida e faz nascer o futuro.
Cada chapéu de palha será uma bandeira erguida. Cada passo, uma semente lançada sobre a história.
“Olha Brasília está florida… Estão chegando as decididas… Olha Brasília está florida… é o querer, é o querer das Margaridas…” As Margaridas cultivam revoluções. *Silvana Conti é Vice-Presidenta Nacional da União Brasileira de Mulheres (UBM). 📲 CURTA, COMPARTILHE E CONTRIBUA
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