MOSTRA FOTOGRÁFICA E CINE-DEBATE MARCAM OS 60 ANOS DA MORTE DO SARGENTO MANOEL RAYMUNDO SOARES
Atualizado: 10 de ago.
Mostra fotográfica na Câmara Municipal e documentário na ARI relembram o assassinato do sargento Manoel Raymundo Soares, após ter sido torturado no DOPS pela ditadura militar em 1966.

Porto Alegre reúne, nesta semana, duas iniciativas em memória dos 60 anos do assassinato do sargento Manoel Raymundo Soares, torturado até a morte por agentes da ditadura militar. Na quarta-feira, 12 de agosto, às 13h, será aberta na Câmara Municipal de Porto Alegre (CMPA) uma exposição fotográfica sobre o caso; na quinta-feira, 13 de agosto, às 19h, a Associação Riograndense de Imprensa (ARI) promove cine-debate com a exibição do documentário "Manoel e Betinha".
Natural de Belém (PA), Manoel era sargento do Exército Nacional e atuava como líder do Movimento dos Sargentos, defendendo as reformas de base e mantendo ligações com o ex-governador gaúcho Leonel Brizola [1, 2, 3]. Expurgado da instituição, foi detido clandestinamente em março de 1966 por militares à paisana, em frente ao Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre. Passou pela Companhia de Polícia do Exército, pelas celas do DOPS-RS e foi mantido em uma ilha-presídio no Rio Guaíba [1, 2].
Em 13 de agosto de 1966, ele foi levado de volta ao DOPS, onde sofreu sessões fatais de tortura. Seu corpo foi encontrado em 24 de agosto daquele ano, boiando no Rio Jacuí com as mãos amarradas às costas — o episódio que ficou conhecido como "O Caso das Mãos Amarradas" e que gerou imensa comoção pública em uma época em que a imprensa ainda não sofria censura prévia institucionalizada [1, 2, 3].
EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA
A exposição fotográfica, cujo ato de abertura ocorre na quarta-feira (12), às 13h, na CMPA, é promovida pelo mandato do vereador Giovani Culau e Coletivo, com apoio da Comissão Nacional Memória e Justiça do PCdoB. A mostra revisita o trágico episódio e parte da convicção de que "o conhecimento do passado é fundamental para que esses crimes não voltem a acontecer" — sintetizada no bordão "Ditadura Nunca Mais!".
CINE-DEBATE
Na quinta-feira (13), às 19h, a ARI promove o cine-debate em sua sede, na Avenida Borges de Medeiros, 915, 8º andar, no Centro Histórico. O evento terá como centro a exibição do curta-metragem documental "Manoel e Betinha", de 15 minutos, dirigido por Marta Haas e roteirizado em parceria com Pedro Isaias Lucas. A obra reconstrói a tragédia sob a perspectiva afetiva, baseando-se nas cartas de amor e angústia trocadas entre o sargento e sua esposa, Elizabeth Chalupp Soares (Betinha), durante os períodos de clandestinidade e prisão [1, 2].
O debate contará com a participação do jornalista e historiador gaúcho Rafael Guimaraens, autor do livro-reportagem "O Sargento, o Marechal e o Faquir", que esmiúça o assassinato do sargento e cruza o crime com a presença do Marechal Castelo Branco em Porto Alegre e a história de um faquir que realizava uma prova de resistência na cidade na mesma semana [1, 2]. Também participa o desembargador João Batista Tovo, cuja presença traz peso técnico e histórico ao debate, visto que o Poder Judiciário foi palco de longas batalhas ligadas ao caso: as cartas guardadas por Betinha serviram posteriormente como provas cruciais em processos judiciais movidos contra a União, resultando em decisões históricas de indenização e concessão de pensão integral à viúva, devido à responsabilidade do Estado na morte sob custódia [1, 2]. A mediação será da jornalista e presidente da ARI, Cláudia Coutinho.
As duas iniciativas integram ações de entidades ligadas à memória e aos direitos humanos, em um esforço de revisitar os chamados "casos frios" da ditadura e reafirmar que crimes como esses nunca mais voltem a acontecer.
SERVIÇO
Exposição fotográfica — 60 anos do assassinato do sargento Manoel Raymundo Soares
Quando: quarta-feira, 12 de agosto, às 13h (ato de abertura)
Onde: Câmara Municipal de Porto Alegre (CMPA)
Promoção: mandato do vereador Giovani Culau e Coletivo, com apoio da Comissão Nacional Memória e Justiça do PCdoB
Cine-debate — "Manoel e Betinha"
Quando: quinta-feira, 13 de agosto, às 19h
Onde: Associação Riograndense de Imprensa (ARI) — Avenida Borges de Medeiros, 915, 8º andar, Centro Histórico, Porto Alegre
Mediação: Cláudia Coutinho, jornalista e presidente da ARI
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