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A LIVRARIA DO AMOR CELEBRA OS LIVROS COMO LUGARES DE MEMÓRIA, ENCONTRO E RESISTÊNCIA

Fotos: Daniel Jainechine


Novo espetáculo de Gilberto Schwartsmann, dirigido por Zé Adão Barbosa e protagonizado por Arlete Cunha, transforma uma antiga livraria em cenário para refletir sobre literatura, afetos e as mudanças na vida cultural contemporânea


Uma livraria nunca é apenas um lugar onde se vendem livros. Entre estantes, páginas e leitores, preservam-se memórias, circulam ideias e constroem-se encontros que atravessam gerações. Em tempos marcados pelo fechamento de livrarias, pela aceleração do consumo de informações e pelas transformações dos hábitos de leitura, esses espaços assumem um significado que vai muito além do comércio: tornam-se símbolos da vida cultural de uma cidade.


É desse universo que nasce A Livraria do Amor, novo espetáculo do dramaturgo gaúcho Gilberto Schwartsmann, que estreia em Porto Alegre nos dias 2, 3 e 4 de agosto, no Teatro do Centro Histórico-Cultural Santa Casa.


Dirigida por Zé Adão Barbosa e protagonizada por Arlete Cunha e pelo próprio diretor, a montagem utiliza o humor e o romance para celebrar a literatura, ao mesmo tempo em que convida o público a refletir sobre o valor dos livros, da convivência e dos espaços dedicados à cultura.


Mais do que contar uma história de amor, a peça propõe uma defesa sensível da leitura como experiência capaz de aproximar pessoas, preservar memórias e ampliar o olhar sobre o mundo.


POR QUE ESTA OBRA IMPORTA

As livrarias sempre exerceram um papel que ultrapassa a venda de livros. São lugares de descoberta, formação, debate e encontro. Em muitas cidades, tornaram-se espaços de convivência onde leitores, escritores, artistas e estudantes compartilham experiências e constroem vínculos culturais.


Nas últimas décadas, entretanto, muitas dessas livrarias desapareceram diante das mudanças tecnológicas, da concentração do mercado editorial e da transformação dos hábitos de consumo.


A Livraria do Amor dialoga diretamente com esse cenário.


Ao transformar uma livraria em protagonista da narrativa, o espetáculo presta homenagem a esses espaços e lembra que a literatura continua sendo uma das formas mais profundas de compreender a condição humana.


Mais do que uma comédia romântica, a montagem convida o público a refletir sobre o que uma sociedade perde quando livros deixam de ocupar lugar central na vida cotidiana.


UMA HISTÓRIA SOBRE LIVROS, AFETOS E ESCOLHAS

No centro da narrativa está Eurípedes, proprietário de uma tradicional livraria que enfrenta dificuldades financeiras em um mercado cada vez menos interessado na compra de livros.

Apaixonado por Perséfone desde os tempos da universidade, ele jamais encontrou coragem para revelar seus sentimentos.


Tudo muda quando recebe uma carta informando que a amiga pretende casar-se com um lorde inglês.


Ao mesmo tempo, um empresário estrangeiro tenta adquirir o terreno da livraria para construir um shopping center.


A visita inesperada de Perséfone altera completamente o rumo da história, conduzindo o público por uma narrativa que mistura humor, romantismo e referências literárias.

A livraria deixa de ser apenas cenário e transforma-se em metáfora da memória, da permanência e da resistência diante das mudanças do tempo.


UMA DECLARAÇÃO DE AMOR À LITERATURA

Para o diretor Zé Adão Barbosa, o espetáculo nasce também da relação pessoal de Gilberto Schwartsmann com os livros. Colecionador de obras raras e responsável por exposições dedicadas à literatura, o autor construiu um texto permeado por referências literárias que dialogam com leitores de diferentes gerações.

"Gilberto Schwartsmann é colecionador de livros raros. Já realizou exposições sobre Marcel Proust e outras preciosidades do seu acervo. A peça é uma verdadeira declaração de amor aos livros. Por trás da comédia existe quase uma aula de literatura", afirma Zé Adão Barbosa.

Sem assumir um tom didático, a montagem faz da literatura parte da própria dramaturgia, transformando livros em personagens invisíveis que conduzem a narrativa.


UM ENCONTRO CONSOLIDADO NO TEATRO GAÚCHO

A Livraria do Amor marca o quarto trabalho consecutivo realizado por Arlete Cunha e Zé Adão Barbosa, dois dos nomes mais importantes do teatro gaúcho.


A parceria já deu origem a espetáculos como Pequeno Trabalho para Velhos Palhaços, de Matei Vișniec, além de Gabinete de Curiosidades e Heptameron, ambas escritas por Gilberto Schwartsmann.


Segundo Zé Adão, a continuidade dos trabalhos fortaleceu uma sintonia artística construída ao longo dos últimos anos.

"Este é o quarto trabalho que fazemos juntos, um após o outro. Temos uma química rara."

Essa afinidade aparece em cena por meio de uma interpretação que privilegia o diálogo, a delicadeza e o ritmo característicos da comédia.


A CULTURA NA CIDADE

O espetáculo reafirma a vitalidade da produção teatral de Porto Alegre e evidencia a importância de manter vivos os espaços dedicados à literatura, às artes cênicas e ao encontro entre artistas e público.


Em um período em que as formas de leitura se diversificam e parte das livrarias tradicionais desaparece, A Livraria do Amor lembra que a cultura continua sendo construída também nos pequenos gestos: conversar sobre livros, compartilhar histórias, descobrir novos autores e preservar lugares que alimentam a vida intelectual das cidades.


Ao colocar uma livraria no centro da narrativa, Gilberto Schwartsmann propõe uma reflexão que ultrapassa os limites da ficção. A peça convida o público a pensar sobre o futuro da leitura, da produção cultural e dos espaços onde o conhecimento circula livremente.

É justamente nesse diálogo entre arte, memória e cidade que a montagem encontra sua maior força.


SERVIÇO


A LIVRARIA DO AMOR

Quando: 2, 3 e 4 de agosto, às 19h

Onde: Teatro do Centro Histórico-Cultural Santa Casa Av. Independência, 105 – Porto Alegre

Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada)

Classificação: Livre

Duração: 60 minutos

Venda de ingressos:


FICHA TÉCNICA

Texto: Gilberto Schwartsmann

Direção: Zé Adão Barbosa

Elenco: Arlete Cunha e Zé Adão Barbosa

Cenário: Daniel Jainechine

Iluminação: Vicente Vargas

Sonoplastia: Manu Goulart

Produção: Casa de Teatro de Porto Alegre


FONTES PARA CHECAGEM

[1] Sympla — "A Livraria do Amor" (venda oficial de ingressos)


[2] Teatro do Centro Histórico-Cultural Santa Casa


[3] Casa de Teatro de Porto Alegre

Divulgação oficial da montagem no site e nas redes sociais da companhia.


[4] Release da assessoria de imprensa da produção, encaminhado à redação do Esquina Democrática.


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