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A CARTADA DE KASSAB PARA ACABAR COM POLARIZAÇÃO ENTRE LULA E FLÁVIO, POR CARLOS WAGNER*

Qual é a jogada na disputa pela Presidência da República que está sendo armada pelo experiente e respeitado Gilberto Kassab, 65 anos? Presidente do Partido Social Democrático (PSD), fundado 2011 com a proposta de ser “de centro”, Kassab inovou ao lançar três pré-candidatos à cadeira presidencial do Palácio do Planalto. São eles os governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, 40 anos, do Paraná, Ratinho Júnior, 44 anos, e de Goiás, Ronaldo Caiado, 76 anos. Há um pacto entre os candidatos de apoiarem aquele que tiver melhor desempenho nas pesquisas eleitorais. Atualmente, os mais cotados para serem eleitos são o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80 anos, que concorrerá à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 70 anos. Ele substitui o pai, que cumpre uma pena de 27 anos por ter chefiado uma organização criminosa que tentou dar um golpe de estado. Está preso na “Papudinha”, uma unidade prisional que fica no 19º Batalhão da Polícia Militar, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília (DF).

O ex-presidente está preso. Mas o seu prestígio político está intacto, segundo os seus seguidores. Eles acreditam que, a exemplo do que aconteceu nas eleições de 2022, Bolsonaro vai eleger dezenas de parlamentares (deputados e senadores), governadores e seu filho presidente da República. Atualmente, segunda semana de fevereiro, as pesquisas eleitorais apontam que Lula derrota Flávio no primeiro e no segundo turno. Kassab acredita e tem pregado que os eleitores estão saturados pela polarização entre Lula e Flávio e que procuram um candidato de centro. Acredita que a disputa entre os três governadores para ser este candidato deverá mobilizar os eleitores. Nas eleições presidenciais de 2018, com outro arranjo político, Kassab tentou quebrar a polarização e falhou. Mesmo contando com o apoio de setores importantes da imprensa, que pregava a necessidade de haver um candidato da “terceira via”. Agora, com o arranjo dos três candidatos, ele acredita que terá sucesso porque a disputa entre eles irá motivar os eleitores. Não o único a ter este pensamento. Importantes comentaristas políticos também apostam nesta hipótese. No atual momento, não tem como fazer uma previsão sobre os resultados que poderão ser alcançados pela estratégia de Kassab. A única afirmação que podemos fazer é que, com sua composição com três governadores candidatos, ele ocupou um lugar na disputa presidencial. Até então, Leite, Ratinho Jr. e Caiado tentavam se tornar eleitoralmente competitivos trabalhando de maneira isolada. Agora, trabalham em grupo com um objetivo a curto e outro a longo prazo. Mérito para Kassab.

Ao inventar o arranjo político com os três governadores, Kassab ocupa espaços nobres na imprensa diariamente, falando sobre o destino das eleições de 2026. Não é exagero afirmar que o presidente do PSD é hoje um dos mais articulados políticos brasileiros. Ex-prefeito de São Paulo (2006 – 2012), ele é o atual secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo, governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), 50 anos, que é afilhado político de Bolsonaro e foi seu ministro. Tarcísio, por vários meses, esteve no topo da lista dos que pleiteavam a indicação do ex-presidente para concorrer à Presidência da República. Lembro que, naquele momento, Kassab teve dois comportamentos distintos. O primeiro foi defender publicamente que Tarcísio deveria se concentrar e concorrer à reeleição ao governo de São Paulo. O segundo foi quando ganhou corpo a possibilidade do governador ser o escolhido por Bolsonaro. Kassab então aliou-se aos defensores da candidatura de Tarcísio. Mas assim que Bolsonaro decidiu que seu substituído seria o filho Flávio, Kassab começou a articular o arranjo dos governadores. Aqui é o seguinte. Um dos pontos fortes de Kassab é a sua capacidade de antever as mudanças de rumo na política e se preparar para sobreviver no novo ambiente. Ele não briga com a realidade, se adapta e sobrevive. As eleições serão em outubro, o primeiro turno no dia 4 e o segundo, dia 25. E até lá muita água vai passar debaixo da ponte. Uma pista do que está vindo por aí pode ser encontrada nas entrelinhas dos textos dos analistas políticos. Eles lembram que existe a possibilidade de se repetir o que aconteceu nas eleições municipais de 2024 em São Paulo. Havia 10 candidatos à prefeitura, mas a disputa estava polarizada entre o prefeito Ricardo Nunes (MDB), 58 anos, e Guilherme Boulos (PSOL), 43 anos. De uma hora para outra a candidatura de Pablo Marçal (PRTB), 38 anos, empresário e influenciador digital, começou a ganhar vigor e agitou a campanha. Eu acompanhei passo a passo a disputa em São Paulo. O discurso do influenciador era forte e carregado de ofensas. Em um debate na TV Cultura, em 15 de setembro, o candidato, jornalista e apresentador de TV José Luiz Datena, 68 anos, respondeu a uma acusação de Marçal atingindo-o com uma cadeira. A confusão da cadeirada tornou-se a marca da campanha municipal paulistana. No final, foram para o segundo turno Ricardo Nunes, que se reelegeu, e Boulos. Marçal, no entanto, fez uma votação significativa. Atualmente, ele enfrenta problemas com a Justiça. Há a crença entre os jornalistas de que até a metade do ano teremos consolidado um panorama de como será a corrida pela Presidência da República. Seja lá qual for este panorama, o certo é que as eleições acontecerão dentro de um ambiente de segurança. A democracia brasileira é jovem. Mas bem articulada e forte o suficiente para resistir aos ataques. Por último, independentemente de quem for eleito presidente, Kassab e seus aliados terão posições importantes no governo. CONFIRA O BLOG DO CARLOS WAGNER - HISTÓRIAS MAL CONTADAS https://x.gd/RrNni

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