PENÉLOPE CRUZ, POR PAULO GAIGER*
- Alexandre Costa

- há 5 horas
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Nosso país é pródigo em homenagear canalhas e gentinha rica, ruim e poderosa. Normalmente estes e aqueles se fundem, são os mesmos, rebentos do privilégio e do embuste. Quase sempre ou sempre homens machos, altaneiros, narcisistas e bélicos, com discurso pronto em nome da espada, da pátria e da família. Pintados pelos seus bajuladores e lambe-cus como heróis, são eternizados em nomes de ruas, praças e monumentos, ah, sim, de filhos e netos, que cimentam a vilania histórica, familiar e institucional. Uma inclinação que vem de tempos, talvez com a influência do positivismo que nestas terras aterrissou como em nenhum outro lugar. Os heróis farroupilhas escodem detrás das homenagens o quão menos foram. Melhor teria sido sem eles, pelo menos para mulheres, escravos e para quem não tinha extensões de terra. Os terratenientes nunca pensaram em abolição, equidade, liberdade e justiça social. O hino sul riograndense alimenta um erro histórico. Mitos que engolem realidades. Getúlio Vargas, embora a criação da CLT durante o Estado Novo, a ditadura Vargas, fez uso da censura, da persecução de desafetos, do engrandecimento da igreja mega conservadora, do apagamento das mulheres, entre tantos malefícios que irão se incrustar na formação política do Brasil. Se o trem da história pudesse ir para trás, Deodoro e Floriano Peixoto (genocida da ilha do Desterro) revelariam suas verdadeiras faces e almas. Podres que eram, obviamente. O monarquista Duque de Caxias, também conhecido como general Lima e Silva, foi um genocida que coordenou a matança do povo indignado pela pobreza e pelas injustiças na Balaiada, na Praieira e na guerra da independência da Bahia. Na cidade de Pelotas, ruas receberam o nome de charqueadores e escravocratas e, como em quase todo o Rio Grande do Sul, Bento Gonçalves, Getúlio, Deodoro, Floriano e Duque de Caxias estão lá, mentindo a sua história. Até ditadores viraram placas de ruas e nome de praças. Assim, ações fundamentais para que tenhamos um país melhor, justo e bom para todas e todos vão sendo sistematicamente condenadas ao temor e ao lixo. Hoje, Bolsonaro e seus filhos representam a manutenção do atraso, da destruição e da mentira, usando de armadilhas que os heróis das placas usaram: ufanismo, família, racismo, misoginia, família e religião. Tudo para manter privilégios das elites. Por mais que doa, quem apoia o bolsonarismo, parece querer conviver graciosamente com a bandidagem, a violação de mulheres, a corrupção e o extermínio de indígenas, por exemplo. Neymar é um carinha do futebol e das bets que, como disse Juca Kfouri, tem apenas súditos. Uma massa acrítica e narcotizada. O jogador, que nunca deveria ter sido convocado, é um babaca faz muito tempo, ativista do machismo e da cretinice. É só olhar e ver. É possível que vire nome de rua ou de praça. Bem diferente mesmo, do lado de lá, no jogo entre Espanha e Áustria, na arquibancada foram vistos Javier Bardem e Penélope Cruz. Um e outra são comprometidos na denúncia das injustiças no mundo todo, inclusive em relação ao genocídio de Gaza. Ator e atriz de encher os olhos, o coração e a mente. Minha esperança renasceu quando tive a impressão de que a Penélope piscava o olho para mim. Ainda existe alguma centelha felicidade. *Paulo Gaiger é artista, cronista

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