MÁTRIA AMADA BRASIL, POR SILVANA CONTI*
- Alexandre Costa

- há 5 horas
- 3 min de leitura
Mulheres pela democracia, pela soberania, pela jornada 5x2 sem redução de salário — Trabalhar menos, sem ganhar menos, é uma conquista civilizatória!

O Brasil tem mãos, rostos, vozes e histórias de mulheres. Mulheres que cultivaram a terra, enfrentaram a escravização e a colonização, construíram quilombos, defenderam territórios, sustentaram comunidades, educaram gerações, produziram alimentos, conhecimento, cultura e cuidado. Mulheres que fizeram da resistência uma forma de permanecer e da esperança uma força para transformar. Antes mesmo de o Brasil se reconhecer como nação, mulheres indígenas e negras já guardavam saberes, defendiam a vida e criavam possibilidades de futuro.
Somos uma Mátria Amada Brasil porque este país foi construído pelas mulheres e homens. Pelas indígenas, primeiras mulheres desta terra, que seguem defendendo seus povos, seus territórios, suas culturas, suas águas e florestas. Pelas mulheres negras, cuja presença atravessa profundamente a formação econômica, social, política e cultural brasileira. Pelas trabalhadoras do campo e da cidade, quilombolas, ribeirinhas, camponesas, periféricas, mulheres LBTs, mulheres com deficiência, jovens e idosas. Somos diversas em nossas histórias e experiências e compartilhamos a luta para que democracia também signifique viver com liberdade, igualdade, direitos e dignidade.
Neste momento decisivo da vida nacional, uma reivindicação traduz de maneira concreta o Brasil que queremos construir: o fim da escala 6x1, e a jornada 5x2, sem redução de salário.
A Câmara dos Deputados tem diante de si uma decisão que alcança diretamente a vida de milhões de trabalhadoras brasileiras. Reduzir a jornada é devolver às mulheres algo que a exploração cotidiana lhes retira: tempo. Tempo para viver, descansar, cuidar de si, conviver com suas famílias, estudar, participar da vida comunitária, produzir cultura, fazer política e sonhar.
O debate sobre a jornada também é um debate sobre democracia, distribuição da riqueza e do tempo, autonomia e dignidade. Um país que se desenvolve precisa fazer os avanços econômicos, tecnológicos e sociais chegarem à vida de quem trabalha. Trabalhar menos, sem ganhar menos, é uma conquista civilizatória. E pode representar, para milhões de mulheres, mais autonomia, saúde, participação política, convivência, cuidado compartilhado e direito ao futuro.
Queremos mais do que resistir. Queremos avançar.
Nesta encruzilhada histórica, dois projetos disputam o presente e o futuro: de um lado, o capitalismo neoliberal, a financeirização da vida e a mercantilização dos direitos; de outro, a soberania nacional, a democracia, a integração entre os povos e um projeto popular comprometido com trabalho, dignidade e justiça social.
No Brasil, os governos Lula abriram um período de ampliação da participação popular, fortalecimento das políticas sociais e reconhecimento de direitos historicamente reivindicados pelos movimentos sociais, entre eles o movimento LGBTQIA+, mulheres, juventudes, população negra, pessoas com deficiência e a classe trabalhadora organizada.
Em 2026, não está em disputa apenas quem ocupará governos e parlamentos. Estão em disputa projetos de país. Está em disputa a possibilidade de aprofundar a democracia, defender a soberania nacional, valorizar o trabalho, distribuir riqueza, combater as desigualdades, fortalecer os serviços públicos, proteger o meio ambiente, enfrentar o racismo e todas as formas de discriminação e ampliar direitos.
O direito de existir, trabalhar, amar e ser feliz ganhou densidade política através das lutas coletivas e da presença popular nos espaços institucionais e nas ruas, reafirmando que democracia e direitos caminham junto da participação social e da soberania nacional.
A reeleição do presidente Lula abrirá um novo tempo político de reconstrução democrática e reafirmação do projeto democrático e popular no Brasil.
Queremos um Brasil em que trabalho tenha direitos, salário justo e tempo para viver. Em que nenhuma mulher precise escolher entre trabalhar, cuidar e existir. Em que o cuidado seja reconhecido como direito e responsabilidade do Estado e da sociedade. Em que mulheres negras tenham igualdade de oportunidades e condições de vida. Em que mulheres indígenas possam viver em seus territórios com segurança, direitos e autodeterminação. Em que mulheres LBTs possam existir, amar, constituir suas famílias e envelhecer com dignidade. Em que mulheres e meninas possam crescer sem violência e construir livremente seus futuros.
Queremos mulheres ocupando as ruas, os movimentos sociais, sindicatos, universidades, comunidades, governos e parlamentos. Mulheres participando das decisões sobre trabalho, orçamento público, desenvolvimento econômico, políticas sociais, meio ambiente, ciência, tecnologia e soberania nacional.
Porque quando as mulheres avançam, a democracia se fortalece. Quando as mulheres conquistam direitos, o Brasil inteiro avança. Quando conquistamos tempo para viver, conquistamos também tempo para transformar.
É justamente neste tempo que precisamos afirmar: a democracia brasileira precisa das mulheres. A soberania brasileira precisa das mulheres. O futuro do Brasil precisa das mulheres.
*Silvana Conti é Doutoranda em Educação, Vice Presidenta UBM BRASIL e
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