MAPA DA CULTURA | “EXPOSTOS” COLOCA A ADOÇÃO NO PALCO PELO OLHAR DE QUEM FOI ADOTADO
- Alexandre Costa

- há 15 horas
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POR ALEXANDRE COSTA | ESQUINA DEMOCRÁTICA
Com direção de Sandra Possani e dramaturgia de Nelson Diniz, espetáculo protagonizado por Carolina Caon e Diego Nardi parte das experiências dos próprios atores para discutir identidade, pertencimento, vínculos familiares e os estereótipos que ainda cercam a adoção.

Quem costuma contar as histórias de adoção — e quanto se escuta quem foi adotado? É a partir dessa mudança de perspectiva que Expostos estreia nesta quinta-feira (20), às 20h, no Teatro do Centro Histórico-Cultural Santa Casa, em Porto Alegre. Em vez de concentrar a narrativa em quem decide adotar, o espetáculo coloca no centro do palco as experiências dos filhos e as diferentes questões que podem acompanhar suas trajetórias.
Com direção de Sandra Possani, composição dramatúrgica de Nelson Diniz e Carolina Caon e Diego Nardi no elenco, Expostos nasce de uma particularidade que atravessa também seu processo de criação: os dois intérpretes são filhos por adoção. A partir das próprias experiências e de relatos, entrevistas, memórias e reflexões de outras pessoas adotadas, a montagem constrói uma narrativa entre o documental e o poético.
Selecionado pelo Edital de Incentivo a Novas Montagens CHC 2026, o espetáculo terá suas primeiras apresentações de quinta-feira (20) a sábado (22), no Centro Histórico-Cultural Santa Casa. Depois, segue para a Zona Cultural, onde cumpre temporada entre 29 de agosto e 6 de setembro.
QUANDO OS FILHOS ASSUMEM A NARRATIVA
A origem de Expostos também ajuda a explicar sua proposta. Durante a pandemia, Carolina e Diego participavam de um curso de astrologia quando descobriram que compartilhavam uma experiência determinante em suas histórias: ambos haviam sido adotados. Da pergunta bem-humorada — “será que somos irmãos?” — surgiu uma amizade e, posteriormente, o desejo de transformar inquietações pessoais em investigação artística.
Embora reconheçam que cada adoção produz uma trajetória singular, os atores perceberam pontos de encontro em suas experiências. O processo criativo passou então a incorporar a escuta de outras pessoas adotadas, ampliando o material que posteriormente chegaria ao palco.
A participação da diretora Sandra Possani acrescentou outra perspectiva: ela é mãe por adoção. O encontro dessas experiências permitiu reunir diferentes posições dentro das relações familiares sem abandonar a escolha fundamental da montagem: são as pessoas adotadas que ocupam o primeiro plano da narrativa.
“Cresci sabendo que era filho por adoção e isso nunca foi um problema dentro da minha família. Mas, ao longo da vida, percebi que a sociedade ainda carrega muitos estereótipos sobre a adoção: perguntas invasivas, ideias romantizadas ou até preconceitos em relação às famílias adotivas e às pessoas adotadas”, afirma Diego Nardi, que também idealizou o projeto.
O ator ressalta que Expostos não pretende estabelecer respostas prontas ou determinar o que seria certo ou errado. A proposta é abrir espaço para um ponto de vista que, segundo ele, nem sempre encontra oportunidade para ser ouvido.
A ADOÇÃO É SEMPRE UM ATO DE AMOR?
A pergunta aparece no próprio processo de construção do espetáculo e ajuda a revelar um dos caminhos escolhidos pela montagem: não romantizar a adoção nem reduzir uma experiência complexa a uma única narrativa.
O que leva alguém a escolher ser pai ou mãe? O que acontece quando as expectativas construídas em torno dessa decisão encontram a complexidade das relações humanas? Como se constroem pertencimento e identidade quando uma história familiar começa também com rupturas, ausências e novos vínculos?
São questões que atravessam Expostos sem a pretensão de produzir uma resposta única.
A dramaturgia transforma experiências pessoais e relatos coletados durante a pesquisa em material cênico para tratar de afetos, dúvidas, encontros e desencontros. Nesse percurso, a adoção deixa de aparecer somente como procedimento jurídico ou decisão dos adultos e passa a ser observada também a partir de seus efeitos na vida de quem foi adotado.
“Embora seja conduzida pelo olhar de pessoas adotadas, a peça não fala apenas para quem vive essa experiência. Dialoga com qualquer pessoa que já tenha buscado compreender seu lugar no mundo, suas relações familiares e os vínculos que escolhe construir ao longo da vida”, explica Diego.
POR QUE ISSO IMPORTA?
Porque mudar quem conta uma história também pode mudar as perguntas feitas sobre ela.
A adoção costuma aparecer no imaginário social associada ao encontro entre uma criança e uma nova família. Expostos propõe observar também aquilo que existe depois desse encontro: a construção cotidiana dos vínculos, as perguntas sobre identidade e pertencimento e as expectativas que atravessam pais e filhos.
Não se trata de negar o afeto que constitui essas relações, mas de reconhecer sua complexidade. Ao colocar pessoas adotadas no centro da narrativa, o espetáculo cria um espaço para experiências que muitas vezes aparecem filtradas pelo olhar dos adultos.
O teatro torna-se, assim, lugar de escuta e de questionamento de estereótipos. E talvez o título sintetize parte dessa proposta.
“Expostos” são aqueles que decidem colocar diante do público histórias, dúvidas e experiências que durante muito tempo foram narradas por outras vozes.
SERVIÇO
EXPOSTOS — TEMPORADA DE ESTREIA
Quando: 20, 21 e 22 de agosto, às 20h
Onde: Teatro do Centro Histórico-Cultural Santa Casa
Endereço: Avenida Independência, 75 — Porto Alegre
Ingressos: R$ 25 (meia-entrada) e R$ 50 (inteira)
Classificação: livre
Duração: 45 minutos
TEMPORADA NA ZONA CULTURAL
Quando: de 29 de agosto a 6 de setembro — sábados, às 20h, e domingos, às 18h
Onde: Zona Cultural
Endereço: Avenida Alberto Bins, 900 — Floresta — Porto Alegre
Ingressos: R$ 30 (meia-entrada) e R$ 60 (inteira)
Classificação: livre
Duração: 45 minutos
FICHA TÉCNICA
Concepção: Diego Nardi
Direção: Sandra PossaniElenco: Carolina Caon e Diego Nardi
Composição dramatúrgica: Nelson Diniz
Iluminação: Gustavo Baggio
Cenografia: Rodrigo Shalako
Cenografia, figurinos e adereços: criação coletiva do grupo
Vídeos: Miriã Possani / Midi Mídias Culturais
Sonoplastia: André Paz
Produção: Rodolfo Mello
Identidade visual e social media: RPM Entretenimento Criativo
FONTE PARA CHECAGEM
[1] ASSESSORIA DE IMPRENSA — ESPETÁCULO “EXPOSTOS”
O que comprova: concepção e proposta do espetáculo; direção de Sandra Possani; dramaturgia de Nelson Diniz; elenco de Carolina Caon e Diego Nardi; condição dos atores como filhos por adoção; participação de Sandra Possani como mãe por adoção; depoimentos de Diego Nardi; processo de pesquisa e criação; seleção pelo Edital de Incentivo a Novas Montagens CHC 2026; equipe técnica; temporadas, horários, endereços, preços, classificação indicativa e duração. Material recebido pela Redação do Esquina Democrática em 17 de agosto de 2026.
[2] SYMPLA — TEMPORADA NO CENTRO HISTÓRICO-CULTURAL SANTA CASA
O que comprova: página de venda de ingressos para as apresentações de 20 a 22 de agosto.
[3] SYMPLA — TEMPORADA NA ZONA CULTURAL
O que comprova: página de venda de ingressos para a temporada de 29 de agosto a 6 de setembro. Página oficial do evento na Sympla https://www.sympla.com.br/eventos/porto-alegre-rs?category=city
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