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LUTAR PELA VIDA DAS MULHERES É RESPONSABILIDADE DE TODA SOCIEDADE


por ALEXANDRE COSTA* Um grupo de mulheres ocupou na manhã deste sábado (14/03) um prédio público localizado na rua Cabral, no bairro Rio Branco, em Porto Alegre. O imóvel abrigava anteriormente um espaço de acolhimento para mulheres vítimas de violência. A ação foi organizada pelo Movimento de Mulheres Olga Benário e integra uma jornada nacional de mobilizações que ocorre em diversas cidades do país para denunciar o aumento dos feminicídios e cobrar políticas públicas de proteção às mulheres.


Nos dois primeiros meses de 2026, o Rio Grande do Sul já registrava mais de vinte casos de feminicídio, uma alta de 53% nos feminicídios em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando foram cometidos 80 casos desta tipificação de crime. A maioria das vítimas foi morta dentro de casa por companheiros ou ex-companheiros que não aceitavam o fim do relacionamento. A idade das vítimas variava entre 15 e 59 anos. Apenas duas das dez primeiras vítimas de janeiro de 2026 possuíam medida protetiva ativa contra o agressor.


O aumento da violência contra a vida das mulheres tem gerado reações por parte de coletivos feministas, ONGs, sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos. Além de criticarem a cultura machista, as entidades que atuam na defesa das mulheres exigem medidas imediatas e mais eficazes por parte do governo gaúcho. O governo estadual anunciou um pacote de medidas de proteção, incluindo investimentos de R$ 71 milhões para o combate ao feminicídio. Atualmente, o RS conta com 23 delegacias especializadas da mulher, mas apenas a de Porto Alegre funciona 24 horas.

Onde pedir ajuda:

  • 190: Brigada Militar (para emergências).

  • 180: Central de Atendimento à Mulher (nacional, anônimo).

  • Delegacia Online da Mulher: Plataforma digital para registro de ocorrência e solicitação de medida protetiva.


OCUPAÇÃO DENUNCIA FALTA DE ESTRUTURAS DE ACOLHIMENTO

Segundo as organizadoras, o objetivo da mobilização é chamar atenção para a necessidade de ampliar estruturas públicas de acolhimento e proteção às mulheres em situação de violência.


O prédio ocupado, localizado na rua Cabral, 621, já sediou a Casa Violeta, serviço voltado ao atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica. Para o movimento, o fechamento ou redirecionamento de espaços dessa natureza evidencia a fragilidade das políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero.


Durante a manhã, equipes da Brigada Militar e da Guarda Municipal de Porto Alegre foram deslocadas para o local e passaram a realizar o isolamento da área. O acesso ao prédio ficou restrito.


Integrantes da ocupação afirmaram nas redes sociais que advogados, apoiadores e até alimentos teriam sido impedidos de entrar no imóvel, situação criticada pelas organizadoras.


NEGOCIAÇÃO COM A PREFEITURA

Por volta do início da tarde, representantes do movimento divulgaram um vídeo informando que estavam se deslocando até a Prefeitura de Porto Alegre acompanhadas de advogadas para abrir negociações.


Em nota oficial, a Prefeitura afirmou que mantém diálogo para que a desocupação do imóvel ocorra de forma pacífica.


O município destacou a existência da Rede Conta Comigo, que reúne serviços de assistência social, saúde e políticas para mulheres. Entre os equipamentos citados estão:

  • Casa Betânia

  • Casa Viva Maria

  • Centro de Referência e Atendimento à Mulher Márcia Calixto (CRAM)


A administração municipal informou ainda que o prédio da rua Cabral está reservado para receber um novo equipamento de assistência social voltado ao acolhimento de imigrantes.

Outro ponto citado pela prefeitura diz respeito ao prédio da rua Souza Reis, anteriormente ocupado pelo movimento Mirabal. Segundo o município, havia um acordo judicial para desocupação até o dia 4 de março de 2026, o que não teria sido cumprido.


CONTEXTO DA VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES NO RS

A ocupação ocorre em um cenário de preocupação crescente com os índices de violência contra mulheres no estado. Movimentos sociais afirmam que o Rio Grande do Sul registrou aumento significativo nos casos de feminicídio no início de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.


Além da manutenção de casas de acolhimento, as organizações reivindicam políticas estruturais de enfrentamento à violência de gênero, incluindo:

  • ampliação da rede de proteção

  • mais equipamentos públicos de acolhimento

  • creches em tempo integral

  • políticas de valorização salarial

  • combate à misoginia e à violência estrutural


A mobilização faz parte de uma jornada nacional organizada por movimentos feministas em diferentes cidades brasileiras.


QUEM SÃO AS MIRABAL

O nome Mirabal é uma homenagem às irmãs dominicanas Patria, Minerva e María Teresa Mirabal, militantes que enfrentaram a ditadura de Rafael Trujillo, na República Dominicana.

Conhecidas como “Las Mariposas” (As Borboletas), elas foram assassinadas em 25 de novembro de 1960 por agentes do regime.


O crime teve grande repercussão internacional e transformou as irmãs em símbolo da resistência feminina contra a violência e o autoritarismo.


Em homenagem às três militantes, a Organização das Nações Unidas instituiu o 25 de novembro como o Dia Internacional de Combate à Violência contra as Mulheres.


Diversos coletivos feministas e casas de acolhimento em diferentes países utilizam o nome Mirabal como referência histórica de luta e resistência. MOVIMENTO OLGA BENÁRIO Em Porto Alegre, o Movimento de Mulheres Olga Benário mantém frentes de atuação voltadas ao acolhimento de mulheres e combate à violência de gênero. A situação atual (março de 2026) destaca duas frentes principais:

Ocupações e Casas de Referência

  • Casa de Referência Mulheres Mirabal: Fundada em 2016, é a ocupação mais emblemática do movimento na cidade. Em 14 de março de 2026, o movimento realizou uma nova ação denominada "Ocupação Resiste Mirabal", ocupando um imóvel público da prefeitura no Centro Histórico após ameaças de despejo da sede anterior na Zona Norte.

  • Ocupação Sarah Domingues: Localizada no Campus do Vale da UFRGS, esta ocupação foi criada para acolher estudantes e denunciar casos de assédio no ambiente universitário.

  • Casa Enedina Marques: Outra frente do movimento que transformou um imóvel abandonado (antiga delegacia da mulher) em um espaço de acolhimento.


  • Ações Recentes: Neste 14 de março de 2026 ( data que marca os 8 anos do assassinato de Marielle Franco), o movimento realizou ocupações coordenadas em todo o país, incluindo Porto Alegre, para exigir políticas públicas contra o feminicídio.

  • Objetivo: Estas ocupações funcionam como centros de referência que oferecem abrigo temporário, assessoria jurídica e apoio psicológico para mulheres em situação de vulnerabilidade.

  • Como ajudar: O movimento aceita doações de alimentos, itens de higiene e limpeza, além de contribuições via Pix. Informações atualizadas são divulgadas no Instagram oficial @movimentoolga.rs.


O QUE ESTÁ EM DISPUTA

A ocupação na rua Cabral ocorre no mesmo dia em que mobilizações semelhantes foram realizadas em outras cidades do país. Para os movimentos feministas, o episódio revela um conflito mais amplo entre a demanda social por políticas públicas de proteção às mulheres e as limitações das estruturas institucionais existentes.

A mobilização também recoloca no centro do debate a pergunta sobre a capacidade do poder público de enfrentar um problema que, ano após ano, continua produzindo vítimas em todo o país.

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