DÓLAR VOLTA A SUBIR NO BRASIL EM MEIO À ESCALADA DE CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO
- Alexandre Costa

- há 14 horas
- 3 min de leitura

Tensão entre Irã e Israel, alta do petróleo e incertezas sobre juros nos EUA elevam risco global e pressionam o real, apesar de intervenção do Banco Central
POR REDAÇÃO | ESQUINADEMOCRATICA.COM.BR
A escalada do conflito no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado financeiro global e impactou diretamente o câmbio no Brasil. Após queda expressiva no dia anterior, o dólar voltou a subir nesta terça-feira, encerrando cotado a R$ 5,2549, em um cenário marcado por aumento da aversão ao risco e fuga de capitais de países emergentes [1].
A valorização da moeda norte-americana ocorre em meio à intensificação das tensões entre Irã e Israel, com novos ataques na região e incertezas sobre possíveis negociações diplomáticas com os Estados Unidos. O cenário levou investidores a reprecificar riscos e buscar ativos considerados mais seguros, como o próprio dólar e os títulos do Tesouro norte-americano [1].
GUERRA, PETRÓLEO E INFLAÇÃO GLOBAL
Um dos principais fatores por trás da alta do dólar é o impacto direto da guerra sobre o mercado de energia. Com o Estreito de Ormuz — rota estratégica para o transporte de petróleo — sob ameaça, o barril do tipo Brent voltou a superar os US$ 100, reacendendo temores inflacionários em escala global [1][2].
Esse movimento pressiona bancos centrais ao redor do mundo, especialmente o Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos, que pode manter juros elevados por mais tempo para conter a inflação. Juros altos nos EUA tendem a atrair capital internacional, fortalecendo o dólar e enfraquecendo moedas como o real [3].
“O dólar voltou a operar em alta, refletindo a deterioração do ambiente de risco global”, avaliou o especialista em investimentos Bruno Shahini. Segundo ele, a ausência de sinais concretos de desescalada no conflito aumenta a percepção de um cenário prolongado de instabilidade [1].
BANCO CENTRAL TENTA CONTER PRESSÃO CAMBIAL
Diante da volatilidade, o Banco Central do Brasil realizou uma intervenção no mercado ao vender US$ 1 bilhão em leilão de linha — operação que injeta liquidez no sistema financeiro [1].
Apesar da medida, o dólar manteve trajetória de alta ao longo do dia, sinalizando que fatores externos têm predominado sobre as ações domésticas no curto prazo.
Além da guerra, investidores também reagiram à ata mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa Selic para 14,75% ao ano. O documento indicou incertezas sobre os próximos passos da política monetária, o que reforça a cautela do mercado [4].
JUROS, CAPITAL INTERNACIONAL E O FUTURO DO REAL
Nos últimos meses, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos vinha favorecendo a entrada de capital estrangeiro no país, contribuindo para a valorização do real. No entanto, o aumento das tensões geopolíticas altera esse cenário ao elevar o risco global e reduzir o apetite por ativos de mercados emergentes [3].
Com isso, o comportamento do dólar nas próximas semanas deve continuar fortemente condicionado à evolução do conflito no Oriente Médio, ao preço do petróleo e às decisões de política monetária tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
FONTES
[1] Reuters – “Dólar sobe no Brasil em meio à escalada de conflito no Oriente Médio” https://www.reuters.com/markets/currencies
[2] Investing.com – Cotação do petróleo Brent https://br.investing.com/commodities/brent-oil
[3] Federal Reserve – Taxas de juros e política monetária https://www.federalreserve.gov
[4] Banco Central do Brasil – Ata do Copom https://www.bcb.gov.br/publicacoes/atascopom
_edited.png)





