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CONFRONTOS NA UCRÂNIA AUMENTAM A TENSÃO ENTRE EUA E RÚSSIA E FAZEM LEMBRAR DOS TEMPOS DA GUERRA FRIA


Os confrontos se multiplicaram, nesta sexta-feira (18), no leste da Ucrânia. Autoridades de Lugansk relatam novo ataque de morteiro pelo Exército ucraniano, no final da tarde (horário do Brasil). A cidade é controlada pelas forças do governo, portanto contrários aos separatistas pró-Rússia. Pela manhã, jornalistas da AFP também disseram ter ouvido bombardeios próximo à Luganska.


O secretário de Estado americano, Antony Blinken, denunciou a implementação de "um cenário" de "provocações" desenhado pelos russos para justificar um ataque contra a Ucrânia, após dois dias de enfrentamentos. As autoridades das regiões separatistas do leste do país ordenaram a evacuação dos civis. O presidente o presidente Vladimir Putin, por sua vez, acusou a Ucrânia de atiçar o conflito e admitiu um "agravamento da situação" em Donbass, a região onde o Exército ucraniano enfrenta há oito anos as forças separatistas.


Os países ocidentais ameaçaram a Rússia com sanções econômicas em caso de um ataque à Ucrânia. "As sanções virão, aconteça o que acontecer. Com ou sem razão, eles vão encontrar uma, pois seu objetivo é interromper o desenvolvimento da Rússia", afirmou Putin.


Em novembro de 2013, uma onda de protestos tomou conta da Ucrânia e o povo exigia maior integração com a Europa. Pressionado pelas manifestações e pela opinião pública internacional, o Parlamento depôs o presidente, reconhecidamente pró-Rússia. A tensão entre Ucrânia e a Rússia aumentou muito desde 2014, quando da anexação da Crimeia, que era território ucraniano. Desde então, os conflitos na fronteira entre os dois países são uma constantes e já resultaram na morte de mais de 14 mil pessoas.


De acordo com especialistas, uma invasão russa à Ucrânia desestabiliza, inevitavelmente, a Europa e o mundo. A Rússia sabe que um embate com o Ocidente poderia ser catastrófico, inclusive para o governo Putin.

DISPUTA PELA UCRÂNIA

A Ucrânia tem sido, desde o fim da Guerra Fria, uma fronteira entre a influência das democracias liberais da Europa e a Rússia. O território que hoje é a Ucrânia chegou a ser parte do antigo Império Russo. Depois, em 1919, virou uma república da União Soviética (URSS). Com o colapso do bloco, a Ucrânia selou de vez a independência em um acordo de 1994, sendo, portanto, uma democracia ainda muito jovem.


OTAN E EUA Na outra ponta, sem a URSS, a Otan e a União Europeia passaram a agregar nos anos 1990 e 2000 muitos países que eram zona de influência soviética na chamada Europa Central. Assim, países como os Bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), República Tcheca, Hungria, Polônia, Eslovênia e Eslováquia se tornaram membros — a contragosto da Rússia.


Mas a Ucrânia ficou no meio do caminho. Movimentos de aproximação com a União Europeia e a Otan foram feitos ao longo dos últimos anos, além dos protestos populares de 2013 e também em 2004. Não há, no entanto, uma visão coesa no país sobre esse movimento. Enquanto a porção oeste (onde fica a capital Kiev) anseia obter os padrões europeus, a parte leste ainda se vê mais próxima dos russos.


EXIGÊNCIAS DA RÚSSIA

A Rússia exige, portanto, que a Otan pare sua expansão rumo aos países do leste, e acusa a aliança de estar “cercando a Rússia”. Outro ponto sensível foi a exigência de que a Otan não posicione tropas em territórios que não pertenciam à aliança em 1997 — ou seja, antes de incluir muitos dos ex-aliados soviéticos, que ficariam, assim, desprotegidos no caso de avanços russos. Além disso, a crise ucraniana virou agora teste para toda a política internacional, incluindo para a China, outra superpotência em rota de embate com os EUA. O resultado em Kiev mostrará o quanto as potências ocidentais estão dispostas a se arriscar para defender aliados como Taiwan (que se separou da China em 1959 e depende em grande parte da ajuda da Otan).


CHINA E UCRÂNIA

A China é a maior parceira comercial da Ucrânia e grande compradora de grãos e carne, de modo que interessa a Pequim uma estabilidade no país. No entanto, a proximidade entre China e Rússia é muito mais ampla.

 
 
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