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CENTENAS DE PESSOAS PROTESTAM CONTRA PROJETO QUE PREVÊ CONSTRUÇÃO DE PRÉDIO COM MAIS DE 60 METROS NA RUA MAIS BONITA DO MUNDO, EM PORTO ALEGRE

fotos e imagens: Marcelo Prado /AMPD redes sociais

A Rua Gonçalo de Carvalho, reconhecida como Patrimônio Cultural, Histórico e Ecológico de Porto Alegre, foi cenário, na manhã deste sábado (28), de uma mobilização contra o projeto imobiliário da construtora Melnick no estacionamento do Shopping Total.

Cerca de 300 pessoas participaram do ato, segundo reportagem do Sul21. Moradores da própria rua e do entorno, entidades ambientais, representantes da sociedade civil, conselheiros municipais e parlamentares se reuniram para questionar a construção do empreendimento chamado “Tipuanas”.

🎥 Assista à reportagem completa no vídeo em anexo.

O PROJETO E AS CRÍTICAS

O empreendimento prevê uma torre de 20 andares, com quatro pavimentos no subsolo, totalizando 24 pavimentos e aproximadamente 60 metros de altura. O número contrasta com o limite de 12,3 metros atualmente previsto para novos edifícios na Gonçalo de Carvalho.

Durante o ato, as críticas convergiram para o fato de que o projeto foi aprovado sem Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e sem passar pelos conselhos municipais responsáveis pela análise urbanística e patrimonial.


A construtora enquadrou o projeto na Lei Complementar Municipal nº 960/2022, que institui o Programa +4D de Regeneração Urbana do 4º Distrito. Com esse enquadramento, o terreno do Shopping Total foi incluído no 4º Distrito, dispensando a exigência de Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU) e EIA.


IMPACTO NO MICROCLIMA E NA PAISAGEM

Pesquisadores da UFRGS realizaram simulações preliminares de sombreamento. Segundo a professora Ana Carolina Pellegrini, da Faculdade de Arquitetura, foi feito levantamento do quarteirão e do entorno para demonstrar o impacto volumétrico do edifício.


O arquiteto e urbanista Rodrigo Rosinha, morador da rua, afirmou que, no solstício de inverno, às 10h da manhã, a torre projetaria sombra superior a 60 metros de comprimento.

“O sol, no solstício de inverno, às 10h da manhã, vai projetar horizontalmente uma sombra maior do que a altura da torre. Teríamos uma sombra de mais de 60 metros de comprimento. Ele iria escurecer pela manhã até os edifícios do outro quarteirão”, destacou.

CRÍTICAS À FLEXIBILIZAÇÃO DAS REGRAS

Júlio Sá, presidente da Associação Mães e Pais pela Democracia (AMPD), criticou o uso da chamada “Certificação Sustentável Diamante” para ampliar o potencial construtivo.

“Não se pode usar um selo diamante para transformar o limite coletivo em vantagem privada”, afirmou durante a mobilização.

Representando o Conselho Municipal do Desenvolvimento Urbano e Ambiental (CMDUA), o conselheiro Felisberto Luisi afirmou que o objetivo do ato é defender Porto Alegre.

“Não podemos tolerar mais uma cidade só para os negócios. Não se faz uma cidade moderna sem respeitar a sua história, sem respeitar a sua memória e sem respeitar as pessoas da cidade”, declarou.


RESISTÊNCIA E SIMBOLISMO

O escritor e comunicador Eduardo Bueno, o Peninha, participou do ato e se amarrou simbolicamente a uma das tipuanas da rua. “Eles não passarão, a não ser que seja por cima de nós!”, declarou.


O grupo Viva Gonçalo informou ter coletado 280 assinaturas contra o projeto. Moradores lembraram que a comunidade já conseguiu barrar, em outras ocasiões, a construção de um edifício-garagem e de um auditório que serviria como sede da Ospa.

A mobilização reforçou que novas medidas institucionais e judiciais poderão ser avaliadas.

Entre o adensamento incentivado por programas de regeneração urbana e a preservação do patrimônio histórico, cultural e ambiental, o debate sobre o futuro da Gonçalo de Carvalho recoloca em pauta o modelo de cidade em disputa.

FONTES

Texto das entidades participantes do ato. Sul21 – “Ato protesta contra construção de prédio de 60 metros no Shopping Total”, 28/02.

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