BALCÃO DE DIREITOS DAS FAMÍLIAS ATÍPICAS (AÇÃO INÉDITA NO PAÍS) DÁ INÍCIO À FORMAÇÃO DE 100 MULTIPLICADORAS EM PORTO ALEGRE
- Alexandre Costa

- há 2 dias
- 2 min de leitura
Atualizado: há 4 horas

O Balcão de Direitos das Famílias Atípicas deu a largada à formação de 100 mulheres — mães atípicas que passam a atuar como referências em seus territórios — na tarde desta sexta-feira, 10 de abril, em Porto Alegre. O projeto, uma iniciativa inédita no país, tem como objetivo transformar experiência em conhecimento compartilhado, dor em articulação coletiva e cuidado em ação política.
Realizada de forma presencial e online, a formação cria as chamadas Promotoras dos Direitos das Famílias Atípicas (PDA’s). Ao longo de seis meses, essas mulheres irão construir redes de apoio, orientar outras mães e fortalecer a luta por direitos das pessoas com deficiência, ampliando o acesso à informação e à cidadania.
A iniciativa surge em um contexto em que famílias atípicas ainda enfrentam barreiras estruturais no acesso a políticas públicas, atendimento especializado e inclusão social. Ao apostar na formação de lideranças comunitárias, o projeto desloca o centro da ação: das instituições para os territórios, das estruturas formais para a vivência cotidiana de quem enfrenta essas dificuldades.
Angélica de Oliveira Gris é uma dessas mães atípicas. A filha, Lara, de 8 anos, é autista e tem TDAH. “Essa possibilidade é muito importante para as nossas famílias. É uma forma de nos empoderar, de garantir acesso a direitos, de ter fala e voz onde, em tantos espaços, isso ainda nos é negado. Minha expectativa é que a gente consiga multiplicar esse conhecimento, alcançando mais famílias e buscando mais direitos para todos”, afirma.
Mais do que um curso, o Balcão de Direitos se apresenta como um espaço de fortalecimento coletivo para uma centena de mulheres como Angélica. Um lugar onde o conhecimento circula, vínculos se constroem e novas possibilidades se abrem para quem, historicamente, precisou lutar sozinha.
Aline de Oliveira Kerber, socióloga, idealizadora e coordenadora do Balcão de Direitos, destaca a importância da parceria entre a Associação Mães e Pais pela Democracia e a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. “É um reconhecimento da luta das mães, especialmente das mães atípicas. Estamos no mês de abril, marcado pela conscientização sobre o autismo, e é uma alegria reunir 100 mulheres de 15 territórios do Rio Grande do Sul, de diferentes cidades, em uma formação de 240 horas que vai até outubro”, explica.
O advogado Júlio Sá, presidente da Associação Mães e Pais pela Democracia, reforça a expectativa de que as participantes atuem como multiplicadoras. “É um movimento que começa com 100, mas tem potencial para alcançar muito mais. O projeto oferece acolhimento com atendimento multidisciplinar — psicólogo, advogado e assistente social — além de uma bolsa de R$ 350 mensais durante os seis meses do curso”, destaca.
Aline também explica que os recursos do projeto vêm de uma emenda parlamentar da deputada federal Fernanda Melchionna, no valor total de R$ 1,6 milhão. Desse montante, R$ 210 mil são destinados às bolsas das participantes. “Cada uma das 100 mulheres receberá R$ 2.100 ao longo do período, divididos em seis meses. É uma forma de incentivar a formação e o processo que elas vão desenvolver, que envolve teoria, pesquisa e ações de mobilização em seus territórios”, conclui.
CONFIRA O VÍDEO:
CONFIRA AS FOTOS:
📲 CURTA, COMPARTILHE E CONTRIBUA WWW.ESQUINADEMOCRATICA.COM.BR jornalismo livre e independente
_edited.png)



































