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A DEFESA DA TRENSURB ESTATAL: UM MARCO CONTRA O LUCRO PRIVADO (2024–2025) (PARTE II)

A Voz que Ecoa: Senador Paulo Paim e a Essência da Luta

“A Trensurb é patrimônio do povo gaúcho, um serviço público essencial que não pode ser entregue ao lucro privado.”, disse o senador Paulo Paim, no Plenário do Senado Federal, na quarta-feira (25/2). O pronunciamento do senador Paim é um alerta diante da confirmação de que a empresa — com mais de 40 anos de operação ininterrupta — segue no Plano Nacional de Desestatizações, mesmo após intensa mobilização social.


A possibilidade de privatização da Trensurb, que desde 1985 integra cidades estratégicas da Região Metropolitana de Porto Alegre, expõe uma contradição profunda do terceiro governo do presidente Lula. É difícil explicar que historicamente, quem sempre defendeu o transporte público como direito social passe a flertar com a lógica privatista, colocando em risco um ativo estratégico que funciona, tem credibilidade técnica e cumpre um papel social incontestável.


Essa contradição reacendeu um conflito essencial no Brasil contemporâneo: direito social ou mercadoria? transporte público ou negócio privado? mobilidade universal ou lucro de poucos?

Trensurb: Um Legado Público Ameaçado

Diferente de tantos sistemas privatizados que se deterioraram ao longo dos últimos 30 anos, a Trensurb é um caso raro de eficiência públicos comprovada. Ela:

• mantém uma das tarifas mais baixas do país,

• opera com regularidade elevada,

• atende áreas consideradas “não lucrativas” pelo setor privado,

• possui quadro técnico qualificado e estável,

• garante mobilidade diária para milhares de trabalhadores e estudantes,

• é referência nacional em sistema metroferroviário de baixa falha operacional.


Mesmo assim, a inclusão da Trensurb no programa de privatizações reacendeu o temor de que o Brasil repetisse erros já amplamente documentados em outros estados e setores.

Consequências da Privatização: A História Documentada do Fracasso

Privatizar a Trensurb significaria:

• tarifas mais altas

• demissões em massa

• terceirização ilimitada

• precarização estrutural

• abandono de linhas menos rentáveis

• perda total de planejamento metropolitano

• sucateamento progressivo

• controle da mobilidade por grupos privados


E os exemplos nacionais mostram que isso não é projeção alarmista — é um padrão histórico, recorrente e comprovado.

São Paulo

Falhas operacionais aumentaram após concessões. Acidentes relevantes, como os da Linha 5‑Lilás e as paralisações da Linha 9‑Esmeralda, tornaram-se frequentes. Tarifas pressionadas e queda de qualidade são relatadas desde 2018.

Rio de Janeiro – SuperVia

O maior desastre da privatização ferroviária no país:

• tarifa aumentou mais de 580% acima da inflação,

• mais de 2.600 panes anuais,

• abandono de ramais inteiros,

• intervenção estatal após colapso do serviço.

Belo Horizonte – CBTU privatizada

• expansão praticamente inexistente

• estações degradadas

• ausência de investimentos

• reajustes tarifários sem melhorias visíveis

Esses casos mostram uma regra simples: o setor privado só opera onde há lucro. O público opera onde há necessidade.


Quando o Público Salva Vidas: A Prova da Pandemia e das Enchentes

A Trensurb consolidou seu papel essencial nos momentos mais críticos do Rio Grande do Sul.


2020 — A pandemia de Covid-19

Enquanto empresas privadas reduziram linhas e horários, alegando inviabilidade econômica, a Trensurb:

• manteve operação regular,

• garantiu deslocamento para profissionais essenciais,

• evitou colapso da mobilidade urbana em um momento de emergência sanitária.

2024 — As enchentes históricas no RS

Em maio e junho de 2024, enquanto a Região Metropolitana enfrentava caos, alagamentos e paralisação do transporte rodoviário:

• a Trensurb permaneceu funcional,

• operou com segurança e estabilidade,

• tornou-se o único modal confiável em muitas áreas afetadas.


Esses episódios reforçam uma verdade social universal:

A Trensurb salva vidas. O privado salva lucros.


Sindimetrô RS: Mobilização, Documentos e a Busca por Diálogo

A luta institucional foi liderada pelo Sindimetrô RS, que articulou:

• três cartas formais ao presidente Lula,

• audiências públicas na Assembleia Legislativa e no Congresso,

• mobilizações de usuários e entidades sociais,

• debates técnicos com urbanistas e engenheiros,

• apresentação de dados que comprovam a eficiência pública da Trensurb.


No entanto, apesar da mobilização crescente, nenhuma resposta concreta foi dada pelo governo.

A pergunta se impõe com força crescente:

O governo que prometeu não privatizar vai romper sua palavra?


Direito ou Mercadoria? A Escolha que Definirá o Futuro

Privatizar a Trensurb não é modernizar. É: • abrir mão de um direito social fundamental;

• transformar mobilidade em mercadoria;

• empurrar trabalhadores para tarifas inviáveis;

• comprometer vidas em situações de emergência;

• repassar uma política pública à lógica do lucro;

• abandonar regiões populares;

• reduzir o transporte metropolitano a um negócio privado.


A Trensurb é pública porque é necessária.É necessária porque é estratégica. É estratégica porque garante o direito à cidade.


Privatizar a Trensurb é o fim da linha — não apenas da empresa, mas da ideia de que mobilidade urbana é um direito social, não um produto financeiro.

 
 
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