A DEFESA DA TRENSURB ESTATAL: UM MARCO CONTRA O LUCRO PRIVADO (2024–2025) (PARTE II)
- Alexandre Costa

- há 2 horas
- 3 min de leitura

A Voz que Ecoa: Senador Paulo Paim e a Essência da Luta
“A Trensurb é patrimônio do povo gaúcho, um serviço público essencial que não pode ser entregue ao lucro privado.”, disse o senador Paulo Paim, no Plenário do Senado Federal, na quarta-feira (25/2). O pronunciamento do senador Paim é um alerta diante da confirmação de que a empresa — com mais de 40 anos de operação ininterrupta — segue no Plano Nacional de Desestatizações, mesmo após intensa mobilização social.
A possibilidade de privatização da Trensurb, que desde 1985 integra cidades estratégicas da Região Metropolitana de Porto Alegre, expõe uma contradição profunda do terceiro governo do presidente Lula. É difícil explicar que historicamente, quem sempre defendeu o transporte público como direito social passe a flertar com a lógica privatista, colocando em risco um ativo estratégico que funciona, tem credibilidade técnica e cumpre um papel social incontestável.
Essa contradição reacendeu um conflito essencial no Brasil contemporâneo: direito social ou mercadoria? transporte público ou negócio privado? mobilidade universal ou lucro de poucos?
Trensurb: Um Legado Público Ameaçado
Diferente de tantos sistemas privatizados que se deterioraram ao longo dos últimos 30 anos, a Trensurb é um caso raro de eficiência públicos comprovada. Ela:
• mantém uma das tarifas mais baixas do país,
• opera com regularidade elevada,
• atende áreas consideradas “não lucrativas” pelo setor privado,
• possui quadro técnico qualificado e estável,
• garante mobilidade diária para milhares de trabalhadores e estudantes,
• é referência nacional em sistema metroferroviário de baixa falha operacional.
Mesmo assim, a inclusão da Trensurb no programa de privatizações reacendeu o temor de que o Brasil repetisse erros já amplamente documentados em outros estados e setores.
Consequências da Privatização: A História Documentada do Fracasso
Privatizar a Trensurb significaria:
• tarifas mais altas
• demissões em massa
• terceirização ilimitada
• precarização estrutural
• abandono de linhas menos rentáveis
• perda total de planejamento metropolitano
• sucateamento progressivo
• controle da mobilidade por grupos privados
E os exemplos nacionais mostram que isso não é projeção alarmista — é um padrão histórico, recorrente e comprovado.
São Paulo
Falhas operacionais aumentaram após concessões. Acidentes relevantes, como os da Linha 5‑Lilás e as paralisações da Linha 9‑Esmeralda, tornaram-se frequentes. Tarifas pressionadas e queda de qualidade são relatadas desde 2018.
Rio de Janeiro – SuperVia
O maior desastre da privatização ferroviária no país:
• tarifa aumentou mais de 580% acima da inflação,
• mais de 2.600 panes anuais,
• abandono de ramais inteiros,
• intervenção estatal após colapso do serviço.
Belo Horizonte – CBTU privatizada
• expansão praticamente inexistente
• estações degradadas
• ausência de investimentos
• reajustes tarifários sem melhorias visíveis
Esses casos mostram uma regra simples: o setor privado só opera onde há lucro. O público opera onde há necessidade.
Quando o Público Salva Vidas: A Prova da Pandemia e das Enchentes
A Trensurb consolidou seu papel essencial nos momentos mais críticos do Rio Grande do Sul.
2020 — A pandemia de Covid-19
Enquanto empresas privadas reduziram linhas e horários, alegando inviabilidade econômica, a Trensurb:
• manteve operação regular,
• garantiu deslocamento para profissionais essenciais,
• evitou colapso da mobilidade urbana em um momento de emergência sanitária.
2024 — As enchentes históricas no RS
Em maio e junho de 2024, enquanto a Região Metropolitana enfrentava caos, alagamentos e paralisação do transporte rodoviário:
• a Trensurb permaneceu funcional,
• operou com segurança e estabilidade,
• tornou-se o único modal confiável em muitas áreas afetadas.
Esses episódios reforçam uma verdade social universal:
A Trensurb salva vidas. O privado salva lucros.
Sindimetrô RS: Mobilização, Documentos e a Busca por Diálogo
A luta institucional foi liderada pelo Sindimetrô RS, que articulou:
• três cartas formais ao presidente Lula,
• audiências públicas na Assembleia Legislativa e no Congresso,
• mobilizações de usuários e entidades sociais,
• debates técnicos com urbanistas e engenheiros,
• apresentação de dados que comprovam a eficiência pública da Trensurb.
No entanto, apesar da mobilização crescente, nenhuma resposta concreta foi dada pelo governo.
A pergunta se impõe com força crescente:
O governo que prometeu não privatizar vai romper sua palavra?
Direito ou Mercadoria? A Escolha que Definirá o Futuro
Privatizar a Trensurb não é modernizar. É: • abrir mão de um direito social fundamental;
• transformar mobilidade em mercadoria;
• empurrar trabalhadores para tarifas inviáveis;
• comprometer vidas em situações de emergência;
• repassar uma política pública à lógica do lucro;
• abandonar regiões populares;
• reduzir o transporte metropolitano a um negócio privado.
A Trensurb é pública porque é necessária.É necessária porque é estratégica. É estratégica porque garante o direito à cidade.
Privatizar a Trensurb é o fim da linha — não apenas da empresa, mas da ideia de que mobilidade urbana é um direito social, não um produto financeiro.
_edited.png)





