TRABALHADORES DA UFRGS, UFCSPA E IFRS APROVAM GREVE CONTRA PRECARIZAÇÃO E DESMONTE DA EDUCAÇÃO PÚBLICA
- Alexandre Costa

- há 21 horas
- 4 min de leitura

A aprovação de greve por servidores da UFRGS, UFCSPA e IFRS, após Assembleia Geral da ASSUFRGS, realizada no dia 23 de fevereiro, na Faculdade de Educação da UFRGS, amplia a mobilização nacional contra a precarização das instituições federais de ensino. A paralisação terá início na quinta-feira (26/2) e se soma ao movimento nacional coordenado pela FASUBRA, em defesa do cumprimento do acordo de greve firmado em 2024 e contra retrocessos previstos no Projeto de Lei 6170/2025. De acordo com os trabalhadores, a decisão reflete anos de cortes, congelamentos orçamentários e pressões por produtividade que distorcem a função pública das universidades.
O movimento denuncia o sucateamento estrutural que atinge laboratórios, bibliotecas, manutenção predial e programas de assistência estudantil. A precarização afeta especialmente estudantes de baixa renda, que dependem de políticas de permanência para concluir seus cursos.
A greve é também resposta às reformas neoliberais que transformaram universidades em centros reduzidos a métricas, avaliações automáticas e cortes contínuos. A lógica produtivista destrói o caráter crítico e social da educação superior.
A mobilização no Rio Grande do Sul reforça o alerta nacional: é impossível defender ciência, tecnologia e pesquisa com salários defasados, infraestrutura deteriorada e servidores sobrecarregados. A greve não é apenas pauta corporativa, mas defesa da universidade pública como projeto de país.
Manter instituições federais fortes é condição essencial para reduzir desigualdades, formar profissionais e produzir conhecimento capaz de enfrentar crises sociais e ambientais. A luta dos trabalhadores precisa ser compreendida como parte da resistência à desestruturação da educação pública.
Principais pautas
Entre os pontos centrais da mobilização estão:
Cumprimento integral do acordo de greve de 2024.
Defesa da jornada de 30 horas e da flexibilização conquistada pela categoria.
Inclusão dos aposentados nos benefícios da carreira.
Rejeição à reforma administrativa e à PEC 38, que ameaça direitos do funcionalismo.
Campanha salarial para 2027.
Vozes da assembleia
Diversos representantes de entidades e movimentos sociais manifestaram apoio à greve, entre eles estiveram representações do CPERS, ANDES UFRGS, SindJus, Movimento Olga Benário. Movimento Correnteza, CABAM, Ocupe, Juntos, entre outras entidades.
Outros discursos trouxeram solidariedade às lutas sociais, como a ocupação Sarah Domingues, que atua no acolhimento de mulheres, e às mobilizações contra o feminicídio. Houve também críticas à postura da reitoria em relação às ocupações e denúncias de assédio sofrido por servidores durante greves anteriores.
Encaminhamentos
A assembleia aprovou:
Deflagração da greve a partir de 26 de fevereiro, por ampla maioria, com apenas quatro abstenções.
Instalação do Comando Local de Greve (CLG) no mesmo dia, às 16h, no auditório da ASSUFRGS.
Eleição dos representantes da entidade para o Comando Nacional de Greve (CNG), que será instalado em Brasília em 2 de março. Foram eleitos para a primeira rodada do CNG, os colegas: Marco Silva, Maria Luiza Ramos, André Telles, Ítalo Guerreiro e Ana Maris (titulares). São suplentes: Marcia Tavares, Morgana de Marco, Ricardo Souza, Fabiano e Maria de Lourdes Ambrosio.
Aprovada moção de solidariedade à Ocupação Sarah Domingues no Campus do Vale da UFRGS.
Aprovada moção de repúdio aos ataques imperialistas, em defesa da soberania da Palestina, Venezuela e Cuba.
Contexto
Os trabalhadores ressaltaram que a greve não se limita a questões salariais, mas envolve a defesa de um projeto de universidade pública, gratuita e de qualidade. “Sem greve, não conquistamos nada. É preciso ir para as ruas e mostrar que nossa luta é justa”, afirmou a categoria. A mobilização se insere em um cenário nacional de insatisfação com o descumprimento de acordos, ataques à educação pública e ameaças de reformas que fragilizam direitos trabalhistas.
Pautas da GREVE NACIONAL:
Cumprimento do Acordo de Greve de 2024: diversos pontos do Acordo de Greve não foram cumpridos. Até o momento, as 30 horas não avançaram, o RSC foi descaracterizado e os aposentados e pensionistas foram excluídos dos pontos acordados. A democracia interna nas IFEs também não avançou. A Assessoria Jurídica da ASSUFRGS fez uma análise sobre os pontos não cumpridos do acordo. Confira aqui.
Defesa do RSC para toda a categoria, conforme Acordo de Greve: o PL nº 6170/2025, apresentado pelo Governo Federal e aprovado na Câmara dos Deputados, traz problemas graves, entre eles: a vedação do RSC para quem está em estágio probatório; o RSC poderá ser concedido para, no máximo, 75% dos servidores ativos; exclusão dos aposentados, pensionistas e daqueles ativos que têm doutorado; será necessário interstício de 3 anos para os pedidos subsequentes do RSC; e os efeitos financeiros não serão retroativos ao pedido do RSC (120 dias).
Desmonte da jornada flexibilizada: o mesmo PL nº 6170/2025 restringe a flexibilização da jornada de trabalho apenas aos setores que atendem o público externo, contrariando inclusive a interpretação dada pela Controladoria-Geral da União (CGU) na Carta de Serviços.
Reforma Administrativa: mesmo com a forte pressão dos servidores públicos federais, setores do Congresso Nacional seguem mobilizados para avançar o ataque ainda neste semestre. Entre os pontos de atenção no texto estão: o fim da estabilidade com a contratação de servidores temporários, sem concurso público; tabela única para os servidores, com achatamento dos salários; uma nova avaliação como instrumento de assédio; entre outros ataques.
Campanha Salarial 2027: os servidores TAEs seguem sendo os mais desvalorizados do Executivo Federal. Levantamento da ASSUFRGS, através de dados do MGI, comprova que os trabalhadores da educação seguem com os menores salários.
CURTA, COMPARTILHE, COLABORE E CONTRIBUA WWW.ESQUINADEMOCRATICA.COM.BR jornalismo livre e independente
_edited.png)





