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Série documental ‘O Sul é Afro’ ressalta a contribuição do povo negro na região sul brasileira

Por Milene de Souza de Espindula - publicado originalmente no site www.midianinja.org


Acaba de ser lançada a série “O Sul é Afro”, dirigida pelo paranaense Tiago C. Nascimento, que conta a verdadeira contribuição do povo negro na região sul brasileira. A produção traz vozes de pessoas pretas que foram importantes no desenvolvimento econômico, cultural e político da região sul brasileira, que pelo resto do Brasil é sempre lida como a região “europeia” do país.

O censo de 2022 constatou que a região sul do Brasil é a região brasileira com maior porcentagem de pessoas brancas sendo 72,6% pessoas que se autodeclaram desta cor. Apesar de tais dados, a região sul também teve forte influência dos povos originários durante décadas, povos estes que foram metade extintos com o tempo e outra metade vive à margem da linha da pobreza e dependendo de subempregos para sobreviver. Além da visão distorcida que muitas pessoas têm do sul do Brasil em relação à diversidade é um reflexo de estereótipos enraizados na sociedade.


Desafios da população negra da região sul

Desigualdade Econômica – Muitos negros na região sul enfrentam desigualdade econômica, com menor acesso a oportunidades de emprego digno, salários mais baixos e maior dificuldade para acessar crédito e recursos financeiros.

Acesso Limitado à Educação de Qualidade – O acesso à educação de qualidade para a população negra pode ser limitado devido a fatores socioeconômicos e falta de políticas eficazes de inclusão e combate ao racismo nas escolas.

Violência Policial e Criminalização – A população negra enfrenta maior incidência de violência policial e criminalização, muitas vezes sendo alvo de abordagens violentas e injustiças no sistema de justiça criminal. Um exemplo recente foi o caso Everton no Rio Grande do Sul, onde um homem negro acionou a brigada militar pois estava sendo ameaçado com uma faca por um senhor branco e no final acaba sendo detido com acusação de lesão corporal.

Impactos Ambientais – A população negra da região sul sofre também com o assombroso Racismo Ambiental, muitas vezes por morar em áreas de risco, lugares que não recebem a devida atenção do poder público e até às comunidades tradicionais como Quilombos que sofrem com enchentes e deslizamentos, na medida em que a crise climática avança e trás ainda mais eventos extremos, essas populações são sempre as que mais sofrem.

Estereótipos Negativos e Representações Limitadas na Mídia – Estereótipos negativos e representações limitadas na mídia contribuem para a perpetuação do racismo e da exclusão social, afetando a autoestima e as oportunidades de empoderamento da população negra. Boa parte da população negra não se sente representada com a mídia reproduzida em propagandas no geral.

Acesso Limitado a Serviços de Saúde de Qualidade – A população negra enfrenta desafios no acesso a serviços de saúde de qualidade, incluindo dificuldades para encontrar profissionais de saúde culturalmente sensíveis e falta de acesso a recursos e tratamentos adequados.


Marginalização e Exclusão Social – A marginalização e exclusão social são desafios significativos enfrentados pela população negra na região sul, com muitos indivíduos e comunidades sendo deixados à margem das oportunidades econômicas, sociais e políticas.

Na região sul do Brasil, é crucial que a comunidade negra se apoie mutuamente, especialmente no campo da cultura e do audiovisual. Ao unirmos forças, podemos amplificar nossas vozes, contar nossas histórias de forma autêntica e desafiar estereótipos prejudiciais. Juntos, podemos construir uma representação mais inclusiva e diversificada, fortalecendo nossa identidade e promovendo a igualdade de oportunidades para todos.

O documentário pode ser conferido através do serviço FAST Streaming do Samsung TV Plus, pela cultne.tv canal 2134, ou pelo aplicativo Android.

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