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RS ESTABELECE PISOS E REGRAS PROFISSIONAIS PARA ARTISTAS DRAG

POR ALEXANDRE COSTA | ESQUINA DEMOCRÁTICA


Construída pelo SATED-RS em articulação com DragPOA e Grafia Drag, iniciativa estabelece valores mínimos de referência para cachês, condições de trabalho e critérios para o reconhecimento profissional de artistas que atuam com transformismo e arte drag.




Quanto vale o trabalho de uma artista drag? A pergunta envolve muito mais do que os minutos passados diante do público. Antes de entrar em cena há criação, maquiagem, figurino, ensaio, deslocamento, preparação e uma cadeia de profissionais que participa da construção de cada apresentação.


No Rio Grande do Sul, esse trabalho acaba de conquistar um importante reconhecimento. O Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Rio Grande do Sul (SATED-RS) estabeleceu valores referenciais mínimos e condições específicas de trabalho para profissionais com experiência em transformismo e arte drag, numa construção realizada com os coletivos DragPOA e Grafia Drag.


O próprio SATED-RS classifica os valores publicados para as diferentes funções que representa como “valores referenciais mínimos (pisos)”. A entidade convocou assembleia da categoria em 7 de agosto para deliberar sobre condições de trabalho de profissionais de atuação e interpretação com experiência em transformismo e arte drag e sobre a negociação dessas condições com a categoria econômica.


DO PALCO AO AUDIOVISUAL

A nova referência contempla diferentes formas de atuação profissional. Entre os valores definidos estão R$ 300 para performances de até 15 minutos, R$ 1 mil por diária de oito horas em trabalhos audiovisuais e R$ 4 mil para direção e criação de espetáculo.


A regulamentação alcança também condições que costumam permanecer invisíveis quando se pensa no trabalho artístico. Estabelece requisitos mínimos para camarins e reconhece necessidades próprias da preparação de artistas drag, para quem figurino, caracterização e maquiagem integram a atividade profissional.


Não se trata, portanto, apenas de determinar quanto vale o tempo de uma apresentação, mas de reconhecer o conjunto de trabalho necessário para que ela aconteça. O SATED-RS já mantém tabelas de pisos para diferentes segmentos das artes cênicas, como teatro, dança, circo e atividades técnicas. No teatro, por exemplo, a entidade estabelece valores distintos para direção, atuação, performance, ensaios e apresentações, seguindo a lógica de reconhecer as diferentes etapas e funções envolvidas na produção artística.


DRT E O RECONHECIMENTO DE UMA TRAJETÓRIA

Outro avanço está relacionado ao registro profissional (DRT). Para artistas drag, a comprovação da experiência poderá considerar 36 trabalhos remunerados realizados ao longo de três a cinco anos. E há uma característica importante: a trajetória profissional não precisará estar documentada apenas pelos meios tradicionalmente utilizados nas artes cênicas.


Flyers, cards de divulgação, vídeos publicados em redes sociais, comprovantes de pagamento e comunicações de contratação por e-mail ou WhatsApp poderão ajudar a demonstrar o exercício profissional.


A medida aproxima o reconhecimento formal da maneira como a própria cena drag se desenvolveu. Durante anos, muitos desses artistas construíram carreiras em casas noturnas, festas, bares, eventos e espaços culturais nos quais a contratação nem sempre produzia a documentação tradicional de uma montagem teatral.


O registro profissional integra as atribuições exercidas pelo SATED-RS, que mantém setor específico para orientar trabalhadores sobre o DRT e também atua na negociação de acordos coletivos e na defesa de condições de trabalho para artistas e técnicos.


POR QUE ISSO IMPORTA?

A arte drag ocupa há décadas palcos, casas noturnas, festas, espetáculos, eventos e produções audiovisuais, mas a visibilidade artística nem sempre veio acompanhada do mesmo reconhecimento das relações profissionais existentes por trás dela.


Estabelecer referências de remuneração e condições mínimas de trabalho significa enfrentar justamente essa distância. A medida também ajuda a deslocar a discussão sobre a arte drag do terreno exclusivo do entretenimento ou da identidade para uma dimensão muitas vezes esquecida: artistas drag são trabalhadores da cultura, produzem valor e precisam ter seu trabalho remunerado e protegido como qualquer outra atividade profissional.


É um reconhecimento que alcança também a cadeia que acompanha essa produção, envolvendo profissionais de figurino, maquiagem, produção, técnica e comunicação. Quando a arte é trabalho, valorizá-la significa reconhecer não apenas quem aparece sob os refletores, mas todas as pessoas que tornam possível a cena.


FONTES PARA CHECAGEM

[1] SATED-RS — ASSEMBLEIA SOBRE TRANSFORMISMO E ARTE DRAG

O que comprova: convocação da categoria para deliberar sobre condições de trabalho de profissionais com experiência em transformismo/arte drag; realização da assembleia em 7 de agosto de 2026; atribuições do sindicato e negociação das condições profissionais.


[2] SATED-RS — PISOS SALARIAIS E VALORES REFERENCIAIS

O que comprova: o SATED-RS utiliza oficialmente a denominação “valores referenciais mínimos (pisos)” para as funções que representa e mantém convenções e referências específicas para diferentes áreas profissionais.


[3] SATED-RS — SALÁRIO NORMATIVO DO TEATRO O que comprova: existência de referências remuneratórias diferenciadas para direção, atuação, performance, apresentações, ensaios e demais atividades profissionais das artes cênicas.SATED-RS — Salário Normativo do Teatro

[4] MATERIAL DE DIVULGAÇÃO — DRAGPOA / GRAFIA DRAG / SATED-RS

O que comprova: valores específicos destinados à arte drag — R$ 300 para performance de até 15 minutos, R$ 1 mil para diária de oito horas em audiovisual e R$ 4 mil para direção/criação de espetáculo —, condições de camarim, critérios para obtenção do DRT e formas admitidas para comprovação da experiência profissional.

Fonte: material encaminhado à Redação do Esquina Democrática.


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