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OURO DE TOLO, EDITORIAL DA EDIÇÃO DE DEZEMBRO DO GRIFO


Ouro não é metal pesado ou tóxico como o mercúrio, arsênio ou chumbo, mas não é dieta recomendável por nutricionistas sérios e competentes. Isto não impede que ele seja usado como condimento de churrasco em refeições cujo proposta, muito longe de saciar a fome, é de saciar a vaidade. Algumas personalidades esportivas brasileiras participaram de um rega-bofe temperado com este tempero narcisista e idiota que, se não causar problemas estomacais, certamente não faz bem para o senso comum e para a moralidade. Comer ouro é a extrema ação distintiva de uma sociedade que, para além de acumular riqueza para o conforto, precisa garantir a miséria para a distinção. Aceitar comer ouro para se sentir privilegiado está além da estupidez e da alienação, é a ação distintiva suprema de uma elite econômica Ouro de tolo que se apresenta como a síntese do ridículo. Os comensais de tal extravagância são conhecidos partícipes do jogo da exclusão e da exploração nacional e servem como especie de símbolo do período que se encerra e anunciam a volta da dieta normal e necessária da democracia, da liberdade, da racionalidade e, principalmente, da igualdade

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