"ENIGMA" REDUZ O ABISMO DAS DESIGUALDADES NA EDUCAÇÃO COM PROJETO DE INCLUSÃO DIGITAL DA UFRGS
- Alexandre Costa

- 4 de jun. de 2021
- 4 min de leitura

Diante da pandemia de coronavírus e da interrupção das aulas presenciais, o acesso remoto passou a fazer parte da aprendizagem. No entanto, a covid-19 acentuou as desigualdades da educação no Brasil. Existe um verdadeiro abismo social que segrega e exclui os estudantes, a partir do acesso à internet e das estruturas mínimas para ingressar neste mundo das tecnologias digitais. Ampliar a inclusão digital de alunos de baixa renda das escolas públicas de Porto Alegre é um dos objetivos do projeto Enigma, desenvolvido na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mais especificamente no Colégio de Aplicação.

Doação para a familia Atos 29, Casa-Larque atende egressos dos abrigos.
Desde junho de 2020 , o projeto destinou 175 equipamentos para estudantes de baixa renda. Desses, 126 foram para famílias de alunos do próprio Aplicação. Quatro foram para uma Casa-Lar que atende egressos dos abrigos, pois quando fazem 18 anos precisam sair. A organização desse tipo de escolhida foi a Família Atos 29, que atualmente acolhe em uma casa no bairro Santana 20 moradores entre 18 e 21 anos e que precisam de computadores para estudar. Uma doação foi para um menino de 14 anos que mora em um assentamento em Eldorado do Sul.
Antes da crise sanitária, 4,8 milhões de estudantes viviam em casas sem acesso à internet, prejudicando ou impossibilitando o acompanhamento das aulas remotas. O Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), revelou em dezembro do ano passado, na última edição do painel TIC covid-19 — que tem como objetivo coletar informações sobre o uso da internet durante a pandemia —, que três quartos dos internautas com 16 anos ou mais e que são das classes D e E (74%) acessam à rede de ensino remoto exclusivamente pelo telefone celular. Entre os usuários das classes A e B o percentual cai para 11%. O uso de computador (notebook, computador de mesa e tablet) como o principal recurso é maior nas classes A e B (66%), sendo menos acessível aos estudantes das classes C (30%); D e E (11%).
Clevi Rapkiewicz é professora de informática no Colégio Aplicação onde atua na Educação de Jovens e Adultos (EJA), o que a coloca diariamente frente a realidade de pessoas que não cursaram ou não concluíram o ensino regular, que trabalham em serviços pesados e ganham pouco. Atualmente, Clevi é professora de cerca de 120 alunos, nas modalidades de ensino Fundamental e Médio. A exclusão digital inviabiliza a continuidade dos estudos em função das dificuldades de conexão e da falta de equipamentos. Com o projeto de extensão Enigma, que resgata a história e promove a inclusão de mulheres no campo das Ciências de Computação, a professora e os bolsistas do projeto (são 3 estudantes de Artes Visuais, 1 estudantes de jornalismo, duas estudantes de computação e 3 alunos do ensino médio) vem travando verdadeiras batalhas para viabilizar a inserção de um número cada vez maior de alunos ao mundo digital.

Professora de informática no Colégio Aplicação, onde atua na Educação de Jovens e Adultos (EJA), Clevi Rapkiewicz é professora de cerca de 120 alunos, nas modalidades de ensino Fundamental e Médio. Foto: banco de imagens do projeto Enigma.
O projeto viabilizou a doação de computadores, dispositivos e periféricos que foram destinados às alunas residentes das casas de estudante da UFRGS. Também identificou alunos do EJA que necessitavam de equipamentos adequados. Os equipamentos passam por avaliação, se for necessário são consertados e recebem peças para que funcionem adequadamente. O Projeto Enigma trabalha com quatro eixos: formação – com palestras e oficinas –, educação na computação básica, artesanato com lixo eletrônico e a doação de computadores, que atendeu sete alunas no segundo semestre de 2019.
DECIFRANDO ENIGMAS
"A Enigma foi uma máquina eletromecânica usada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial para enviar mensagens cifradas e seu uso culminou com a invenção do computador. Segundo o dicionário Michaels, um enigma é 'algo que não se conhece com clareza'. A junção das duas significações para a mesma palavra foi a inspiração para dirigir nossos esforços para que o papel feminino na construção do conhecimento científico e nas grandes realizações da ciência não continuassem obscurecidos e que a participação feminina nesta mesma produção se intensifique, haja visto a pouca representatividade que se observa nas diversas áreas das ciências da computação e informática. Atualmente, há uma terceira conotação para manter o nome também para as doações - é um enigma porque estudantes de escolas públicas têm tanta diferença de acesso em relação aos alunos de escolas particulares. Precisamos decifrar esse enigma", explica a professora Clevi.
DOAÇÕES, VAKINHA E RIFA
Em função das dificuldades financeiras e da necessidade para atender um número cada vez maior de alunos, os integrantes do projeto lançaram uma rifa para angariar recursos e ampliar as doações e as pessoas beneficiadas pelas iniciativas. O Enigma também organizou uma vakinha ((http://vaka.me/1692388). As doações podem ser feitas por meio de PIX corresponde ao email do projeto (projeto_enigma@ufrgs.br). "Precisamos de ajuda, até mesmo R$ 5,00 são úteis", ressalta a professora Clevi Rapkiewicz. Para escolher os números e ter acesso à descrição da rifa e das fotos dos prêmios, basta clicar no link abaixo. http://bit.ly/rifaENIGMA
O Enigma mantém perfil no Facebook (@projetoenigma) e Instagram (@enigmaprojeto), onde é possível conferir o material produzido. Além das doações, o projeto está aberto também para interessados e interessadas em auxiliar voluntariamente a iniciativa e atualmente conta com uma ação que visa arrecadar fundos para conseguir entregar mais computadores. O foco atual, além dos alunos novos do Aplicação são mulheres terceirizadas da UFRGS que tem filhos em idade escolar. Isso faz o projeto alcançar mulheres sobretudo de Alvorada, Viamão e Lomba do Pinheiro, pois o projeto está focando (no momento) nas que trabalham no Campus do Vale.
DEPOIMENTOS
GALERIA DE FOTOS
_edited.png)



















