top of page

DOUTOR ARAGUAIA CHEGA À UFRGS E REENCONTRA A MEMÓRIA DE JOÃO CARLOS HAAS SOBRINHO

há 7 minutos
4 min de leitura

Encontro reuniu familiares e comunidade acadêmica para recordar o médico e militante morto durante a Guerrilha do Araguaia; documentário sobre sua trajetória terá exibição gratuita no Cine Bancários em 28 de setembro.





Existem histórias que retornam aos seus lugares de origem. Nesta segunda-feira (14/9), a trajetória de João Carlos Haas Sobrinho voltou à UFRGS, universidade onde o jovem de São Leopoldo estudou Medicina e participou intensamente do movimento estudantil. Em 1963, presidiu o Centro Acadêmico Sarmento Leite e estava à frente da entidade quando ocorreu o golpe de 1964. Depois se tornou o médico conhecido como Dr. Juca, morto pela repressão durante a Guerrilha do Araguaia, em 1972. Seu corpo nunca foi localizado.[1]

O encontro, promovido no Instituto de Ciências Básicas da Saúde (ICBS), dentro do projeto Saberes & Sabores, contou com a presença das irmãs de João Carlos, Sônia Maria Haas e Tânia Maria Haas Costa. A atividade aproximou a comunidade acadêmica de uma história que durante décadas foi sonegada aos brasileiros. A ditadura, que se estendeu por 21 anos, de 1964 a 1985, transformou a vida do país por meio do cerceamento das liberdades, do autoritarismo, da repressão, das prisões arbitrárias, da tortura e dos assassinatos. A busca pelos desaparecidos políticos permanece como uma ferida aberta há mais de meio século para familiares, companheiros, colegas e amigos.

“A iniciativa do ICBS nos proporcionou um encontro muito gratificante, com muitas trocas e a divulgação do filme Doutor Araguaia, no dia 28 de setembro, no Cine Bancários”, afirmou Sônia Haas ao Esquina Democrática.[3]

UM PIANO, OS CUPINS E A AUSÊNCIA

Entre as lembranças compartilhadas no encontro estava uma mensagem de Sabino Loguércio, que conviveu com João Carlos no Centro Acadêmico no início dos anos 1960.

Sabino recordou o ambiente efervescente, onde Medicina, política e cultura conviviam. Havia ali um piano de cauda tocado por estudantes e músicos — entre eles Roberto Szidon, que deixaria a Medicina para construir uma carreira internacional como pianista. Foi também naquele ambiente que, segundo Sabino, o Tamba Trio chegou a se apresentar e Luiz Eça tocou o instrumento.

Anos depois, já durante a ausência de Haas, Sabino retornou ao Centro Acadêmico para uma homenagem ao antigo presidente. Procurou o piano e o encontrou escondido atrás de uma cortina. Os cupins haviam destruído o instrumento.

Na lembrança de Sabino, o desaparecimento daquele piano adquiriu outro significado: tornou-se uma imagem possível para falar do amigo que também havia desaparecido. Restaram as teclas sem som e a memória de quem as havia escutado.

João Carlos, porém, não desapareceu da história. Documentos da Comissão Nacional da Verdade registram que ele nasceu em São Leopoldo, em 1941, ingressou na Faculdade de Medicina da UFRGS em 1959 e se formou em dezembro de 1964. Foi liderança estudantil e, perseguido após o golpe, acabou seguindo para outras regiões do país. Médico, atuou junto a populações pobres antes de integrar a Guerrilha do Araguaia. Foi morto em 1972 e permanece entre os desaparecidos políticos da ditadura.[1]

A HISTÓRIA CONTINUA NA TELA

Essa trajetória é recuperada no documentário “Doutor Araguaia — A História de João Carlos Haas Sobrinho”, dirigido por Edson Cabral, com roteiro, pesquisa e argumento desenvolvidos em parceria com Sônia Haas.[2] O filme reconstrói a vida do estudante, médico e militante por meio de documentos e depoimentos de pessoas que conviveram com ele.

No próximo dia 28 de setembro, às 18h30, o documentário terá exibição gratuita no Cine Bancários, em Porto Alegre. O cinema contribui, assim, para recuperar a memória de João Carlos Haas Sobrinho e permite que novas gerações conheçam sua trajetória e um dos períodos mais vergonhosos da história brasileira.

A imagem deixada por Sabino parece condensar uma metáfora: os cupins puderam silenciar um piano, mas não conseguiram apagar a memória. FOTOS: DIVULGAÇÃO

SERVIÇO

DOUTOR ARAGUAIA — A HISTÓRIA DE JOÃO CARLOS HAAS SOBRINHO Data: 28 de setembro Horário: 18h30 Local: Cine Bancários Endereço: Rua General Câmara, 424 — Porto Alegre Entrada franca

FONTES PARA CHECAGEM

[1] COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE / ARQUIVO NACIONAL — MEMÓRIAS REVELADAS. Relatório da Comissão Nacional da Verdade — Volume III: Mortos e desaparecidos políticos. O que comprova: nascimento de João Carlos Haas Sobrinho em São Leopoldo; ingresso na Medicina da UFRGS em 1959 e formatura em 1964; presidência do Centro Acadêmico Sarmento Leite em 1963; atuação no movimento estudantil; perseguição política; participação na Guerrilha do Araguaia; morte/desaparecimento em 1972. ACESSAR O DOCUMENTO OFICIAL

[2] PREFEITURA DE PORTO FRANCO. Vem aí o lançamento do documentário Doutor Araguaia em Porto Franco. O que comprova: direção de Edson Cabral; roteiro, pesquisa e argumento realizados em parceria com Sônia Haas; produção do documentário sobre João Carlos Haas Sobrinho. ACESSAR A FONTE

[3] INFORMAÇÕES SOBRE A NOVA EXIBIÇÃO DE DOUTOR ARAGUAIA Fonte direta — SÔNIA HAAS, irmã de João Carlos Haas Sobrinho, em mensagem enviada ao Esquina Democrática. O que comprova: avaliação do encontro realizado no ICBS e informações sobre a exibição de Doutor Araguaia no Cine Bancários em 28 de setembro. O serviço também consta no material de divulgação fornecido à reportagem.

📲 CURTA, COMPARTILHE E CONTRIBUA

Jornalismo livre e independente

 
 
Design sem nome (3).png
  • Facebook
  • Youtube

COLABORE

Apoie o jornalismo livre, independente, colaborativo e de alta integridade, comprometido com os direitos e as liberdades coletivas e individuais. Participe dos novos modelos de construção do mundo das notícias e acredite que uma outra imprensa é possível. 
 

O Esquina Democrática não se submete às avaliações métricas, baseadas em quantitativos que impulsionam visualizações, acessos, curtidas e compartilhamentos. Também não compactua com modelos  de trabalho que prejudicam a produção de conteúdos e colaboram com a precarização profissional. 

CHAVE DO PIX

 559.642.490-00

BANCO 136 - UNICRED
AGÊNCIA 2706
CONTA 27928-5
ALEXANDRE COSTA
CPF 559.642.490-00

JORNALISTA RESPONSÁVEL: ALEXANDRE COSTA 
FILIADO AO SINDJORS E ASSOCIADO À ARI

100673-maior_sindjors_jul16.jpg
images (1).jpeg
bottom of page