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23 - Domingo de Sol, por Nora Prado*

O domingo do dia 2 de junho foi especialmente importante para a comunidade gaúcha que se viu em meio ao sol e um aumento na temperatura, propícia para sair de casa e aproveitar o dia ao ar livre. Milhares de pessoas lotaram os parques da Rendenção, Parcão, o Marinha do Brasil e a orla do Guaíba ávidas por apanhar o sol convidativo de um excelente dia de lazer. Para muitos foi mais um dia de faxina e arrumação dentro das casas alagadas pela enchente. Mas, para outras, um sinal verde para a diversão e o prazer de reencontrar amigos e brindar ao bom da vida.


Milhares de automóveis invadiram as ruas e avenidas assim como lotaram, de gente, bares e restaurantes no bairro do Bomfim. Depois de praticamente um mês de clausura e depressão, por conta da calamidade climática, um sopro de alegria e esperança estampava os rostos das pessoas que se aglomeravam alegres pela cidade.


Na orla de Ipanema o clima era de prazer e descontração, com o povo tomando sol e apreciando a bela vista do Guaíba que voltou para o seu leito abrindo espaço no calçadão por onde passeavam descontraídas com os seus cachorros de estimação. Uma atmosfera de renovada energia e contentamento depois de tanta tristeza e apreensão.


Sim, nitidamente reagimos diante da tormenta, seguindo no fluxo da vida que insiste em andar para frente. Gente, andando de bicicleta e patins, namorando, caminhando de mãos dadas, ouvindo música e se divertindo em grupo, como outrora, foi um bálsamo de vigor e otimismo.


As águas baixaram por toda Porto Alegre, secando a água e a lama e proporcionando um dia de renovada confraternização. Todos se desentocaram dos seus abrigos para aproveitar o sol e receber as bênçãos de um novo tempo. O simbolismo deste dia representa a pulsão de Eros, fundamental para resistir aos abalos sofridos pala inundação de maio. Mostrar caminhos mais amenos e sugerindo que a vida nos convida para dançar, apesar de tudo.


Na sexta-feira houve até uma oportuna e justa manifestação pública com gente empunhando cartazes e bandeiras contra a incompetente gestão de Melo e Leite ao longo desta tenebrosa catástrofe. Passeata na esquina Democrática seguindo pela Borges de Medeiros com críticas ao governo e reivindicação por políticas ambientais responsáveis e consequentes.


Sim, é preciso nomear os culpados e pensar estratégias viáveis para o futuro. Votar com consciência ecológica em políticos comprometidos com a sustentabilidade e o bem-estar social da população. Em ano de eleição a enchente também levou por água abaixo as máscaras e a demagogia de gestores gananciosos e oportunistas. Creio que fica mais fácil separa o joio do trigo.


Com o calor acima da média, natural que hoje, a segunda-feira iniciasse com chuva novamente. De qualquer forma, seguimos aquecidos com o domingo de sol no coração em busca de sentido e vontade de renascer. Que o sol volte a brilhar, novamente, ressignificando a nossa coragem para reinventar a vida!


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