BRASIL TEM MAIOR POPULAÇÃO NEGRA FORA DA ÁFRICA E É UM DOS PAÍSES MAIS VIOLENTOS E RACISTAS DO MUNDO
- Alexandre Costa

- 19 de nov. de 2021
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O Brasil é o país com a maior população negra fora do continente africano, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A população brasileira já soma cerca de 213 milhões de pessoas, dos quais aproximadamente 110 milhões são negros. Passados 133 anos da abolição da escravatura, a população negra sofre com o racismo, a violência e o preconceito. No Brasil, a luta dos negros por direitos e igualdade vem crescendo e conquistando cada vez mais espaços e visibilidade social. Apesar do aparente crescimento da conscientização em relação às questões raciais, os números e os percentuais revelam exatamente o contrário.

De cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. Entre 2005 e 2015, a taxa de homicídios de pessoas negras aumentou 18,2%, enquanto a das pessoas não negras diminuiu 12,2% no mesmo período. Ao fazer o recorte de gênero, o abismo se torna ainda mais visível. Enquanto a taxa de homicídios de mulheres não negras teve crescimento de 4,5% entre 2007 e 2017, a taxa de homicídios de mulheres negras cresceu 29,9%. Em números absolutos, entre as não negras o crescimento foi de 1,7%, já entre mulheres negras foi de 60,5%. Os dados são do Atlas da Violência publicado em 2017 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Em relação ao mercado de trabalho, a maior parcela de desempregados é da população negra, são 64,2% do total de 13,7 milhões sem ocupação, de acordo com dados do IBGE. Enquanto 34,6% dos trabalhadores brancos estavam em ocupações informais, entre os pretos ou pardos esse percentual era de 47,3%. Também são os negros que amargam os piores postos de trabalho. Segundo o IBGE, em 2019 os brancos eram 38,92% dos trabalhadores com carteira assinada. Para os pretos e pardos, somente 32,22%. Também são os que ganham menos, com remuneração média quase R$ 1.000 mais baixa que os trabalhadores brancos. A taxa de informalidade é outro dado revelador do racismo estrutural que envergonha o país: enquanto chega a 30,1% dos empregos dos brancos, bate a casa dos 39,9% para os pretos e 43,5% para os pardos.
Dados da The Trans-Atlantic Slave Trade Database reportam que navios portugueses ou brasileiros embarcaram escravos em quase 90 portos africanos, contabilizando mais de 11,4 mil viagens negreiras, tendo 9,2 mil como destino o Brasil. De acordo com a pesquisa, em torno de 4,8 milhões das pessoas que foram escravizadas chegaram ao litoral brasileiro. Os Estados Unidos foram o primeiro país a proibir o tráfico ultramarino de escravos, em 1808. Os britânicos fizeram o mesmo em suas colônias, no mesmo ano, e os holandeses fizeram isso em seus territórios, em 1815.
Os últimos países a abolirem a escravatura foram Cuba, em 1886, Brasil, em 1888, Zanzibar, em 1897, e Etiópia, em 1942. Por muito tempo, o dia mais importante para os negros no Brasil era o 13 de maio, data em que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea. No entanto, a data passou a ser questionada e combatida. Desde a oficialização da lei, a maioria dos negros foi abandonada pelos seus antigos proprietários. Sem emprego, renda e estudos, os negros deixaram de ser escravos e passaram a ser marginalizados pela sociedade de maioria branca e de origem europeia.
ZUMBI DE PALMARES
O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra é resultado de 50 anos de luta do movimento negro brasileiro. Comemorado no dia 20 de novembro, a data foi instituída oficialmente pela lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff. A data é uma referência à morte de Zumbi, em 1695, e resgata a história do povo negro no Brasil, como homenagem ao líder do Quilombo dos Palmares – situado entre os estados de Alagoas e Pernambuco, na região Nordeste do país.
Zumbi nasceu em 1655, no Quilombo de Palmares. Ainda criança foi raptado por soldados e doado ao Padre Antônio Melo, que o batizou com o nome de Francisco e lhe ensinou português e latim. Em 1670, com apenas quinze anos, Francisco fugiu da paróquia e voltou ao seu povo, assumindo a liderança após a morte do poderoso Ganga-Zumba.
O Quilombo dos Palmares pode ser considerado o primeiro local, nas Américas, onde os negros conseguiram a liberdade, durante cem anos de existência no período da era colonial portuguesa no Brasil. O Quilombo surgiu no final do século XVI e teve o seu apogeu na segunda metade do século XVII. O local era cercado e protegido por mais de 200 guerreiros, fortemente armados. As inúmeras vitórias contra expedições do governo colonial resultaram na apropriação de armas e munições. No dia 20 de novembro de 1695, Zumbi morreu em uma batalha contra as forças militares imperiais.








