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TRÊS ANOS APÓS O ASSASSINATO DE MARIELLE, O CRIME NÃO FOI ELUCIDADO E O BRASIL SEGUE SEM RESPOSTAS

por Alexandre Costa (*)

Neste domingo (14/3), há exatamente três anos, Marielle Franco e Anderson Gomes eram executados no Rio de Janeiro. Os assassinatos da então vereadora do PSOL e do seu motorista chocaram o Brasil e o crime estampou as páginas de jornais do mundo inteiro. Ainda hoje existem muitas perguntas sem respostas e inúmeras evidências de que a morte de Marielle foi encomendada pela temida milícia carioca. O poder do crime e a imponência das organizações frente aos órgãos de segurança são tão grandes que a investigação do caso se tornou uma demonstração do quanto o sistema está corrompido.

ilustração: Alexandre Costa / colagens.


As investigações dos assassinatos de Marielle e de Anderson foram simplesmente boicotadas, o que é facilmente comprovado pela quantidade de irregularidades cometidas pelos próprios responsáveis pela elucidação dos crimes e pelas 14 perguntas que seguem até hoje sem respostas.


Em 14 de março de 2018, Marielle Franco, vereadora em primeiro mandato no Rio de Janeiro, saiu de um evento na região central da cidade e se dirigia à Zona Norte, quando um veículo se aproximou e desferiu vários tiros. A vereadora, que estava no banco de trás, foi vítima de quatro disparos. Outros três tiros acertaram o motorista Anderson Gomes. Marielle tornou-se, desde então, um símbolo nacional. Os autores dos disparos estão presos. No entanto, até hoje as investigações não chegaram ao mandante ou aos mandantes.


DELEGADO E EQUIPE EXCLUSIVA Presos desde março de 2019, o sargento aposentado da Polícia Militar Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Queiroz vão a júri popular. No entanto, ainda é uma incógnita o autor intelectual do crime. O caso está nas mãos da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e as investigações seguem com delegado e equipe exclusivos para o caso. De acordo com os órgãos de segurança, no total foram realizadas mais de 100 diligências. Passados três anos, o PM Ronnie Lessa e o ex-PM Elcio Queiroz, apontados pelas autoridades do Rio de Janeiro como os responsáveis, não foram julgados. Durante a investigação, testemunhas foram dispensadas, confissões forçadas e "empecilhos técnicos" impediram a análise de imagens. ESTRANHA COINCIDÊNCIA No dia do crime, segundo o depoimento de um porteiro, Élcio acessou o condomínio onde moram Lessa e Jair Bolsonaro. Ele iria à casa 58, que pertence ao presidente. Segundo o Jornal Nacional, o porteiro disse ter reconhecido a voz de quem atendeu como sendo a do "Seu Jair".


FORÇA-TAREFA O Instituto lançou um dossiê com todas as informações que se têm do caso e uma linha do tempo. Apenas 11% dos homicídios no Rio de Janeiro são solucionados, segundo o Instituto Sou da Paz. Mas o crime político vai muito além dos problemas tradicionais. Recentemente, no dia 4 de março, o procurador-geral de Justiça do Rio, Luciano Oliveira Mattos de Souza, anunciou a criação de uma força-tarefa para concluir as investigações sobre a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Gomes. De acordo com Mattos, a promotora Simone Sibilio, que coordenou as investigações no Gaeco, chefiará a Força-Tarefa. A promotora Letícia Emile, que atuou na investigação, também estará na equipe.


PERGUNTAS SEM RESPOSTAS

Ele levanta 14 perguntas, que até hoje seguem sem resposta:

  • Quem mandou matar Marielle?

  • Qual a motivação do mandante do crime?

  • Por que ainda não se avançou na investigação sobre a autoria intelectual do crime?

  • Qual é a ligação do responsável pela clonagem do carro com o crime e o grupo de milicianos ligado a Adriano Nóbrega e o Escritório do Crime?

  • Qual é a conclusão das investigações sobre o extravio das munições e armas da Polícia Federal usadas no crime?

  • Quem desligou, como e a mando de quem as câmeras de segurança do trajeto que Marielle e Anderson percorreram?

  • Por que não existe uma atuação coordenada das instâncias em níveis estadual e federal sobre a elucidação do caso de Marielle e Anderson?

  • Por que até agora a Google não entregou os dados solicitados pelo MPRJ e a Polícia Civil para a investigação?

  • Por que houve tantas trocas no comando da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, responsável pela investigação do caso Marielle?

  • Houve tentativa de fraude nas investigações? Por quem?

  • Foi aberto um inquérito pela Polícia Federal para apurar as interferências na investigação do caso. Por que em meio a estas investigações, o superintendente regional da Polícia Federal do Rio de Janeiro foi trocado?

  • O presidente Jair Bolsonaro informou que Ronnie Lessa foi ouvido pela polícia federal sobre o caso do porteiro. Este interrogatório foi entregue ao Ministério Público e à Polícia Civil do Rio de Janeiro?

  • Por que o governo brasileiro não forneceu todas as informações demandadas pelo Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nações Unidas?

  • Por que as recomendações da Comissão Externa realizada no âmbito do Congresso Nacional no ano de 2018 ainda não foram implementadas?

Apenas 11% dos homicídios no Rio de Janeiro são solucionados, segundo o Instituto Sou da Paz. Mas o crime político vai muito além dos problemas tradicionais. (*) Alexandre Costa é proprietário, idealizador e jornalista responsável pelo www.esquinademocratica.com

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