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THE INTERCEPT BRASIL:CÉREBRO DE FETOS YANOMAMI TEM 7 VEZES MAIS MERCÚRIO DE GARIMPO QUE O DE ADULTOS


O site do The Intercept Brasil publicou entrevista com o médico da Fiocruz, Paulo Basta, no dia 7 de junho, em que o pesquisador afirma que o cérebro de fetos Yanomami tem sete vezes mais mercúrio de garimpo que o de adultos. Basta também argumenta que o garimpo reproduz a lógica e os efeitos do processo de colonização dos portugueses.


O relatório “Yanomami sob Ataque“, produzido por associações que representam a etnia, não usa meias palavras para descrever a situação do seu povo: o território vive o pior momento de invasão garimpeira desde que foi demarcado, há 30 anos. Nos cálculos do Mapbiomas, de 2016 a 2020, o garimpo em terras Yanomami cresceu 3.350%. A maior parte da área destruída está concentrada nas calhas dos rios Uraricoera e Mucajaí, na região de Waikás, em Roraima. Era onde ficava a aldeia Aracaçá, cuja população de aproximadamente 20 indígenas desapareceu após denúncias de violência praticada pelos garimpeiros. Foi lá também que, em 2014, a equipe de pesquisadores liderada pelo médico Paulo Basta, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, identificou o maior índice de contaminação de indígenas por mercúrio.

O metal pesado é usado no garimpo pois funciona como uma espécie de ímã: ele une os pequenos pedaços de ouro, tornando-os mais visíveis e fáceis de separar. O problema é que, para produzir um quilo de ouro, os garimpeiros aplicam até oito de mercúrio, e a maior parte desse metal é jogada nos rios. Assim, contamina os peixes, principal fonte de proteína dos Yanomami, e sua cadeia alimentar. Nesta entrevista, Basta explica como o mercúrio afeta principalmente as gestantes e as crianças Yanomami desde o útero. “Há estudos que indicam que a concentração de mercúrio no cérebro do feto é de cinco a sete vezes maior do que no cérebro do adulto”, me disse o pesquisador. As consequências duram a vida toda, fazendo com que a criança “não se torne um adulto com pleno potencial de desenvolvimento”.


Além de contaminar rios e pessoas, o garimpo destrói florestas, afetando a disponibilidade das fontes naturais. Segundo o relatório, indígenas sofrem, então, com a restrição ao livre trânsito em suas próprias terras e deixam de “usufruir de áreas utilizadas para a caça, pesca, roça, e da comunicação terrestre e aquática com as comunidades do mesmo conjunto multicomunitário”.


 
 
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