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SYLVIA PLATH (1932 – 1963), COLAGEM DE GABRIEL GUIMARD (*)


Na noite mais fria de 1963, a poetisa Sylvia Plath suicidava-se. Tinha 30 anos e em breve renasceria como um dos mitos da poesia do século XX. Plath é considerada um dos principais expoentes da poesia confessional, narrando em seus versos a intimidade e as angústias de uma mulher e traduzindo em literatura a condição da depressão.


EU ESTOU DE PÉ

Sylvia Plath

Tradução de Rafael Zacca


Mas preferia estar deitada.

Não sou uma árvore de raízes fincadas

Sugando minerais e amor maternal

Para que a cada março eu resplandeça em folhas,

Nem sou a flor mais bela dos canteiros

Delicados, atraindo meu quinhão de “Ais”

Antes do iminente despetalar.


Comparadas a mim, uma árvore é imortal

E uma flor, conquanto pequena, é mais espantosa –

Invejo a longevidade de uma e a ousadia da outra.

Hoje, à luz infinitesimal das estrelas,

As árvores e as flores espalharam seus odores na noite fresca.

Caminho entre elas, mas não me notam.

Às vezes imagino que, dormindo,

Sou sua semelhante –

Penso obscura.


É mais natural se estou deitada;

Assim, o céu e eu conversamos sem segredos.

Serei útil quando estiver enfim deitada:

Aí as árvores serão mãos para mim, e, as flores, demora. (*) Gabriel Guimard é diretor de teatro, professor, mímico, ator, palhaço e colagista.


Para solicitar informações sobre colagens, entrar em contato pelo e-mail: gabrielguimard@gmail.com.

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