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RESULTADO DAS URNAS: O QUE ESTÁ POR TRÁS DO CRESCIMENTO DA ESQUERDA NO RIO GRANDE DO SUL?


A matéria de Luís Gomes, publicada no site Sul21, na última quinta-feira (6/10), traz dados importantes sobre o cenário político do Rio Grande do Sul. A manchete, por si só, já chama a atenção para uma mudança significativa no comportamento do eleitorado gaúcho em comparação aos resultados das urnas em 2018: "PT e PSOL reelegem todos os deputados federais candidatos e ampliam votação em 260 mil votos". Mas o que está por trás do crescimento da esquerda em um dos estados mais conservadores do Brasil?


O aumento expressivo das votações dos deputados federais de esquerda que concorreram à reeleição pelo Rio Grande do Sul indicam uma mudança. Na comparação com 2018, somados, os deputados de PT e PSOL que buscavam a reeleição aumentaram as suas votações em 264.749 eleitores.


O campeão de crescimento foi Paulo Pimenta (PT), que fez 90.023 votos a mais do que em 2018. Fernanda Melchionna (PSOL) teve um salto quase igual, 85.548 a mais. O mesmo aconteceu com Maria do Rosário e Elvino Bohn Gass, terceiro e quarto a registrarem crescimentos em relação ao pleito de 2018, ambos do PT, com 53.747 e 28.917, respectivamente. O crescimento mais modesto entre os petistas que tentavam a reeleição foi de Dionilso Marcon, que fez 6.514 votos a mais em comparação a quatro anos atrás.


CRESCIMENTO DO PSOL

Na mesma matéria, a presidente estadual do PSOL, Luciana Genro, que também cresceu em 37.261 votos a sua votação para deputada estadual, fez uma análise importante sobre a votação do PSOL em Porto Alegre "Nós tivemos 16% de todos os votos para deputado estadual na cidade, somando eu, o Matheus, a Karen e os demais candidatos, é um percentual bastante expressivo", avaliou, mencionando ainda a votação de Fernanda Melchionna, que obteve 91.749 votos somente na capital gaúcha.


GUERRA DOS VOTOS

Ainda que o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) tenha vencido a disputa em 16 capitais brasileiras no primeiro turno, enquanto o ex-presidente Lula chegou na frente em 11 outras capitais, o petista obteve 48,4% dos votos válidos em todo país, enquanto Bolsonaro ficou com 43,2%.


Em Porto Alegre, o petista fez 412.553 votos, o equivalente a 49,8% do total. Já Bolsonaro, somou 323.857 votos, que representam 39,1% do total registrado na capital gaúcha. Lula venceu em Aracaju, Belém, Fortaleza, João Pessoa, Natal, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Luis, São Paulo e Teresina, enquanto Bolsonaro venceu em Belo Horizonte, Boa Vista, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, Macapá, Maceió, Manaus, Palmas, Porto Velho, Rio Branco, Rio de Janeiro e Vitória.


IMPEACHMENT DE DILMA FOI GOLPE No pleito do domingo passado parte dos gaúchos parece ter compreendido que o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, foi um golpe para difamar a esquerda e interromper o ciclo de governos do PT. O mesmo em relação à prisão do ex-presidente Lula, arquitetada para impedi-lo de concorrer em 2018. Ou seja, o conluio formado pela elite brasileira - amparado por parte do Congresso Nacional, do judiciário, da imprensa tradicional e financiada por empresários com a ajuda do capital internacional - foi responsável pela eleição de Jair Bolsonaro.


MORO, DALLAGNOL E AS URNAS Apesar da votação expressiva de Jair Bolsonaro e da eleição de representantes da extrema-direita e também da Lava Jato, o conluio para criminalizar a esquerda e a perseguição a Lula foram desmascaradas. Em 23 de março, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou Sergio Moro suspeito, a pior conduta que pode ser atribuída a um juiz. No entanto, o ex-juiz Moro, que vergonhosamente assumiu como ministro da Justiça do governo Bolsonaro, foi eleito senador pelo Paraná. Já o ex-procurador da República Deltan Dallagnol, que também entrou para a política, se filiando ao Podemos, foi o deputado mais votado no Paraná, com quase 345 mil votos.


A eleição dos representantes da Lava Jato não significa que ambos tenham credibilidade junto à população. Em um país como o Brasil, o poder econômico é determinante para garantir a eleição dos candidatos. A imunidade parlamentar, no caso de Sergio Moro e de Deltan Dallagnol, passou a ser fundamental para eles, diante da própria Justiça.


PROVA DA PARCIALIDADE

"Tudo aquilo que houve de perseguição contra a Dilma, contra o Lula, esse discurso perdeu muita credibilidade. A sociedade percebeu aquilo que a gente dizia, que os processos eram eivados de ilegalidades. O fato dos principais nomes da Lava Jato terem virado candidatos demonstrou que aquela ideia de que era uma ação suprapartidária, apartidária, que eles não estavam ali para fazer carreira, tudo aquilo era mentira. Tanto é que todos eles eram candidatos e mostraram sua face se vinculando ao bolsonarismo. Então, isso derrubou boa parte daquela tese de acusação contra o PT e contra nós", avaliou o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), na matéria de Luís Gomes, publicada pelo Sul21.


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