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REPORTAGEM DA FOLHA DE S.PAULO ABORDA ESTUDO SOBRE O DILEMA DOS DOIS DISCURSOS NA PANDEMIA DO BRASIL

A reportagem de Gabriel Alves, publicada neste sábado ( 18/7) pela Folha de S. Paulo, cujo título é "Abertura em meio a aumento de casos de Covid-19 confunde cérebro na análise de risco" aborta um tema que vem sendo estudado por pesquisadores da área de cognição, mais especificamente sobre um dilema em relação aos dois discursos presentes na pandemia brasileira e que expõem as pessoas a riscos permanentes.

Ou seja, o cérebro humano fica dividido entre se resguardar e também seduzido pelo desejo de que tudo volte à normalidade. E essa dubiedade confunde o cérebro e nos faz tomar decisões erradas. O trabalho foi realizado pelos pesquisadores Alexandre Barbosa, da Sociedade Brasileira de Infectologia e professor da Unesp em Botucatu; Luiz Eugênio Mello, neurocientista e professor da Unifesp e atual diretor científico da Fapesp; e Daniel Kahneman, que ganhou o Nobel de economia em 2002.


A matéria da Folha salienta uma das afirmações do infectologista Alexandre Barbosa: "criou-se um discurso dicotômico entre o que é necessário ser feito e o que nos propomos a fazer. O brasileiro se sente perdido". A reportagem ainda acrescenta que “de maneira simplificada, existem duas maneiras de avaliar riscos. A primeira e mais rápida é também a mais primitiva, por meio da estrutura cerebral conhecida como amígdala (aquelas que ficam na garganta são as tonsilas palatinas, no jargão médico).


“Por mais extraordinário que o cérebro humano seja, ele tem limitações quando analisamos riscos. Isso acontece porque, embora haja diferentes sistemas neurais para tentar entender que tipo de ação vale ou não a pena tomar, ainda tropeçamos em obstáculos impostos pela nossa própria natureza ao decidir, por exemplo, durante o curso da pandemia, se podemos sair de casa e, caso isso aconteça, como vamos nos comportar. Se somarmos isso ao fato de que as informações que o indivíduo recebe podem ser conflitantes —ao mesmo tempo em que há alta de casos e mortes, a economia começa a ser reaberta, pessoas se aglutinam em bares, e festas começam a ser organizadas—, traçar o melhor caminho a seguir pode se tornar um fardo. Diante de algo potencialmente aversivo, a atividade da amígdala provoca aquela sensação de alerta, gerada pela descarga de adrenalina, hormônio associado a comportamentos de luta ou fuga.”

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