PARA ALÉM DAS URNAS, O DESAFIO EM 2022 TAMBÉM SERÁ COMBATER A INTOLERÂNCIA E OS DISCURSOS DE ÓDIO
- Alexandre Costa

- 21 de mai. de 2021
- 2 min de leitura
Os eleitores de Jair Bolsonaro estão decepcionados com o presidente e com o governo que ajudaram a eleger. No entanto, mesmo assim, muitos ainda justificam o seu voto com o argumento de que o importante era derrotar o PT. Por trás do discurso da criminalização de Lula, da demonização dos partidos de esquerda, do negacionismo, do desprezo à ciência, à democracia, aos direitos humanos e às diferenças, se escondem os pilares do fascismo.

foto: Ricardo Stuckert
O desafio que se apresenta nas eleições de 2022 para as forças progressistas e democráticas e para os partidos de esquerda e centro-esquerda será bem maior que vencer Bolsonaro nas urnas. Além de barrar a covid-19, de recuperar a economia e garantir comida e renda para a população carente, o Brasil precisa investir no combate aos retrocessos que sustentam a cultura da intolerância e os discursos de ódio que se proliferam do Oiapoque ao Chuí.
Combater o fascismo será tão importante quanto vencer a eleição. Por isso, o Brasil deve investir na humanização do seu povo e da sua sociedade, como forma de combate à idolatria das armas e à devoção a personagens como Brilhante Ustra, um militar sanguinário, que matou e torturou opositores à ditadura.
Para além das urnas, o que está em disputa são as narrativas, o que torna urgente a capacidade de comunicação com aqueles que foram cooptados pela ideia de uma sociedade intolerante, distante dos princípios humanitários e do estado democrático de direito. Os desafios que o país tem pela frente colocam o Brasil diante de uma espécie de corrida contra o tempo para barrar a proliferação do machismo, da misoginia, do sexismo, da homofobia, do racismo e das diversas formas de violência e de preconceitos.
Em 2002, a extrema-direita também utilizava um discurso de criminalização, dirigido à classe-média, utilizando a imagem criada pela imprensa sobre o Movimento dos Sem Terra, simbolizando a desordem e o vandalismo. Durante o período eleitoral, eram espalhados boatos, que tinham a mesma força das fake news de hoje. Os argumentos de que o governo Lula estabeleceria políticas relacionadas ao direito à propriedade e de que faria apropriações de imóveis, limitando a posse somente à moradia para a família, foram exaustivamente combatidos. Lula venceu a eleição contra José Serra e também derrotou inúmeros boatos e uma série de preconceitos.
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