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OUTRO JORNALISMO É POSSÍVEL: NEM SEMPRE VELOCIDADE SIGNIFICA ESTAR À FRENTE DE TUDO E DE TODOS

por Alexandre Costa

As novas tecnologias impõem ritmos frenéticos à vida contemporânea. Porém, nem sempre velocidade significa estar à frente de tudo e de todos. A pressa e a rapidez com que as informações são absorvidas no chamado mundo cibernético podem causar consequências desastrosas, seja individualmente ou do ponto de vista coletivo. Não podemos, evidentemente, negar a importância da internet e os avanços que ela trouxe, traz e continuará trazendo à humanidade. No entanto, além do risco da desinformação, consequência dos bombardeios de fake news, surgiram novas e inconvenientes formas de distribuição de conteúdo na rede.


A Internet cresce a cada dia e a estimativa é de que aproximadamente 4,66 bilhões de pessoas sejam usuários das redes, o que representa mais da metade dos cerca de 7,8 bilhões de habitantes do planeta. Ao "floodar a time line" (enchente de mensagens e postagens), os milhões de usuários (ativistas ou “social mídias”) acabam inundando o espaço virtual. Uma das alternativas que vem ganhando força no universo tecnológico, principalmente por um público mais seleto e qualificado, é o "detox digital". Uma espécie de desintoxicação em relação à produção de conteúdo na web.


A partir de percepções mais recentes sobre o comportamento dos usuários da rede, o que se observa é uma crescente adesão às posições de vanguarda que defendem um processo mais consciente na elaboração das notícias, como oposição à cultura da produtividade. Inspirados em iniciativas como Slow Food e Slow Fashion e preocupados com o futuro da imprensa, o novo "politicamente correto" passou a ser refutar os padrões que submetem o Jornalismo à lógica das avaliações métricas, baseadas na quantificação de acessos.


A avalanche de informações depositadas diariamente nas redes sociais pode estar associada à queda da credibilidade da imprensa. A proliferação das fake news (noticia falsa) e a inundação de conteúdos depositados no universo virtual tem sido objeto de estudos e de pesquisas em todo o mundo. Checar dados e aprofundar a veracidade dos fatos, passou a ter relevância no processo de construção das notícias, impondo-se ao imediatismo e a busca pelo "furo" de reportagem. Infelizmente, esta é uma tendência minoritária ainda, tanto nas redações dos grandes veículos de imprensa quanto nos bastidores dos chamados veículos alternativos e independentes.


Ao contrário da doce utopia que nos faz andar, a realidade do Jornalismo é amarga: o consumo excessivo de notícias e a sobrecarga de informações nos conduzem à precarização das atividades profissionais e do próprio manejo das informações. Lançado em abril deste ano, o novo Digital News Report, do projeto Trust In News do Instituto Reuters para Estudos do Jornalismo na Universidade de Oxford, atribui a queda da credibilidade a dois aspectos importantes para o jornalismo: a polarização da sociedade e o impacto das plataformas digitais em relação ao acesso a informações.


Independente da velocidade imposta pelo imediatismo, o Jornalismo deve ser responsável e consciente, com informações essenciais e confiáveis, o que garante uma melhor qualidade de conteúdos. Podemos afirmar que outro Jornalismo é possível, mas é imprescindível que esta bandeira esteja diretamente relacionada às lutas históricas por salários justos, carga horária digna e ambientes profissionais saudáveis.

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