OS MILHÕES, O PIVETE E JESUS, POR PAULO GAIGER*
Atualizado: há 2 horas

O universo brasileiro da corrupção, de favores, de mentiras, de gente ruim e de caras de pau é imenso. Esse imenso envolve sempre um mesmo grupo, um mesmo perfil de terno e gravata ou farda, às vezes de toga, às vezes empunhando metralhadoras contrabandeadas, às vezes montando camionetes superequipadas, sempre homens com os testículos na cabeça prometendo acabar com a violência que eles mesmo produzem e que dela dependem para se darem bem. A Polícia Federal não para de descobrir tentáculos, abraços e irmãos de delinquência e crime. Todo este trabalho pode ser perdido. Flávio Bolsonaro, um dos mais citados e envolvidos, começou negando, mas diante das evidências e provas, faz olhares de que tudo isso não tem importância, tipo “quem em meu lugar não faria o mesmo?”. O mais triste é que os milhões roubados e desviados em seu empreendimento Kopenhagen, por Vorcaro ou doados por emendas a milicianos, valem muito menos que um celular roubado por um pivete. Essa é a jogada do andar de cima do crime organizado: para as pessoas pobres e trabalhadoras o roubo do celular tem um impacto na vida diária mais real e sentido que os milhões de reais da lojinha de chocolates e do banqueiro ladrão, sexualmente perturbado e pervertido. No debate da Band, Flávio não respondeu a nenhuma pergunta do Lula sobre os milhões e sobre a sua atividade legislativa tenebrosa para as mulheres, mas trouxe a sua disposição em prender todos os pivetes que roubam celulares. Boa parte da população deseja o linchamento do menino ladrão, drogado ou não, mas não tem nenhum impulso semelhante em relação aos ricos ladrões e embusteiros. Também assassinos como alguns pivetes. Gente pobre aprendeu a admirar a gente rica que lhe faz mal. É um reflexo de nossa história, de nossa cultura montada no trabalho escravo, no massacre indígena e na submissão das mulheres. Desde o Brasil colônia, para alcançar um lugar ao sol, era preciso lamber os ovos do chefe, do poderoso, do rei Dom João VI, dos inúmeros tiranos que o país teve. A saída para garantir-se vivo ou viva era bajular as classes ricas, as oligarquias, os escravistas, que sempre pilharam o país e seu povo impunemente. Flávio Bolsonaro representa este tipo de poder, nenhuma mudança, mas a retomada do poder pela plutocracia animada pela bênção evangélica. O envolvimento dele com Willer Tomaz, com milicianos e com o próprio Vorcaro não tem peso algum, é como se fosse um capricho do algoz em formação. Um detalhe. Como representa o poder dos ricaços, muita gente o admira e o alaba porque acha que assim tem que ser, mesmo ele sendo corrupto, violento, mentiroso, misógino, racista e defensor de assassino de criança. Lula representa os mais pobres e a as políticas de humanização do país, portanto, não atendendo à voracidade dos ricos, toda a fake news lançada sobre ele ou sobre seu filho vira um crime concreto. Lula não está debatendo com Ulisses Guimarães, Brizola, Covas, FHC ou Serra, carinhas que de outro modo, pensavam o bem do país. Ele tem à sua frente um marginal, um imbecil, um amigo de milicianos, irmão de ladrão rico, um patife. Na hipótese de o fascista vencer as eleições, teremos um governo de ricaços golpistas, de milicianos armados, de censura, prisões e execuções sem mais. Como queria o seu pai. E em nome de Jesus, um nome mágico para justificar injustiças e extermínios. Isso a história também revela. * Paulo Gaiger é artista, cronista 📲 CURTA, COMPARTILHE E CONTRIBUA
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