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ONDE EXISTE TERRA INDÍGENA DEMARCADA, A NATUREZA É PRESERVADA, POR JÚLIA LANZ


Por que deve ser compromisso de todas e todos nós a causa indígena?

Neste Dia Internacional dos Povos Indígenas, trago a reflexão e o questionamento, que não deve ficar somente nesta data, sobre qual deve ser o compromisso que nós, pessoas não-indígenas, devemos ter com a população indígena. Não tem como dissociar o Brasil e os povos indígenas, são a verdadeira população originária do nosso país, os verdadeiros donos de toda essa terra.


Muitos séculos se passaram desde a chegada dos portugueses por aqui. Assim como aconteceu e continua acontecendo no Brasil, povos originários em outros continentes também sofreram com invasões, colonização e exploração dos seus territórios. Os povos indígenas continuam resistindo e jamais deixaram de lutar.


Governos vão, governos vêm e, conforme o interesse de quem está no poder, se protege mais ou menos essa população. Existem, mas ainda são poucas as políticas de Estado que garantam a vida, a terra, a cultura e a dignidade de cada indígena desse país. Se não fossem os inúmeros povos existentes na região Amazônica, o caos ambiental que hoje nos encontramos seria infinitamente pior.


O Brasil e o mundo têm muito a aprender, especialmente sobre proteção ambiental, com os povos originários. Sejam os que vivem nas florestas, sejam os que saíram delas por necessidade ou vontade, e hoje ocupam espaços em centros urbanos, universidades, organizações... Não tem como separar a causa ambiental e a causa indígena. E não é à toa que a Amazônia é chamada de pulmão do mundo. A floresta não é fundamental somente para o Brasil ou para os países amazônicos, mas para o equilíbrio de todo o planeta.


Nesse sentido, vale lembrar dois grandes e importantes eventos ocorridos nesse início de agosto. O Diálogos Amazônicos, onde a sociedade civil produziu relatórios importantes com reivindicações e propostas para o desenvolvimento e a proteção da floresta e de seus povos. Os relatórios foram entregues aos governos amazônicos reunidos em Belém do Pará, para a Cúpula da Amazônia. Foi a primeira vez em 45 anos que a sociedade civil foi recebida e ouvida pela Organização do Tratado de Cooperação Amazônica – OTCA. Oito países assinaram o acordo de Belém, que prevê ações comuns para preservação e proteção aos países que possuem território amazônico.


Não há dúvidas de que, desde o início do governo Lula, se retomou o apoio e se avançou na luta em defesa da Amazônia, do Meio Ambiente e dos povos indígenas. Além da criação de um ministério específico, liderado por Sônia Guajajara, uma ministra indígena, a Fundação Nacional do Índio - FUNAI, pela primeira vez, pasmem, tem uma pessoa indígena à frente, a deputada federal Joenia Wapichana. Aliás, nas eleições de 2022 ampliamos o número de indígenas no Parlamento, ainda insuficiente em relação ao ideal, é verdade.


Logo no início do governo Lula, já vimos ações de combate ao garimpo ilegal, tão incentivado e facilitado pelo governo de Jair Bolsonaro. Houve uma grande ação organizada para proteção e garantia da vida do Povo Yanomami, que foi deixado sem acesso a políticas públicas, passando fome, adoecendo e morrendo, também por ação do governo Bolsonaro. Há agora, essa participação de 30 mil pessoas contribuindo no Diálogos Amazônicos.


Sim, muito está sendo feito. Mas sem dúvida alguma ainda não é o suficiente. É preciso correr muito para tentar chegar o mais próximo possível de recuperar o estrago de séculos. Os povos indígenas são sinônimo de resistência, faz séculos que lutam incansavelmente, defendem sua existência, sua cultura, mas também a proteção ambiental, independente de fronteiras. A luta deles é para garantir a preservação da vida no Planeta. A luta deles é por toda a humanidade. E tu, o que está fazendo para contribuir com essa luta?


Não temos como lutar por eles, não temos como nos colocar em frente às balas dos garimpeiros, mas podemos lutar pela proteção ambiental e nos posicionar nas redes e nas ruas, sempre que a pauta entrar em discussão. Por isso, hoje, te convido a se somar à luta contra o Marco Temporal, que reduz as terras indígenas demarcadas, e também para refletir sobre uma importante e animadora constatação: onde existe terra indígena demarcada, a natureza é preservada.


*Júlia Lanz é jornalista

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