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O "DESAPAGA POA" RESGATOU A HISTÓRIA DA ESQUINA ZAIRE, MAIS CONHECIDA COMO ESQUINA DEMOCRÁTICA

Selecionado no edital Criação e Formação - Diversidade das Culturas, da Secretaria Estadual da Cultura - SEDAC/RS - e Fundação Marcopolo e é realizado com recursos da Lei 14.017, de 2020 (a Lei ALDIR BLANC), a série de dez episódios em podcast, que fazem parte do projeto "Desapaga POA" vem resgatando a memória sobre a história das comunidades negra, indígena e das periferias. A pesquisa, os textos e a elaboração dos roteiros da série PERIFERIAS são de Carlos Raimundo Pereira, Guilherme Maffei Brandalise, Juliana Mohr, Vinícius Furini; e a edição é de Vítor Ortiz.

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Diversos estudos acadêmicos nas áreas da geografia e da antropologia têm sido dedicados, nos últimos anos a identificar os teoricamente existentes “territórios negros de Porto Alegre”, como aqueles que se constituíram a partir dos encontros semanais que se davam após às 18h das sextas-feiras, no centro da cidade - na conhecida “Esquina Democrática” – que a partir da Copa de 1982 também passou a ser chamada de “Esquina do Zaire” – e em diversos outros pontos, como defronte à Loja Maçon e, mais tarde, defronte também ao Shopping Rua da Praia.


O quinto episódio do "Desapaga POA" volta à Copa do Mundo de Futebol da Alemanha e resgata parte importante da história da capital gaúcha. Este episódio remonta a cultura da cidade. Era o primeiro evento do futebol mundial a ser televisionado para todos os continentes, gerando imagens instantâneas para uma plateia de bilhões de pessoas ao redor do globo. Eis que pisa nos gramados a seleção do Zaire. Nome do país centro-africano, denominado de República Democrática do Congo, e que de 1971 a 1997 foi nominado como Zaire. O selecionado zairense é a grande surpresa: pela primeira vez o mundo acompanha uma seleção de futebol formada exclusivamente por atletas negros. O Brasil olha espantado, e o imaginário popular passa imediatamente a chamar lugares ou eventos associados com a comunidade negra de Zaire. Naquele lugar só tinha negros, parecia um Zaire, passou a ser expressão plenamente compreensível no meio popular.


Porém, ainda faltava um pequeno empurrão do destino para que o povo preto de Porto Alegre assumisse que o Zaire é aqui, ali na Rua da Praia, mais precisamente na esquina com a Av. Borges de Medeiros, também chamada de Esquina Democrática.


O ano agora era 1982. Copa do Mundo na Espanha. Novamente a paixão e atenção nacional estava voltada para “ver o escrete brasileiro jogar”, como bem diz o samba de Sergio Sampaio, Fala Zé Bedeu, marcado pela voz de Luiz Melodia. Pela primeira vez na história deste torneio mundial de futebol, Brasil e Zaire disputariam uma partida. Este acontecimento dividiu os corações e mentes da população negra que marcava seus encontros no centro da cidade. Uma parte significativa decidiu torcer para a seleção do Zaire, houve intensa mobilização e foi distribuído um impresso alternativo que recebeu o título de Boletim do Zaire, que ao falar do país africano estava era falando dos negros daqui, ou seja, buscava um encontro com suas verdadeiras raízes étnicas.


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