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O Capitalismo Neoliberal está Destruindo as Sociedades e o Planeta, por Enio Cardoso

Muito embora a maioria das pessoas não consiga se dar conta disso, a humanidade está atravessando a maior e mais severa crise de sua história. Esta é uma crise que vai muito além do sistema econômico e abarca todos os aspectos da vida humana na terra. Como bem disse Nancy Fraser (cientista social estadunidense), o capitalismo neoliberal, após várias décadas de acumulação desenfreada, está deixando profundas marcas em todos os setores das sociedades humanas.


A primeira dessas marcas é, na verdade, uma inacreditável inversão de valores. Hoje, as sociedades humanas vivem para satisfazer a ganância do mercado e enriquecer, cada vez mais, meia dúzia de bilionários e suas corporações, as quais dominam toda a economia mundial. As pessoas não têm mais qualquer importância. Os interesses do mercado pairam e predominam sobre todas as coisas.


Com esta inversão de valores, e a supremacia do mercado, o capitalismo neoliberal, não paga, a quem trabalha e produz, sequer o mínimo necessário para sustentar a reprodução social. Entenda-se aqui reprodução social como toda a infraestrutura de relações e atividades humanas que sustentam as sociedades, das quais o sistema econômico depende para sobreviver, incluindo a mão de obra, da qual o capitalismo usufrui sem pagar pela sua formação. Sim, é a sociedade como um todo, e os indivíduos em particular, que pagam a formação de mão de obra, que abastece o capitalismo. Em consequência desse desequilíbrio entre produção de bens de consumo e reprodução social, temos um aumento vertiginoso da pobreza e desigualdade ao redor do mundo.


Para que possa praticamente escravizar os seres humanos, sem ser importunado, o capitalismo neoliberal, com a inestimável ajuda da grande mídia privada, de sua propriedade, está destruindo toda a capacidade de intervenção dos poderes públicos constituídos. Os estados nacionais, e qualquer sistema de proteção às pessoas, estão sendo desmantelados. Todos os serviços públicos estão sendo transferidos para dar lucro aos donos do capital, porque o capitalismo quer os estados nacionais fortes apenas na defesa dos seus interesses e para reprimir rebeliões antissistêmicas, não para implementar políticas públicas e programas sociais que possam proteger as pessoas.


Por último, o imediatismo da acumulação sem fim do capitalismo neoliberal está destruindo o planeta. O sistema retira da natureza, também de forma gratuita, a matéria prima e a energia necessárias para a produção de todos os bens de consumo, mas não as repõem, como se a terra fosse uma fonte inesgotável de recursos para satisfazer a ganância dos donos do capital. A única coisa que o sistema devolve à natureza são os dejetos oriundos de sua produção, transformando o planeta em uma grande lata de lixo.


Portanto, qualquer outra forma de sistema, que pretendamos pensar para o futuro, seja lá o que for, precisa se caracterizar por um irreversível anticapitalismo. Isso porque dentro do sistema atual, pelas razões mencionadas acima, vai ser impossível alcançarmos um estágio que possa colocar os seres humanos como prioridade e corrigir os desequilíbrios entre a produção de bens de consumo e reprodução social. Vai ser impossível reestabelecermos a capacidade dos poderes públicos de intervirem em favor das pessoas e não apenas dos donos do capital. E por último, dentro do sistema atual, vai ser impossível estancarmos a sangria e destruição do planeta, pois para o capitalismo neoliberal, a natureza só existe para satisfazer a sua sede de lucro e acumulação imediatas e não para abrigar os seres humanos.


*Enio Cardoso é Cientista Político

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