MORRE BAGRE FAGUNDES, UM DOS GRANDES GUARDIÕES DA CULTURA GAÚCHA, AOS 86 ANOS, EM PORTO ALEGRE
- Alexandre Costa

- 3 de ago.
- 4 min de leitura

Cantor, compositor e instrumentista integrou Os Fagundes e ajudou a transformar “Canto Alegretense” e “Origens” em símbolos da identidade cultural do Rio Grande do Sul.
O Rio Grande do Sul perdeu, neste domingo (2/8), um de seus grandes representantes culturais. Euclides Fagundes Filho, conhecido como Bagre Fagundes, morreu aos 86 anos, em Porto Alegre. A informação foi confirmada por seu filho Ernesto Fagundes.[1] Bagre estava internado no Hospital Ernesto Dornelles desde maio, depois de sofrer uma parada cardiorrespiratória ao se engasgar durante o almoço em sua residência, na capital gaúcha.[1]
Cantor, compositor e instrumentista, Bagre Fagundes foi um dos responsáveis pela preservação e pela transmissão da cultura regional do Rio Grande do Sul entre diferentes gerações. Sua trajetória esteve profundamente ligada à música, à família, ao tradicionalismo e à valorização das raízes culturais gaúchas.
UMA VIDA DEDICADA À CULTURA DO RIO GRANDE DO SUL
Bagre Fagundes nasceu em Uruguaiana, na Fronteira Oeste, em 3 de outubro de 1939, e passou a infância no Alegrete.[1][3] Foi naquela região que construiu grande parte das referências culturais que mais tarde levaria aos palcos, aos festivais, ao rádio e à televisão.
Sua carreira musical começou ainda jovem, em apresentações na Rádio Cultura de São Borja. [1] Com sua característica gaita de quatro baixos, percorreu diferentes regiões cantando histórias, afetos, paisagens e costumes do povo gaúcho.[1]
Sua obra ajudou a manter a tradição viva, popular e compartilhada. A música tornou-se, em sua trajetória, um instrumento de memória coletiva, pertencimento e afirmação cultural.
Entre as décadas de 1970 e 1980, Bagre integrou o grupo Os Angüeras. Posteriormente, criou com os filhos Neto e Ernesto o Grupo Inhanduy.[1]
O trio conquistou diferentes festivais realizados no Estado, entre eles a Tertúlia Musical Nativista de Santa Maria, a Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana e a Ronda da Canção Nativa de Alegrete.[1]
A experiência do Grupo Inhanduy contribuiu para o surgimento de Os Fagundes, criado oficialmente em 2001. O conjunto reuniu Bagre, o irmão Nico e os filhos Neto e Ernesto. Na formação mais recente, Paulinho Fagundes também passou a integrar o grupo.[1]
“CANTO ALEGRETENSE” E “ORIGENS”: CANÇÕES QUE SE TORNARAM PATRIMÔNIO AFETIVO
Ao lado do irmão Antônio Augusto Fagundes, o Nico Fagundes, Bagre foi responsável por algumas das composições mais conhecidas da música regional gaúcha.[1]
A principal delas é “Canto Alegretense”, criada pela parceria entre os dois irmãos. Nico escreveu os versos e Bagre compôs a melodia com sua gaita de quatro baixos.[1][3]
A canção ultrapassou as fronteiras do Alegrete e tornou-se uma das obras mais representativas da música gaúcha, alcançando projeção nacional.[1]
Dados divulgados pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição mostram que “Canto Alegretense” foi a composição de Nico Fagundes mais executada publicamente nos dez anos anteriores a 2025.[2] O levantamento também demonstra a permanência da parceria entre Nico e Bagre no repertório cultural do Rio Grande do Sul.
Outro marco dessa trajetória é “Origens”, composição associada durante quase quatro décadas à abertura do programa Galpão Crioulo, da RBS TV.[1] A canção tornou-se uma declaração de pertencimento ao Rio Grande do Sul e uma síntese do legado cultural construído pela família Fagundes.
“Canto Alegretense” e “Origens” ultrapassaram seus próprios autores. Passaram a integrar festivais, apresentações, encontros familiares e diferentes momentos da vida cultural gaúcha.
MÚSICA, FAMÍLIA E TRANSMISSÃO ENTRE GERAÇÕES
A família ocupou um lugar central na vida e na obra de Bagre Fagundes. Casado por mais de seis décadas com Marlene Vilaverde, teve quatro filhos: Euclides, conhecido como Neto Fagundes, Ernesto, Luciana e Paulinho.[1]
Com os filhos e o irmão Nico, Bagre construiu uma das famílias artísticas mais reconhecidas do Rio Grande do Sul. A maior parte de sua discografia foi desenvolvida ao lado dos familiares.[1]
Mesmo durante o período de internação do patriarca, Os Fagundes mantiveram seus compromissos artísticos. A família decidiu seguir com as apresentações por entender que Bagre gostaria de vê-los nos palcos, tocando, cantando e celebrando a cultura gaúcha.
Essa continuidade é uma das expressões mais profundas de seu legado. Bagre não deixou somente composições e gravações. Deixou uma família comprometida com a música e um caminho aberto para que outras gerações continuem conhecendo e valorizando as manifestações culturais do Rio Grande do Sul.
UM LEGADO QUE PERMANECE
A morte de Bagre Fagundes encerra uma trajetória pessoal, mas não interrompe sua presença na cultura gaúcha. Ela permanecerá nas canções, nos festivais, na memória dos palcos e na história de uma família que fez da música um compromisso de vida.
Seu legado demonstra que a cultura se mantém viva quando é transmitida, compartilhada e renovada. Ao transformar suas raízes em música, Bagre ajudou o Rio Grande do Sul a reconhecer a si mesmo.
O Esquina Democrática manifesta sua solidariedade à esposa, Marlene Vilaverde, aos filhos Euclides — o Neto Fagundes —, Ernesto, Luciana e Paulinho, aos demais familiares, amigos, companheiros de trajetória e admiradores de Bagre Fagundes.
A cultura gaúcha perde uma de suas maiores referências. Ficam sua música, seu exemplo e um patrimônio cultural que continuará atravessando gerações.
FONTES PARA CHECAGEM
[1] GZH — “Morre Bagre Fagundes, ícone da cultura gaúcha, aos 86 anos” Sustenta as informações sobre a morte, confirmação feita por Ernesto Fagundes, internação, parada cardiorrespiratória, família, trajetória musical, participação nos grupos, festivais, “Canto Alegretense” e “Origens”.
[2] ECAD — “Legado musical de Nico Fagundes é celebrado dez anos após sua morte” Sustenta a informação de que “Canto Alegretense”, parceria de Nico e Bagre Fagundes, foi a obra de Nico mais executada publicamente no período analisado pelo ECAD.
[3] Grupo Oceano — “Morre Bagre Fagundes, um dos maiores nomes da música tradicionalista gaúcha, aos 86 anos” Fonte complementar para a data e o local de nascimento, a infância no Alegrete e a trajetória cultural de Bagre Fagundes.
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