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MESMO COM A VITÓRIA DE LULA, A RESISTÊNCIA À EXTREMA DIREITA FASCISTA SE FAZ AINDA MAIS URGENTE

por Alexandre Costa (*)

Mesmo com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro, a resistência aos bolsonaristas se faz cada vez mais necessária. Ao que tudo indica, a luta contra a extrema direita e o fascismo emergente do Brasil recém começou e ainda deve se arrastar por algum tempo. As manifestações antidemocráticas que chocam o país são fruto dos valores perversos alimentados pela nossa elite retrógrada e atrasada. O triste espetáculo protagonizado pelos seguidores do atual presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato derrotado nas urnas, é deprimente.


As insanidades registradas nos atos à beira das rodovias, nas imediações de quarteis e, principalmente, nas redes sociais demonstram que nos tornamos um país socialmente doente. Não é à toa que passamos a chamar de manada este grupo de pessoas pobres de espírito e incapazes de discernir suas atitudes. Tal qual torcedores ensandecidos, anestesiados pelo fanatismo primitivo, estão dispostos a agredir, difamar e até mesmo matar opositores à ideologia nefasta que seguem.


Por trás dos discursos falaciosos de defesa da pátria, de valores divinos e exaltação à família, se esconde o que de pior há nos humanos. Esta barbárie contemporânea é responsável por inúmeros crimes de ódio, intolerância política e religiosa, racismo, homofobia, machismo, xenofobia, destruição ambiental e desapego pela vida de maneira geral.


Diante de um cenário caótico, é cada vez mais urgente e necessário barrar o fascismo, enfrentando os desafios que se impõem, diariamente, em nossas vidas, para a construção de uma sociedade mais justa, humana, democrática e solidária.


Devemos ressaltar atitudes e iniciativas de resistência à extrema direita fascista, como fez o estudante Antônio, de 15 anos (foto acima), que reagiu ao ver colegas, insatisfeitos com o resultado da eleição, divulgando mensagens racistas e de apologia ao nazismo. Além de denunciar o grupo à direção do colégio Visconde de Porto Seguro, um dos mais tradicionais de São Paulo, o garoto subiu em uma cadeira no refeitório da escola e protestou pela atitude criminosa dos alunos da unidade de Valinhos, a 90 quilômetros da capital. “Só o fato de eu ser um dos poucos negros em uma escola repleta de brancos, eu precisava criar essa consciência para poder viver nesse ambiente. Um negro no meio de muitos brancos, um negro com dinheiro”, afirmou Antônio.


A instituição, que tem mensalidade no valor de até R$ 4 mil, foi fundada por imigrantes alemães no final do século XIX e se orgulha do currículo internacional, com aulas em português, inglês, alemão e espanhol. Na sexta-feira (4/11), o colégio Visconde de Porto Seguro expulsou oito alunos responsáveis pela criação do grupo. O colégio afirma combater todas as intolerâncias e que o protesto contra Lula foi dissipado em três minutos. O caso foi revelado pelo site “Ponte Jornalismo” e por reportagem apresentada no Fantástico, da Rede Globo, no último domingo (6/11).


O exemplo do estudante Antônio sintetiza a luta de um país: "fascistas, racistas, machistas... não passarão"!!!


(*) Alexandre Costa é jornalista, responsável pelo www.esquinademocratica.com

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