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Lula critica gastos em armas diante da fome e da necessidade de mudanças climáticas


O primeiro discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Sessão de Abertura da Presidência da COP 28, em Dubai, nos Emirados Árabes, na sexta-feira (1/12), reafirmou a posição do Brasil sobre armas e guerras. Lula disse que gastos com armas deveriam ser usados contra a fome e a mudança climática, como o impacto climático afeta o Brasil. O presidente também falou sobre a necessidade de mudanças na economia para que o mundo seja menos dependente de combustíveis fósseis. Veja abaixo o vídeo com o discurso de Lula e a repercussão entre lideranças mundiais.

O mundo já está convencido do potencial das energias renováveis. É hora de enfrentar o debate sobre o ritmo lento da descarbonização do planeta e trabalhar por uma economia menos dependente de combustíveis fósseis. Temos de fazê-lo de forma urgente e justa. Vamos trabalhar de forma construtiva, com todos os países, para pavimentar o caminho entre esta COP 28 e a COP30, que sediaremos no coração da Amazônia" No dia seguinte, sábado, Lula quebrou o protocolo e chegou ao palco acompanhado da ministra Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), a quem fez questão de passar a palavra. Ao recordar a ligação de Marina Silva com a floresta Amazônica, Lula se emocionou.


“Eu acho que esse encontro de hoje é sem precedente da história das COPs. Vinte e oito edições da COP para que pela primeira vez a floresta viesse falar por si só. E eu não poderia usar a palavra sobre a floresta se tenho no governo uma pessoa da floresta. A Marina nasceu na floresta, se alfabetizou aos 16 anos. E acho que é justo que para falar da floresta, em vez de falar o presidente que é de um estado que não é da floresta, a gente ouça ela, que é a responsável pelo sucesso da política de preservação ambiental que estamos fazendo no Brasil”, disse o presidente, diante de aplausos dos participantes.


Igualmente emocionada, a ministra lembrou que o compromisso de Lula com a preservação e proteção das florestas começou logo no primeiro dia do terceiro mandato. “É uma grande honra estar aqui nesse fórum que trata de oceanos, de florestas, com tantas iniciativas. O presidente Lula, quando assumiu o governo, assinou dez decretos presidenciais. Desses dez, cinco eram sobre meio ambiente e maior parte sobre a proteção das florestas e dos povos originários”, recordou Marina Silva.


A ministra também ressaltou que a política ambiental adotada pelo país neste ano foi responsável por grande redução do desmatamento da Amazônia. “Já conseguimos, nos 10 primeiros meses, reduzir o desmatamento que estava numa tendência de alta assustadora. Reduzimos o desmatamento em 49,5%, evitando lançar na atmosfera 250 milhões de toneladas de CO2. Se não fossem essas medidas tomadas, teríamos um aumento do desmatamento de 54% e não uma queda de 49% nesses 10 meses”.


REPERCUSSÃO O chamado do presidente a uma ação internacional imediata e concreta encontrou eco automático. A perspectiva de cobrar o cumprimento de metas antigas acordadas e por uma mudança no padrão que permite que as mudanças climáticas causem mais danos e prejuízos às populações mais pobres também foi bem recebida por diversos integrantes do evento em Dubai, nos Emirados Árabes.


O presidente Lula abriu a fala citando uma frase da queniana Wangari Maathai, ganhadora do prêmio Nobel da Paz: “A geração que destrói o meio ambiente não é a geração que paga o preço”. A lembrança emocionou o governador do condado de Vihiga, no Quênia, Wilber K. Ottichilo.

“É tão importante para um presidente de uma grande nação como o Brasil lembrar o que a professora Wangari Maathai disse anos atrás e ligar essas palavras com o que está acontecendo hoje. Estou orgulhoso de que o presidente do Brasil possa enquadrar essas palavras no discurso que fez aqui em Dubai”, afirmou Ottichilo.

Para ele, o esforço brasileiro que vai culminar na realização da COP 30 em Belém (PA), em 2025, é louvável e comprova a importância que o governo brasileiro dá ao combate às mudanças climáticas e a transição rumo a uma economia sustentável e de baixa emissão de carbono.

“Isso é a melhor coisa que pode acontecer. Acho que tivemos muita conversa em todas as conferências sobre a mudança climática e agora é hora de irmos da conversa para a ação. Ter a COP 30 na floresta tropical do Brasil será algo de grande interesse para o mundo. Ver o que o Brasil tem e precisa para conservar esta floresta, que é muito importante, que é a floresta do mundo”, prosseguiu o queniano.

Quem também ressaltou o discurso do presidente Lula foi a diretora de saneamento e recursos hídricos de Gana, Patricia Akua Sampson. “O que mais me impactou foi sua paixão no sentido de conseguir que os temas ligados às mudanças climáticas sejam devidamente tratados. Muitas pessoas já falaram, mas ele foi impactante. E isso eu gostei de ver”, disse a representante do país africano. Wilber Ottichilo (Kenya), Gail Whiteman (Canada), Patricia Akua (Ghana), David Atkin (England) and Liyang Zhu (China): hope in Lula's message. Photos: Luiz Roberto Magalhães / Secom / PRAcho que tivemos muita conversa em todas as conferências sobre a mudança climática e agora é hora de irmos da conversa para a ação. Ter a COP 30 na floresta tropical do Brasil será de grande interesse para o mundo.

AMAZÔNIA E ÁRTICO – A canadense Gail Whiteman participa da COP 28 como observadora da Artic Basecamp Foundation, organização holandesa que atua no combate às alterações climáticas no Ártico. Para ela, a eleição do presidente Lula representou uma quebra bem-vinda no tratamento dado pelo Brasil às questões climáticas nos últimos anos.

“Acho que a comunidade internacional toda ficou aliviada quando o presidente Lula assumiu. Não porque queremos ter uma pessoa contra a outra, mas porque todos entendemos que a Amazônia é um incrível patrimônio global que vai proteger o futuro da humanidade”, declarou a canadense.

“Acho que o governo brasileiro e o presidente Lula representam as esperanças de muitos, não apenas dentro do Brasil, mas em todo o mundo. Não podemos ter um espaço seguro para a humanidade se a Amazônia não estiver protegida. É uma notícia maravilhosa o Brasil sediar a COP 30”, comemorou.

Whiteman ressaltou que o trabalho dela como cientista é estar atenta ao risco global das mudanças no Ártico e como isso afeta o resto do mundo. “Uma das coisas que temos que fazer é trabalhar para que as questões da Amazônia e do Ártico se encontrem. Temos essas duas super importantes ecorregiões. Uma é o pulmão do mundo e outra é o sistema circulatório”, prosseguiu Gail Whiteman.

COP 30 – Presidente da China Association of Circular Economy, entidade que executa a política estatal de conservação de recursos e proteção ambiental na China, Liyang Zhu também citou Lula e destacou a importância da realização da COP 30 no Brasil. O governo brasileiro e o presidente Lula representam as esperanças de muitos, não apenas dentro do Brasil, mas em todo o mundo. Não podemos ter um espaço seguro para a humanidade se a Amazônia não estiver protegida" “O presidente Lula dedica grande importância ao tema da proteção ambiental e ao combate às mudanças climáticas. É seguro dizer que ele adota uma postura pragmática em suas atitudes ligadas às mudanças climáticas e aos nossos desafios. Ao mesmo tempo em que promove o desenvolvimento da economia, mantém uma atenção muito grande à proteção do meio ambiente global. Fazer a COP 30 no Brasil, na Amazônia, é uma grande ideia”, analisou Liyang Zhu.

Já o britânico David Atkin, representante da PRI Association, que atua em temas ligados ao investimento responsável, ressaltou que a COP 30 em Belém pode atrair diversos investimentos para projetos sustentáveis no Brasil. “A Principles for Responsible Investment é uma associação de investidores. Representamos mais de US$ 121 trilhões e o clima, a natureza e a biodiversidade são temas muito importantes para os integrantes da PRI. O presidente Lula é uma figura muito importante e estamos ansiosos em trabalhar com os nossos centros locais, já que nós temos 140 no Brasil”, afirmou. “Como a COP está indo para o Brasil, vamos procurar levar investidores internacionais para o Brasil para mostrar a história brasileira e por que é tão importante para o futuro do planeta”, encerrou David Atkin.


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