top of page

JUVENTUDE DO PT ENVIA NOTA AO DIRETÓRIO NACIONAL E A LULA,COM DURAS CRÍTICAS ÀS POLÍTICAS DO PARTIDO



"Só é prioridade quando está no orçamento!"


Ao Presidente Lula,

Ao Diretório Nacional.


(Assine este documento você também: https://bit.ly/AfirmaPT)


Querido Presidente Lula: contigo aprendemos o significado da palavra prioridade. Entendemos que, para acabar com a fome e a miséria no país, democratizar o Ensino Superior e realizar políticas afirmativas em todas as áreas da sociedade, era necessário dar a devida prioridade às populações historicamente excluídas no nosso país. Muitos te acusaram de "populismo" na criação do Bolsa-Família, do PROUNI, dos Ministérios das Mulheres e da Igualdade Racial e no fortalecimento da política indigenista e, quando defrontado com essa crítica, você estabelecia nitidamente que o significado da palavra prioridade era estar no orçamento.


Querida Presidenta Gleisi e membros do Diretório Nacional: o nosso partido foi o pioneiro na Política de paridade para as mulheres, de cotas raciais na sua direção e, na busca de um pacto para a sua transição geracional, aprovando a cota de 20% para jovens na sua direção. Buscando ampliar o olhar e a prioridade sobre a questão LGBT no nosso país, coerente com a nossa histórica luta em defesa dos direitos humanos, também aprovamos a constituição da primeira Secretaria LGBT de um partido político de esquerda do país, para pensar políticas públicas para esta população historicamente violentada, invisibilizada e desassistida.


Em 2017, tivemos um capítulo em nossa história que não pode ser ignorado. Diante do legítimo pleito da Juventude em conquistar 5% do Fundo Partidário enquanto investimento para o desenvolvimento de suas políticas e atividades, a mesa do 6° Congresso o encerrou os trabalhos abruptamente, sem o debate da nossa pauta, obrigando a juventude a ocupar a condução e dar continuidade ao plenário. O que nós reivindicamos, neste momento, é reatar esse fundamental debate sobre as políticas afirmativas e a transição geracional.


O PT, por coerência, sempre defendeu o financiamento público e exclusivo das campanhas. Acreditávamos, desta forma, afastar a influência e o poder do capital na definição dos rumos para o nosso país. Também apontávamos, com coerência, que este financiamento viria a propiciar maior oportunidade de Jovens, Mulheres, Negras e Negros, Indígenas e LGBTs, já que seria um instrumento de promoção da eqüidade na disputa eleitoral. Esse combate à representação parlamentar distorcida com a composição diversa do nosso povo precisa prosseguir.


Em 2018, elegemos apenas duas deputadas, mulheres, com menos de 35 anos: Natália Bonavides e Marília Arraes, em um universo com 58 parlamentares, contando com aqueles que a Justiça Eleitoral arbitrariamente nos retirou. Um resultado alarmante para um partido fundado e forjado pela Juventude, e que sempre teve como marca a sua criatividade, irreverência, vigor e força. E, diante disso, nós formulamos, debatemos e aprovamos, no Diretório Nacional, o Movimento Representa!. Não apontamos somente os problemas, apontamos caminhos para resolvê-los e fazer do nosso PT, quarentão, um espaço onde a Juventude encontra eco pra disputar poder e implementar os seus sonhos.


Junto a nós, o Combate ao Racismo e o LGBT também se organizaram, somando as forças vivas e emergentes num processo de atualização de um PT de lutas, classista, mas altamente vinculado à contemporaneidade das pautas que questionam a estrutura desigual, escravocrata e racista, patriarcal, LGBTfóbica e misógina da nossa sociedade.


Companheiras e companheiros, neste momento de debate democrático da distribuição do Fundo Especial de Financiamento das Campanhas - FEFC, nós viemos reivindicar que a prioridade seja muito mais do que discurso. Que ela seja uma ação concreta, onde nós possamos nos enxergar e ter a segurança de que o nosso Partido dos Trabalhadores é e está comprometido com a promoção das nossas representações e do nosso futuro.


Neste sentido, reivindicamos:

- Que seja reservado 5% do total do FEFC - Fundo Especial de Financiamento de Campanhas para as candidaturas prioritárias Jovens, Negras, Indígenas, LGBTs e da Cultura.


- que se tenha um Piso de 5% do valor do FEFC recebido pelos estados e municípios para as candidaturas jovens, ampliado proporcionalmente de acordo com a proporção de jovens na chapa de candidatos e candidatas às câmaras municipais;


- Que haja, no mínimo, uma candidatura jovem, deliberada pela JPT Municipal (quando houver) e Estadual, com status de candidatura prioritária em cada município. Isso é, com tempo de Rádio e TV, participação nos comícios e nas agendas da candidatura majoritária, e no financiamento eleitoral igualado ao da(s) candidatura(s) prioritária no município.


- Que também sejam observadas e respeitadas as demandas apresentadas pelas Secretarias de Combate ao Racismo, LGBT e de Cultura para a distribuição dos recursos locais.


Brasil, 15 de Julho de 2020

Direção Nacional da Juventude do PT

Comentários


JORNALISMO LIVRE E INDEPENDENTE_edited_e
  • Twitter
  • Facebook
  • Youtube
bottom of page