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GRIFO-19 TRAZ TUDO SOBRE A EXPOSIÇÃO DA MAGLIANI NO IBERÊ, UM PAPO COM JORGE FURTADO E MUITO MAIS...


Acabou de sair do forno mais uma edição do Grifo - o jornal de humor de cartunistas, ilustradores e escritores. E em tempos de guerra, me desculpem o trocadilho, mas não dá pra deixar a "bala" picando que o pessoal do bico de pena quer mais é soltar o canhão.


Como guerra é guerra, já no editorial o leitor se depara com aquele míssil: "o que nós temos a ver com isso?", indagam os sempre atentos artistas do papel e do tinteiro, diante deste mundo sem eira nem beira, em que a história, a repetição e a rima se misturam à luta contra a hegemonia.


E este número 19 do Grifo está impecável, não apenas nos inteligentes traços que ilustram os riscos da humanidade plagiar os seus próprios erros, quanto na análise sobre esta porção do continente americano cujas veias parecem sempre estar abertas à exploração. Por isso, se faz tão necessário identificar os percursos e as oportunidades nesta América Latina que ainda está por ser construída.


Como o humor é tão ácido quanto a vida, o leitor pode se sentir à vontade para fincar o dedo no gatilho e soltar rajadas de risos.


Difícil mesmo vai ser controlar o ímpeto diante da indagação que brota das cores vivas das charges, cartuns, ilustrações, riscos e rabiscos. Frente às variadas e difusas versões, nesta guerra - assim como em qualquer outra -, a pergunta que todos querem saber é a mesma: a verdade morreu? Apesar do clichê, a verdade não pode ser a primeira vítima de uma guerra. Porém, a sua ausência naturaliza a manipulação e a mentira, como estamos vendo diariamente nos noticiários, em reportagens, nas opiniões deformadas dos analistas e na enxurrada de postagens via redes sociais. Muitas vezes, os que choram pelos inocentes, pouco sabem sobre o que está por trás dos conflitos, da política, da economia que só ferra os pobres, os mais humildes, os famintos e desiludidos. Conflito ou invasão? Antes de responder, quem sabe o leitor encontre um caminho menos árduo, distante das granadas e dos tanques, não os de lavar roupa e sim os bélicos. Que tal começar pelos difíceis homens ucranianos?


Certo mesmo é que todos vão perceber que esta edição do Grifo tem muita munição. São tiras e mais tiras, páginas e mais páginas em um verdadeiro banquete de arte que só pode ser servido mesmo por quem tem bala na agulha.


Aproveitando resquícios do 8 de março, o Grifo faz referência às conquistas das mulheres. Pela primeira vez, desde sua criação, em 1974, não há nenhum homem finalista no prestigiadíssimo Festival de Quadrinhos de Angoulême, na França. A escolha da melhor quadrinista se dará entre as francesas Pénélope Bagieu e Catherine Meurisse e a canadense Julie Doucet.


Em meio às artesdrásticas e ao entrevero, entre só cartum, panorama visual Queer e texto e traço, o Grifo coloca um pouco mais de luz no feminino, ao abordar a homenagem à gaúcha Maria Lidia Magliani e a inédita exposição que estará na Fundação Iberê, a partir de 19 de março. Ela partiu em 2012 e nos seus 50 anos de produção artística, nos deixou mais de 200 obras, provenientes de mais de 60 coleções, incluindo os principais museus do Brasil.


A cereja do bolo nesta edição do Grifo é o papo-reto com Jorge Furtado. O roteirista, escritor, diretor de cinema e humorista conta que nunca trabalhou tanto quanto na pandemia. Também nunca esteve tão preocupado com a política brasileira quanto agora. Identificado historicamente com a esquerda, até torce para Eduardo Leite concorrer à reeleição e assim evitar que dois bolsonaristas-raiz cheguem ao segundo turno na disputa ao governo do Rio Grande do Sul. Nacionalmente, vai de Lula. Mas nem só de política vive nosso entrevistado.


Com o Grifo 19 nas mãos, resta ao público se render à leitura de mais uma edição deste espetacular jornal de humor que não abre mão da credibilidade dos seus cartunistas, ilustradores e escritores.

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