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FEMINISMO EMANCIPACIONISTA POPULAR COM VIÉS ANTIRRACISTA - VIVA A UNIÃO BRASILEIRA DE MULHERES

Por Silvana Conti (*)

A escrita converte-se em um ato político.


O escrever pode ser um ato de descolonização, justamente nesse processo quando deixamos de ser objeto e nos tornamos sujeitos. Essa inspiração de pensar objeto para sujeito, segundo GRADA KILOMBA (2019), vem dos escritos de Bell hooks (1989), o falar com a própria boca, o escrever com as próprias palavras, seguir na resistência e na luta, de cabeça erguida, de espinha ereta, e sempre fazendo a luta de ideias, a luta política, articuladas com os movimentos sociais, com os pés cravados na realidade do povo brasileiro.


Somos aquelas que sofrem, gritam, lutam, matam um leão por dia porque nossos filhos(as), jovens negros(as) da periferia estão na mira da “bala perdida” de um Estado repressor e racista. Nossos(as) filhos(as) são assassinados(as) pela cor de sua pele, sempre acusados, desde a escravatura.


Somos 38 milhões de pessoas no Brasil abaixo da linha da pobreza; dessas, pelo menos 27,2 milhões são mulheres (IBGE);


O Feminismo Emancipacionista Popular com viés Antirracista, é sobre nós, é falar da vida real, das mulheres comuns que fazem o corre cotidiano com TODO DIA UMA LUTA, TODO DIA UMA ESPERANÇA!

O patriarcado, o colonialismo, o racismo e o sexismo constituíram formas de dominação que caracterizaram o período de escravização e que, no que pese apresentarem dinâmicas diferentes em cada contexto nacional, influenciaram a formação dos aspectos da vida social, própria malha de poder, o que irá criar implicações distintivas em cada contexto social.


Na obra, “A mulher na sociedade de classes” Saffioti (2013), aponta que a sociedade não comporta uma única contradição. Há três fundamentais, que devem ser consideradas: a de gênero, a de raça/etnia e a de classe. Com efeito, ao longo da história do patriarcado, este foi se fundindo com o racismo e, posteriormente, com o capitalismo, regime no qual desabrocharam, na sua plenitude, as classes sociais.


Existe um abismo social entre homens e mulheres, entre brancos e negros e as mulheres negras e não negras. Segundo dados do IBGE, 41% de todas as mulheres ocupadas no Brasil estão no setor informal; considerando somente trabalhadoras negras e pardas, a taxa de informalidade sobe para 47,8%;


É desta forma que trago algumas reflexões sobre o projeto bolsonarista, que representa a face mais nefasta do Estado capitalista, com uma agenda antipovo, ultraliberal, reacionária e conservadora, que aposta na ordem patriarcal, na violência de gênero, no gabinete do ódio, na desinformação, na antipolítica, na necropolítica e no negacionismo, portanto, compreender esta realidade e a urgência da construção de uma frente ampla para enfrentarmos politicamente nossos inimigos de classe, na minha avaliação deve ser o centro das nossas reflexões e ações no próximo período.


Vivemos um período neofascista, com o acirramento da luta de classes, e o aprofundamento das desigualdades sociais, principalmente nestes tempos desde o golpe de 2016 e nestes tempos da COVID -19 quando os abismos sociais ficaram escancarados pela crise sanitária, econômica, política, institucional e civilizatória.


O resultado eleitoral de 2018 e 2020, refletem a vitória do campo conservador, reacionário, da direita e extrema – direita. Esta turma que representa no Brasil o bolsonarismo, e que promovem as fakes news, violência de gênero, racismo estrutural e sem dúvidas insuflam o antipetismo e o anticomunismo.


Trago 2 categorias para refletirmos, à luz do materialismo-histórico-dialético: Estado capitalista e Trabalho.

No que tange a questão do Estado capitalista destacamos a concepção da teoria crítica oriunda da contribuição de MARX (1985), que analisa o Estado como a superestrutura, determinada a partir das relações sociais. Para ele, “não é o Estado que organiza a sociedade, mas é a sociedade, entendida como o conjunto das relações econômicas, que explica o surgimento do Estado, de sua natureza, caráter e recursos políticos” (PEREIRA,2013). Conforme esta interpretação, Marx afirma o caráter alienante do Estado, conceituando-o como instrumento de dominação da classe dominante.


O Estado neste estágio apresenta-se como ultraliberal, cujas funções se resumem a atender os interesses do capital, restringindo-se a assegurar o que podemos chamar de condições externas para a acumulação capitalista – manutenção da propriedade privada e da “ordem pública” (leia-se: o enquadramento dos(as) trabalhadores e trabalhadoras).


No sistema capitalista, o trabalho subsome-se integralmente às exigências da produção de mais-valia como um fim em si mesma – mais- -valia relativa.


A reestruturação produtiva marca o desenvolvimento de um novo padrão de acumulação e a palavra de ordem deste novo padrão é a flexibilização. Há uma tendência generalizada de flexibilizar os contratos e o mercado de trabalho, o processo produtivo e o regime de acumulação. Este novo padrão de acumulação tem conjugado altos índices de desemprego estrutural, maior exploração do trabalhador(a), ganhos modestos de salários e a desestruturação do poder sindical (ANTUNES, 1999).


Estamos diante de um movimento que vem na contracorrente das conquistas históricas, principalmente as sociais. É a representação da luta de classes em torno do controle do Estado.


A burguesia se afirma como detentora do poder político-econômico, propondo um programa de reforma do Estado para libertar o mercado das amarras do modelo de bem-estar social e enfraquecer os movimentos sociais, principalmente o movimento da classe trabalhadora.


Sendo assim, todas as perdas e ataques que sofremos no último período, tem nome e sobrenome. Conhecemos o nosso alvo.

Bolsonaro sofre desgastes de diversas ordens, mais o bolsonarismo ainda dialoga com uma parcela significativa da sociedade brasileira. Urge desgastarmos, desmascararmos e derrubarmos Bolsonaro.


Para vencermos a antipolítica, sugiro seguirmos construindo a unidade das esquerdas, dos(as) progressistas, do campo democrático e popular, dos movimentos sociais, sindicais, culturais e todas, todos e todes que defendem a democracia. Além disso, fazermos formação política e muito trabalho de base para juntas(os) elevarmos a consciência de classe, acumulando forças para as batalhas que virão.


Fora Bolsonaro Impeachment Já!


(*) Silvana Conti – Feminista. Vice – Presidenta da CTB/RS. Direção Nacional da UBM. Mestranda em Políticas Sociais da UFRGS.


Referências


ANTUNES, Ricardo. O Sentido do Trabalho. SP, Boi tempo, 1999.

KILOMBA, Grada. Memórias de Plantação. Episódios de racismo cotidiano. Tradução de Jess Oliveira. Rio de Janeiro: Editora Cobogó, 2019.

MARX, Karl. O capital. Vol. I. Tomo II, 1985).

MARX, Karl. A origem do capital: a acumulação primitiva. São Paulo: Ed. Global, 1989.

PEREIRA Potyara Camila. Proteção Social no Capitalismo - Contribuições à crítica de matrizes teóricas e ideológicas conflitantes. Tese de Doutorado. 2013.

SAFFIOTI, Heleieth I. B. A Mulher na Sociedade de Classes: Mito e Realidade. 3. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2013.

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