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FÓRUM SOCIAL MUNDIAL 2023: PORTO ALEGRE VOLTA A SONHAR COM UM OUTRO MUNDO POSSÍVEL


Passados 22 anos da primeira edição do FSM, Porto Alegre assume novamente um papel de vanguarda em relação a discussões de temas de interesse global. A partir de segunda-feira (23/1), a capital gaúcha será palco de mais uma edição do Fórum Social Mundial (FSM), tendo como tema “Democracia, direitos dos povos e do planeta – Outro mundo é possível”. Assim como naquele janeiro de 2001, a capital gaúcha terá o desafio de novamente se transformar em uma metrópole cosmopolita, contrapondo-se a Davos e às novas estratégias da agenda neoliberal da Organização Mundial do Comércio (OMC) e fazendo resistência à guinada do mundo em direção à ultradireita.


Promovido por organizações e movimentos sociais do Rio Grande do Sul e do Brasil, o encontro terá mais de 150 atividades, com a presença de painelistas nacionais e internacionais. Até sábado, dia 28 de janeiro, serão realizadas atividades autogestionadas e de convergência, que ocorrem de forma presencial, híbrida ou virtual. Com um formato mais enxuto, o evento regional, que tem caráter mundial, concentrará as atividades no Auditório Dante Barone, na Assembleia Legislativa. A tradicional Marcha do Fórum Social Mundial será realizada na quarta-feira (25/1), com concentração no Largo Glênio Peres, a partir das 17 horas.


Para participar, é preciso fazer a inscrição no site do evento.


PROGRAMAÇÃO

PROGRAMACAO FSM2023 V 05 2101
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TUDO COMEÇOU EM PORTO ALEGRE

Quando Porto Alegre recebeu pela primeira vez o Fórum Social Mundial (FSM), em janeiro de 2001, ninguém imaginava a dimensão que o evento alcançaria. A capital do Rio Grande do Sul, que até então era anônima em termos globais, vinha conquistando a atenção do mundo em função do Orçamento Participativo. Um mecanismo de administração baseado em um modelo democrático, que proporcionava à população o pleno exercício da cidadania, por meio de plenárias temáticas em que eram discutidas e elencadas as prioridades em cada uma das 16 regiões da cidade. E assim Porto Alegre foi se estruturando, com a participação dos moradores que passaram a decidir sobre investimentos, projetos, o desenvolvimento e o futuro da cidade.


Não demorou muito para o modelo de Porto Alegre chamar a atenção do mundo. O OP se tornou uma prática reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), destacando-a como uma das 40 melhores práticas de gestão pública para cidades do mundo. O Banco Mundial também considerou a iniciativa como modelo bem-sucedido de ação entre um governo e sua população e o OP da capital gaúcha passou a servir de exemplo para cidades no Brasil e no mundo, como Santos (SP), Santo André (SP), Belo Horizonte (MG), Blumenau (SC), Aracaju (SE), Belém (PA), Bruxelas (Bélgica), Barcelona (Espanha), Rosário (Argentina), Toronto (Canadá), Montevidéu (Uruguai) e Saint-Denis (França).


Nas ruas da capital gaúcha, a efervescência cultural embalava ideias possíveis e realizáveis, impulsionadas pela diversidade que se propagava em diferentes idiomas. E foi neste cenário multicultural que utopias se reinventaram, importantes bandeiras foram erguidas e inúmeras lutas alcançaram visibilidade. As sementes germinaram, os frutos apareceram e o FSM de Porto Alegre assumiu o desafio gigantesco de fazer contraponto ao Fórum Econômico Mundial, realizado desde 1971 em Davos, na Suíça.


As primeiras edições deste evento transformador colocaram Porto Alegre em um lugar de destaque no mapa político mundial. Enquanto Davos buscava soluções econômicas conservadoras para viabilizar novos projetos idealizados pelas maiores potências mundiais, em Porto Alegre lideranças políticas e ativistas sociais progressistas de diversos lugares do planeta trocavam experiências e saberes que alimentavam e continuam alimentando as grandes mudanças sociais.


Por anos consecutivos, o verão na capital mais ao Sul do Brasil ficou ainda mais quente por conta do calor humano que se espalhava pela cidade, se misturava ao cotidiano de gaúchas e gaúchos e se fazia presente nas esquinas, nas praças, nas ruas, nas calçadas, dentro dos ônibus, nos hotéis e restaurantes. E, a cada nova edição, Porto Alegre se tornava ainda mais vibrante, colorida, múltipla, plural, diversa e inclusiva.


O FSM também fez com que a cidade se tornasse um ponto de encontro de renomados intelectuais, escritores, artistas, políticos, lideranças sociais, estudantes, jovens, trabalhadores, camponeses do MST, ambientalistas, gays, lésbicas, religiosos de diferentes matizes, pessoas de todas as cores e com realidades distintas. A mistura dos povos e as diferentes culturas que chegavam à cidade, fizeram de Porto Alegre uma metrópole cosmopolita.


Para além das discussões ideológicas, o FSM deu vida a Porto Alegre, que passou a acreditar no seu potencial turístico. A cidade que se contrapôs a Davos, também soube enxergar novos horizontes, a partir do aquecimento da economia local, em uma época que parte da população da cidade migra para o litoral.


Em tempos de pandemia, de fascismo, obscurantismos, negacionismos e retrocessos, o Fórum Social Mundial assume novamente um papel determinante na defesa da vida, da democracia e dos direitos dos povos e do planeta. Esperamos que nesta edição de 2023, os olhos do mundo se voltem novamente a Porto Alegre e que os ideais deste evento transformador sirvam de estímulo para que possamos acreditar que um outro mundo é possível.

(*) Alexandre Costa é jornalista.

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