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EUA, UNIÃO EUROPEIA E PAÍSES ALIADOS DA OTAN ACUSAM A CHINA DE PROMOVER ATAQUES CIBERNÉTICOS


Em um anúncio coordenado, a Casa Branca e governos de países da Europa e da Ásia apontaram que o Ministério de Segurança do Estado da China faz uso de "hackers criminosos contratados" para conduzir uma série de atividades desestabilizadoras em todo o mundo para lucro pessoal. Estados Unidos, a União Europeia e os países aliados da OTAN acusaram, nesta segunda-feira (19/7), o regime chinês de ter orquestrado uma campanha global de ataques cibernéticos que inclui o hackeamento, no começo deste ano, do servidor de e-mails da Microsoft, que são utilizados por empresas e governos de todo o mundo e também foco de grupos cibercriminosos.


A denúncia abre mais uma frente de conflito entre China e Estados Unidos, potências opostas nos campos comercial e tecnológico, bem como na corrida armamentista e até espacial. Ambos países vivem o pior momento de suas relações diplomáticas em décadas. Desde que chegou à Casa Branca, Joe Biden redobrou suas denúncias sobre a escalada autoritária de Pequim e a violação dos direitos humanos. O presidente tenta fazer com que os outros aliados também aumentem a pressão, apesar da importância do gigante asiático como parceiro comercial. De acordo com a matéria, se trata da primeira declaração da OTAN que aponta Pequim como responsável por uma agressão informática. A aliança citou a China em sua cúpula de junho como um dos grandes desafios para a segurança global.


A divulgação pública de possíveis irregularidades chinesas representa uma nova frente no plano do governo Biden para afastar as ameaças cibernéticas que expuseram vulnerabilidades graves nos principais setores americanos, incluindo energia e produção de alimentos. A extensão do envolvimento chinês na contratação de redes criminosas para invadir e extorquir dinheiro em todo o mundo foi uma surpresa para a Casa Branca, disseram as autoridades. "O que descobrimos de realmente surpreendente e novo aqui foi o uso de hackers criminosos para conduzir essa operação cibernética não sancionada e realmente a atividade criminosa para ganho financeiro", disse um alto funcionário do governo no domingo antes do anúncio.


A segurança cibernética é uma preocupação crescente nos Estados Unidos, que recentemente sofreu um ataque a uma infraestrutura estratégica como é o grande oleoduto Colonial, uma artéria básica da Costa Leste do país, que teve que interromper sua atividade por alguns dias devido a um ataque por um grupo criminoso civil. “Um grupo sem precedentes de aliados e parceiros, incluindo a União Europeia, Reino Unido, Austrália, Canadá, Nova Zelândia e OTAN, se juntará aos Estados Unidos para expor as atividades cibernéticas maliciosas do Ministério de Segurança da China”, disse uma fonte da Administração dos Estados Unidos à imprensa pouco antes do anúncio formal. Por sua vez, o Alto Representante da União Europeia para a Política Externa, Josep Borrell, disse em uma declaração em nome dos 27 países que o bloco continua a instar a China a “não permitir que seu território seja usado para atividades cibernéticas maliciosas”.


CHINA E RÚSSIA

Em março, a Microsoft relatou que grandes empresas e agências governamentais que usam o serviço de correio da empresa tiveram a segurança comprometida em uma operação que eles já acreditavam estar ligada ao regime de Xi Jinping. Especificamente, a empresa alegou que os hackers do grupo Hafnium, que opera fora da China, estavam explorando violações de segurança nos serviços de mensagens do Exchange para roubar dados de usuários corporativos. Estima-se que pelo menos 30 mil organizações foram vítimas desses ataques. Nesse caso, Washington apontou o Kremlin por não coibir esse tipo de crime, alegando que tal grupo opera a partir da Rússia. Esta semana, a Casa Branca também apontou a China e a Rússia como fontes de desinformação a respeito das vacinas contra a covid-19.

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