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EMANCIPAÇÃO HUMANA (PARTE IV), POR BRUNO MENDONÇA COSTA (*)

Este artigo foi publicado em quatro partes. A primeira na segunda-feira (13/6) e a última na quinta-feira (16/6). Boa leitura!

A emancipação política só pode ser conquistada com o combate à alienação. E a alienação é a acompanhante certa do homem individualista e egoísta. É aquele que não se interessa pelos demais homens, não se interessa igualmente pela sociedade em que vive, não compreende o funcionamento de instituições de todos os tipos, não entende o papel dos partidos políticos e do Estado. É de tal modo “independente” que acredita piamente que conquistou um status superior e que prescinde da solidariedade e do convívio com outras pessoas. Julga-se livre e, no entanto, ilude-se com a conquista de uma pseudo-liberdade.


A conquista de uma emancipação econômico-financeira também poderá ser uma falsa conquista. Mas, supondo que de fato esteja presente, ela não lhe dá igualmente o título de “homem livre”, pois na maior parte das vezes estará tão preso aos seus bens materiais e ao seu dinheiro que sua liberdade ou a sua emancipação passa a ser muito mais um preocupação diária e as vezes martirizante do que um prazer de viver. Tal como o crente, tem também um deus, o deus mercado ou o deus dinheiro.


Nem se cogite de falar em fraternidade. Como pode haver um espírito fraterno em alguém individualista e egoísta?


Conclui-se, então, que a “emancipação humana”, aquela que nos apresentará o “homem livre”, vista na época atual, não passa da cogitação de uma utopia. Ela só poderá se apresentar quando a maior parte da população puder compreender o que é alienação e subir vários graus da trajetória civilizatória da humanidade, a ponto de ter a capacidade de saber viver como indivíduo, sem ser individualista e egoísta, e conseguir participar da coletividade, sem com isso, considerar-se alguém diferente ou superior aos demais. Aí, estaremos num mundo de liberdade, de igualdade e de fraternidade, em nível superior, que atinge não mais o “homem abstrato” e sim o homem concreto do dia-a-dia. O homem que se diz livre, mas a todo o momento deve prestar contas a um deus, seja ele qual for, está evidentemente aprisionado a algo misterioso, fora da esfera humana, absoluto, com o qual é impossível discutir e que não lhe concede a opção de caminhos diferentes. Vive num mundo escravizante e anti-democrático.


Como será um mundo sem qualquer tipo de amarras, sem armadilhas de poder, aperfeiçoado em suas instituições privadas e públicas, em que liberdade seja algo de fato existente para um homem concreto e não para abstrações filosóficas ou para homens que não vivem neste mundo terreno?


Minha visão otimista é de que dentro de alguns séculos chegaremos lá. É uma luta que começou com Sócrates no século IV a. C. e que, com muitos avanços e recuos, vem se aperfeiçoando talvez muito lentamente.


(*) Bruno Mendonça Costa é médico psiquiatra.




A 4ª PARTE DESTE ARTIGO SERÁ PUBLICADA NA QUINTA-FEIRA (15/6).

 
 
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