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EMANCIPAÇÃO HUMANA (PARTE III), POR BRUNO MENDONÇA COSTA (*)


Este artigo será publicado em quatro partes. A primeira na segunda-feira (13/6) e a última na quinta-feira (16/6). Boa leitura!

Todas estas discussões se inserem no tema da Emancipação Humana.


É evidente que qualquer problema social que examinarmos, exige um tempo variável para ser solucionado. Não existe milagre. O encontro das soluções só pode ser conseguido através da apresentação do problema e das soluções aventadas. Na maior parte dos casos, exigem a presença de técnicos de diferentes áreas. Mas, isso está provado, as soluções podem ser encontradas e dão ótimos resultados. O Estado deve apresentar os projetos através do que denominamos de política.


Jamais estes projetos terão bons resultados se não resultarem do que poderemos denominar de “emancipação política”. Ela é uma etapa anterior a um nível superior que é a “emancipação humana”. Sem ela, nunca chegaremos a esta etapa superior. Emancipação política, que está acompanhada do esforço de fazer desaparecer a “alienação política”, presume é lógico não o afastamento do homem da política e sim, ao contrário, sua aproximação e participação intensa e continuada. Com ela virá o combate também à alienação relacionada à emancipação econômico-financeira, não só em termos de sua sobrevivência individual, mas da sobrevivência digna de todos os membros da sociedade. Ou pensamos na emancipação de todos ou injusta e egoisticamente pensamos na emancipação individualista. E a emancipação de todos obviamente produzirá a emancipação do indivíduo.


Como se vê, a emancipação humana é algo muito difícil de ser alcançado. Difícil, mas não impossível.


Quais os esforços que devem ser feitos para que uma pessoa a alcance?


É uma sequência de esforços. Poderão ser relativamente mais fáceis os passos iniciais. De início surge a questão da sobrevivência, um tema que atinge ricos e pobres. Evidentemente, algo mais fácil para os ricos. Eles já nascem com esta questão resolvida. Seus problemas básicos já estão solucionados. Ou por herança ou por mecanismos construídos por seus pais e que lhe garantem a sobrevivência sem grandes problemas. O pobre, no entanto, vai encontra obstáculos imensos. Mas, quando consegue um título universitário, o universo da sobrevivência já se torna um pouco mais facilitado. São poucos os que chegam neste nível. Quando esta etapa é vitoriosa, o status de rico e de “pobre que venceu” (o que é um título de ingresso na “classe média baixa ou média média”) é mais ou menos semelhante. O difícil mesmo é o que acontece com o pobre que não conseguiu vencer esta etapa e que permanece na mera luta pela sobrevivência. Esta é a situação da maior parte da população de nosso país. Basta assistir atualmente, por exemplo, a procura desesperada de mais de 50% da população adulta pelos chamados “recursos emergenciais”, valores que dificilmente poderão resolver a mais elementar sobrevivência, que é a alimentar.


A emancipação humana tem como objetivo importante a conquista da “liberdade”. Repete-se a consigna da Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade, Fraternidade). O rico já conquistou sua liberdade. Pode ser um crente de qualquer igreja, um militante de qualquer partido político, um ser completamente alheio ao que acontece aos seus semelhantes, um cristão sincero que vai na missa todos os domingos e acredita nos rituais de sua igreja, um crítico inconseqüente dos fatos políticos e dos partidos, um ateu fervoroso ou um fanático religioso.


O pobre que subiu para a classe média acompanha sua trajetória. Estes dois personagens não são “homens livres”. Se for um crente está preso aos mandamentos divinos, ao Papa, ao Padre e ao Pastor; se for um ateu, poderá tomar o rumo do anarquismo político, não crê em deus nenhum, passa todo o tempo defendendo seu materialismo, sem se dar conta de que continua tão alienado quanto aquele que optou por alguma crença. Conquistou uma falsa liberdade. Para ser livre, portanto, não basta ser “ateu”. Seu parente próximo, o agnóstico, é igual a ele, e talvez pior, porque finge que acredita no que não acredita e acredita no que finge não acreditar. O ateu não se tornou um “homem livre” e o agnóstico ainda menos do que ele.


(*) Bruno Mendonça Costa é médico psiquiatra.



A 4ª PARTE DESTE ARTIGO SERÁ PUBLICADA NA QUARTA-FEIRA (15/6).

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