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COMITÊ DA CRISE EDUCACIONAL DO RS APRESENTARÁ OS RESULTADOS DA PESQUISA SOBRE EDUCAÇÃO NA PANDEMIA

A partir das 10 horas da próxima sexta-feira (31/7), o Comitê da Crise Educacional do Rio Grande do Sul vai apresentar os resultados de uma pesquisa, feita com 2.400 pessoas, que permitirá uma melhor compreensão do atual cenário da educação em Porto Alegre, em tempos de pandemia. A apresentação dos resultados da pesquisa será feita durante uma coletiva de imprensa transmitida ao vivo pelo facebook da Associação Mães e Pais pela Democracia (AMPD), no endereço www.facebook.com/MaesePaispelaDemocracia.


A pesquisa online, tem cerca de 50 questões e, em média, é respondida em oito minutos. O objetivo é compreender o que pensam e o que querem, mães, pais, alunos e educadores que atuam na educação básica de Porto Alegre, na rede municipal, estadual e na rede privada. A pesquisa permitirá traçar um paralelo com uma outra pesquisa, elaborada pelo Governo do Estado, e que é mais enxuta.


O www.esquinademocratica.com conversou com Aline Kerber, presidenta da Associação Mães e Pais pela Democracia (AMPD), uma das entidades que compõem o Comitê da Crise Educacional, para saber mais sobre a iniciativa.


Qual objetivo da pesquisa? Como será utilizada? Como ela foi elaborada, como surgiu essa necessidade, essa demanda?

O objetivo da pesquisa é compreender o que pensam e o que querem, mães e pais, de uma maneira geral, e mães e pais professores, que atuam na educação básica de Porto Alegre, na rede municipal, estadual e na rede privada. A ideia é, a partir de quem são, o que pensam e o que querem - em relação a este momento em um cenário de pandemia -, buscar saber quais são os critérios mais importantes para as pessoas, no caso da volta às aulas. Quais os protocolos, as estruturas das escolas, questões ligadas aos leitos de UTIs e de vacinas, além de atendimento psicossocial e espaços de acolhimento, no caso da existência de suspeita de contaminação.


Nós pautamos uma série de questões que nos permitirão medir e compreender melhor o atual momento. Por exemplo, a pesquisa nos permite saber quais as estruturas que se têm, de fato, para uma aula remota, online e como é a política estadual, que então coloca a questão das plataformas como a prioridade. Então queremos entender que condições as pessoas têm para participarem das aulas, sejam professores ou alunos. Por isso, escolhemos estes dois públicos.


Além da questão territorial de cada público, das redes municipal, estadual e privada, em Porto Alegre, selecionamos ainda outras 400 pessoas de cada público, para que tenhamos uma amostra representativa do todo, de cada grupo, totalizando 2.400 entrevistados. Será uma maratona, porque a pesquisa começou hoje (quinta-feira, 23/7) e vai até terça-feira (28/7), online. Organizamos esta pesquisa, coletivamente. A elaboração e a concepção, ligada à Mães e Pais, por conta da minha expertise como socióloga e diretora-executiva do Instituto Fidedigna; e a Sabrina também como socióloga e diretora da In Loco. Então, percebemos, a importância da participação neste Comitê da Crise Educacional do Rio Grande do Sul, porque faltavam dados e elementos.


Isso, justamente, para termos uma concretude e se pensar em outras políticas, para além das tecnológicas, na pandemia e no pós-pandemia. E, para compararmos com a pesquisa do Governo do Estado, que é enxuta, bem curta e não estruturada, é mais aberta. Nós resolvemos estruturar, deixar mais fechada, resolvemos colocar perto de 50 questões na nossa pesquisa, para realmente medir. Existe este paralelo com o Governo do Estado, por isso perguntamos da ordem de retorno, qual nível deve ter retorno antes, falamos também nos protocolos, para em alguma medida podermos balizar e dialogar com essa pesquisa, a ser apresentada como oficial.


Como e quando será a divulgação da pesquisa?

Vamos chamar uma coletiva de imprensa, dia 30 de julho, às 15 horas, para compartilhar todos os resultados. Os resultados por rede e também para cada entidade que assina. Por exemplo, o CPERS vai receber as pesquisas, as análises sobre o que os professores pensam, estratificada, sobre o que pensam os professores do estado e que atuam em Porto Alegre. Da mesma forma o Simpro, em relação aos professores das redes privadas. A intenção é fazer análises cruzadas, por estratos e por grupos. Então durante esta coletiva, cada entidade pode apresentar dados, fazer a leitura da pesquisa e apresentar, a partir destes dados, proposições ou políticas públicas, neste sentido. E esse também é o objetivo do trabalho conjunto com o Comitê. Além da coletiva de imprensa, as entidades vão subsidiar o trabalho. A pesquisa poderá ser utilizada por qualquer um, porque estará aberta à comunidade, à imprensa, à academia, aos partidos políticos, aos candidatos, aos movimentos sociais e grupos de pressão possam olhar esses dados e, de fato, compreender mais a atual realidade. Acreditamos que a pesquisa e os resultados possam subsidiar muito o debate e estes dados novos certamente vão entrar na agenda pública.


Qual a metodologia, como foi desenhada a pesquisa?

A metodologia é essa. Um questionário online que está sendo disparado através de um link. E as entidades que compõem o Comitê é que estão fazendo a distribuição, compartilhamento e sensibilização das suas redes e por isso que tem potência. Em menos de seis horas de coleta, nós já conseguimos mais de mil respondentes, respostas válidas na pesquisa. Esse é um feito para pesquisa de opinião que depende de um voluntarismo, vontade das pessoas participarem. E isso acontece porque há interesse público. As pessoas querem se manifestar e existe nela um espaço de escuta e isso se dá pela credibilidade das instituições. Eu acredito também que essa mobilização se deve muito ao papel que a Associação Mães e Pais pela Democracia vem desenvolvendo e o espaço que conquistou na comunidade. É uma pesquisa online, estruturada, cerca de 50 questões e que leva cerca de oito minutos para ser respondida, porque há questões que vão só para professoras e outras para mães e pais. É uma pesquisa atrativa, o preenchimento é rápido, fácil, e isso faz com que a gente atinja a meta de entrevistar 2.400 pessoas.


E os resultados, como serão trabalhados?

Vamos fazer uma análise descritiva destes dados e cruzá-los por rede, por bairros, do ponto de vista dos professores, dos alunos. Também vamos analisar de forma geral, alunos e professores e de toda comunidade. E, partir daí, analisar como é essa comunidade, o que ela deseja em relação ao tema.


Esta é a primeira pesquisa realizada pela Associação?

Essa é a primeira pesquisa do Comitê. A Associação fez várias pesquisas, principalmente na época do tsunami da educação, quando foram feitas várias manifestações de rua. As pesquisas foram realizadas internamente, entrevistamos o pessoal da AMPD, com pesquisas online, para avaliar o momento político, para pensar neste momento de educação e também de educação na pandemia. A Associação também está subsidiando estas pesquisas que fizemos neste período e que estamos fazendo. O mesmo acontece como as “lives”, a partir das pesquisas escolhemos os temas. A AMPD também tem um comitê interno e que estão atuando a convite da diretoria. Este espaço está aberto para outros integrantes que tenham interesse de participar e que desejam refletir sobre as pautas ligadas à educação.


Quais outras iniciativas estão sendo gestadas, pensadas, planejadas pela Associação?

A Associação tem muitas coisas acontecendo, como a questão de solidariedade na Vila Maria, uma campanha permanente até outubro pelo Apoie-se. Estamos entregando cestas básicas para todas as famílias, uma vez ao mês. Já doamos 20 toneladas de alimentos até agora, neste período de pandemia. Essas doações são de Porto Alegre e Região Metropolitana. No total são 15 comunidades beneficiadas. Este é um braço forte da AMPD. E esse é um trabalho muito necessário. Também temos uma outra campanha, a Fique em Casa, muito importante, pois é um trabalho de conscientização. Nós acreditamos muito no isolamento como forma de prevenção e sabemos que nosso grupo tem muita capacidade de influenciar a comunidade. Estamos realizando lives, que consideramos pertinentes e que têm contribuído para o debate mais amplo e qualificado, integrado, suprapartidário, plural. Participamos também da Comissão de Educação na Assembleia Legislativa e deste Comitê Popular da Crise Educacional. Representamos a sociedade civil junto ao Fórum de Combate à Intolerância e ao Discurso de Ódio, que o Estado é representado pelo Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal (PRC-MPF) e a sociedade civil representada pela AMPD. E, neste espaço, estamos fazendo muitos debates sobre ataques cibernéticos, racismo, sobre escola sem partido, sobre a questão do pacote anticrime. Estas são algumas das ações que a AMPD está envolvida.


Como está atualmente a AMPD, em relação ao seu porte e ao número de associados e contribuições?

A AMPD é composta de associados pagantes e simpatizantes e conta com cerca de 20 mil pessoas. Nós nos organizamos por grupos, por temas, por urgências, também nas redes por meio do watts. A Associação tem uma direção e uma presidência e foi formada há pouco mais de um ano e meio. Contabilizamos mais de cinco mil pessoas que têm uma relação mais próxima, mais de 200 escolas públicas e privadas. Temos muito engajamento com as campanhas solidárias e contribuições financeiras.


Qual importância desta pesquisa e se podemos dizer que representa um crescimento e uma qualificação do ponto de vista dos horizontes da AMPD?

Começamos a desenhar um grupo de pressão que tem a lógica dos novíssimos movimentos sociais, que é um grupo qualificado, que pauta as políticas públicas baseadas em evidências, que compreende que existe um papel importante em defender uma causa pública. Esta pesquisa realmente mostra o lugar da Associação. Lugar da AMPD, como um ator político fundamental na cidade de Porto Alegre, e na construção de políticas públicas nesta área, pensando na educação mais integrada e mais integral e com liderança.


Recentemente a AMPD teve o ingresso de outras escolas privadas e também públicas. Como tem sido essa relação entre os diferentes pais e como tem sido desempenhar esta liderança, como presidenta da AMPD?

A Associação nasceu de um encontro de mães e pais de oito escolas privadas de Porto Alegre. Fui porta voz e passei a fazer parte dos debates, algo que já faço no meu trabalho na área da segurança pública. Tenho esse perfil e acabei tendo esta liderança e protagonismo na construção da Associação e do movimento.


Como tem sido para a AMPD trabalhar com as pautas de interesse público e as questões de interesse da política partidária?

A tensão dos partidos é o maior desafio. Isso acontece dentro da Associação, entre as pessoas, de fora para dentro e de dentro para fora. E estamos falando de uma cidade em que não haverá unidade entre os partidos de esquerda, o que é de fato preocupante. Somos um novíssimo movimento social, com potência, que tem protagonismo e liderança. Me sinto muito responsável por construir pontes, diálogos e também por construir a nova esquerda. A AMPD demonstra na prática que é possível furar as bolhas, agregar mais pessoas. E que as lutas e as causas nos aglutinam e eu acredito que isso nos permita virar esse jogo.


Politicamente, a Associação vem tendo um papel importante nas discussões relacionadas à educação. Quais as principais bandeiras, vitórias e derrotas nesta recente caminhada?

São muitas, mas vou falar das duas mais importantes. Derrotamos no final do ano o “Escola sem Partido”, com uma liminar e um pedido de audiência pública, fizemos uma frente pela democracia e reunimos mais de 65 entidades. Pedimos uma audiência pública e com base neste pedido, o Simpa entrou com mandato de segurança e conseguiu suspender a lei. A lei é inconstitucional e o STF já colocou uma pá de cal nesta questão. Nós lutamos aqui na Assembleia Legislativa contra a aprovação a Educação Domiciliar no RS, o PL 170 2019. Um absurdo, um escárnio, é um risco, é um problema. A matéria é inconstitucional. O tema deve ser debatido na Câmara Federal e não nas Assembleias Legislativas.

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